segunda-feira, 12 de maio de 2014

O Gigante e a "Menina"


Igor era um gigante afável. Passou grande parte da sua existência no vale, mas ainda carregava consigo as correntes de uma vida que não queria lembrar.
Aventurava-se agora no extremo do reino, empurrado por um problema que não encontrava solução. Diziam existir lá um sábio, mas para além dos sons dos fúnebres pássaros que o mantinham alerta, não encontrou ninguém, bem… não encontrou quem imaginava.
Guiado por um cantar gracioso, surgiu-lhe uma menina muito curiosa e de olhos grandes. Aproximou-se cuidadosa da descomunal criatura e cumprimentou-lhe com um sorriso contagiante. Igor por seu lado com seus doces traços, rendia qualquer um até perder o receio perante seu considerável tamanho.
- Eu sinto-me só. – Começou a miúda a falar. – Sou pequena, passo facilmente despercebida e minha voz raramente se consegue fazer sobrepor ao mar de outras vozes.  
O gigante apesar de habituado ao carinho das pessoas do vale, foi surpreendido com aquele à-vontade invulgar. Seu desconforto pela floresta desapareceu. Igor de natureza simples, levou algum tempo até perceber que partilhavam o mesmo problema que o levava ali, solidão.
Explicou aos ouvidos que se tinham disposto a escutá-lo, a razão para estar ali. Queria encontrar uma resposta para a sua solidão, mais que isso queria encontrar maneira de a curar.
A pequena ouviu-o atentamente de cara singela e acabou retorquindo:
- É fácil para um gigante se sentir só. Todas as outras vozes se tornam distantes e baixinhas, quase incompreensíveis. Pensamento nas nuvens e olhar sempre no horizonte. Consegue percorrer grandes distâncias, mas abranda o passo só para se fazer acompanhar. – Anuiu.
Antes de perceber como, a menina sorridente toca-o no ombro e sussurra-lhe:
- Da próxima vez que te sentires só, não penses em ti como este verme – apontou para um tronco caído – O seu mundo é populoso e pode ser acidentalmente pisado. – Sorriu.
Igor esforça-se para enxergar os insetos que lhe eram apontados, mas volta sua atenção ao seu redor, para perceber se ela tinha crescido ou ele encolhido, só que uma névoa cercava-os. 
- Prefiro então ser igual a todos só para não me sentir só. – Vozeirou o gigante.
- E porque quererias tal disparate? Como é que alguém repararia em ti se fosses igual a toda a gente? – Afagou-lhe a face. – Coragem para ti é medida de maneira diferente, porque o que para todos é um passo de gigante, para ti é só andar. És o primeiro a visitar-me em mais de cinco décadas. - Sorriu.
A expressão na cara de Igor mudou como se não totalmente convencido e quando veio a si, a menina tinha desaparecido com a névoa e viu-se cercado pelas mesmas aves que o mortificaram no inicio.
- Sê tu mesmo. Mais do que grande, és grandioso. – Ecoou uma voz grave pela floresta.


História original nos enviada por http://pensamento-indescoberto.blogspot.pt/

0 Blá blá blá!:

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