sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Resenha - Os Verdadeiros Gigantes



Os Verdadeiros Gigantes:

Nº de Páginas: 154

Dimensões: 21Cm x 13,5Cm x 1Cm

Editora: Catavento

Link para comprar:   OS VERDADEIRO GIGANTES

Autor: Charles Willian Kruger





Acho eu que, se você consome qualquer forma de conteúdo considerado “Nerd”, deve saber o que raios se trata um anão na fantasia medieval clássica. Deve saber que não é um ser humano com nanismo (embora também possa existir no mesmo mundo), mas uma raça inteligente dentre as tantas que existem nos mundos fantásticos e, geralmente, com um papel completamente secundário numa história.

No geral, a atuação de um anão segue o seguinte padrão: Uma vez constatado algo perigoso, o anão brada alguma coisa que será tratado como piada e parte como um javali em fúria massacrar a ameaça a golpes de machado. Isso é o que se resume a maioria das participações anãs quando o contexto é a fantasia medieval. Quando temos diálogos, estes são focados em suas rabugices ou numa coragem desprovida de pensamento, de valor, novamente para arrancar risos do leitor.

Mas, e se eles fossem retratados de uma maneira diferente? E se os holofotes estivessem não em cima de mais um herói humano, elfo, ou hobbit mas sobre os próprios anões e estes fossem tratados com a devida seriedade dos protagonistas das histórias clássicas?

“Os Verdadeiros Gigantes” é sobre isso.


O Livro:

Quando eu via as fotografias do livro na internet, pensava se tratar de um livro de grandes proporções, algo em torno de 300 e tantas páginas com encadernação de 24Cm por 17Cm, mas nãããããão! Tal como o próprio autor quis nos passar sobre os anões, a obra é grande mas não no tamanho. O livro tem 21Cm por 13,5Cm com 150 páginas. Cabe dentro de uma bolsa sem problemas.

A Escrita não usa muitas palavras fora do coloquial, salvo claro os momentos em que um certo rebusque se faz necessário para dar clima, mas nada que te faça recorrer a um dicionário para entender a trama ou ter de consultar o Google porque alguma palavra era comum dez séculos atrás.

A formatação esta boa, as letras não são pequenas e, posso estar enganado, mas acho que a fonte é equivalente ao tamanho 12 ou 14 no Word. Nada que dificulte a leitura.

Minha única crítica aqui talvez seja a da capa por ter um anão usando espadas, e acho que talvez machados fossem mais apropriados, mas aqui é mais uma questão de gosto pessoal na retratação do que um problema em si.


A História

A História centra-se em Rodan, que parte em viagem sob a orientação em sonhos do seu falecido pai que fora assassinado por um Orc. Ele, sendo uma figura importante na sociedade anã, sai em sua busca na pior hora possível, quando uma grande ameaça paira sobre seu povo, quiçá sobre toda Elgalor*. Seus Amigos Garren e Drunnan partem tentando impedi-lo dessa busca e o destino deles e de seu povo estão interligados por algo além de sua compreensão. Não vou aprofundar muito aqui com receio do spoiler não-intencional, mas já aviso que a trama reserva muitas surpresas pois mal sabe Rodan aonde seu pai o está levando... 

Os anões retratados na história ainda mantêm suas características clássicas, como a maioria de nós conhecemos, só que, dessa vez, a coisa tem contexto:  piada quando é pra ter piada e seriedade quando é um momento sério, nada de alívio cômico "porque é uma anão e ponto final" e ele sai correndo enfiar machado na cabeça dos outros, etc, etc...

Outro ponto interessante é que há a retratação da cultura anã e esta retratação é expressa e desenvolvida tanto a nível do indivíduo quanto ao nível como povo, hora de forma poética e hora através de uma narrativa que varia entre o intenso e o casual. Nem a questão de sua espiritualidade é esquecida pois através da história é possível entender a relação da raça com seu deus criador, Thanor, a filosofia que se origina dessa relação, assim como os valores que lhes sustenta como povo e civilização. Não são retratados como bárbaros-que-vivem-em-buracos , mas um povo unido por fortes tradições e valores cultivados pelo tempo e pelas cicatrizes. Ponto interessante da trama é quando esses valores são postos a prova, pois a inflexibilidade de uma ideologia, inevitavelmente, acabará por chocar-se com acontecimentos e outras ideologias que irão pô-la a prova.

Enfim, uma leitura divertida para os amantes da fantasia medieval clássica deixando os holofotes sobre aqueles que geralmente foram retratados como indignos do papel principal. Existem outras obras no mercado que fazem o mesmo, mas apenas em línguas estrangeiras. “Os Verdadeiros Gigantes”  esta em português  e se trata de uma obra única em língua “brasileira” com um enfoque inusitado e original.



* Elgalor, para quem não conhece é um mundo de fantasia medieval nacional, onde a história de Os Verdadeiros Gigantes se desenrola. E você pode conhecê-lo aqui: http://elgalor-rpg.blogspot.com.br/

Texto de Rogério "Monge da Dungeon" Freitas

2 Blá blá blá!:

Odin disse...

Um ótimo livro. Mestre Jacó é deveras talentoso, e e esta é uma história muito interessante, especialmente para fãs dos bravos anões!

Dragões do sol Negro disse...

Show de bola!

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