segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

FILME NA MESA! #007

"10 vezes 10 prossiga em direção ao Norte e vá ao ponto mais baixo. Lá, onde o Inferno abre a sua boca, o destemido começará a jornada à danação eterna, o sofrimento de Willie, o Caolho!" Olá! Sou eu, V.H. Mota, novamente. E nesta véspera de Natal trago um presente para todos que foram crianças nos anos 80. Hoje, faremos um FILME NA MESA especial com o clássico "Os Goonies", de Richard Donner. Com produção executiva de Steven Spielberg e baseado na história criada por Michael Khan, este ícone da inocência da Sessão da Tarde narrou a história de Mikey Walsh (Sean Astin, o Samwise "Sam" Gamgee da Trilogia "O Senhor dos Anéis", de Peter Jackson) e seus amigos, os "Goonies", que partiram numa grande aventura para garantir que a amizade deles não seja maculada pelos olhos ganaciosos de um grande conglomerado imobiliário, que planeja desapropriar os moradores das Docas Goon acionando as hipotecas de suas casas. Contando também com Josh Brolin, Corey Feldman e Joe Pantoliano, "Os Goonies" nos reserva quase duas horas de muito bom humor, aventura e emoção, já que nos ensina que, para sustentar uma grande amizade, devemos ser vitoriosos onde existe apenas a derrota incontestável; que a fé nos nossos ideais deve ser mais forte que os discursos que nos deixariam descrentes; e que, acima de tudo, um Goony nunca desiste!

Os Goonies (The Goonies, 1985)
TrailerGoonies just wanna have fun.. ♪ Não, não era essa música...

Astoria, Oregon, costa oeste americana. Cidade que possui uma forte relação com as rotas de comércio náutico e com histórias de pirataria. As Docas Goon receberam este nome por ser um local onde você facilmente encontraria um brutamontes para serviços pesados e/ou escusos (Goon significa "Valentão"). Reza a lenda que Willie, o Caolho, um pirata cruel e ambicioso, vagava por aquelas águas, atacando embarcações que se aproximavam das docas. Juntou muitas riquezas em pedras preciosas, ouro e prata, o que despertou a ira da coroa britânica. Em 1632, após um desentendimento com a força naval inglesa, Willie partiu com sua Nau - o "Inferno" - e toda sua tripulação de facínoras numa fuga desesperada pela costa de Astoria. Resistindo ao máximo à perseguição implacável dos ingleses, o pirata percebeu que pereceria ante os canhões destruidores dos representantes da coroa. Desta forma, refugiou-se numa enseada que se ergueu imponente na rota náutica do Oregon, armando campana numa caverna gigantesca. Os ingleses, de longe, viram a manobra covarde de Willie e bombardearam a formação que compunha a caverna, aprisionando-os na costa, numa prisão de pedra com seu barco. Enquanto tentaram por anos fugir da sentença marítima a qual foram condenados, os tripulantes construíram túneis e armadilhas para proteger o grande tesouro de Caolho. Mas este acabou enlouquecendo e sucumbiu a uma febre gananciosa, matando todos os seus homens e se pondo à disposição da morte junto aos seus tesouros. Porém, Willie não deve ter sido tão eficiente em sua chacina, já que alguém fugiu e elaborou um mapa...

Se Willie matou todos os cumpinchas, quem fugiu com esse?

E este mapa foi encontrado pelo Professor Irving Walsh (Keith Walker) por acaso, mas este não viu nada além de valor histórico para a peça, e não um caminho de enriquecimento. Durante anos ele contou esta história ao seu sonhador e dislexo filho Mikey (Sean Astin), que era fascinado pelas aventuras de Willie, o Caolho. Morador das Docas Goon, o jovem e seu irmão mais velho Brand (Josh Brolin) fizeram amizade com os vizinhos Clark Devereaux (o "Bocão", interpretado por Corey Feldman), Richard Wang (o "Dado", personificado pelo talentoso Ke Huy Quan) e Lawrence Cohen (o "Gordo", a melhor criança do filme feita por Jeff Cohen), formando "os Goonies", que não era algo de muito mérito na região, já que o apelido é usado para diminui-los (como se fosse o termo "favelado"). Quando o conglomerado Perkins decide comprar as Docas Goon para a construção de um campo de golfe, os Goonies vêem que não só perderão suas casas pelo acionamento imediato e irrevogável de suas hipotecas, como também perderão seus amigos amados. Ciente das histórias de Willie, o Caolho, e descobrindo o mapa e um dobrão espanhol talhado no sótão de sua casa, Mikey ignora o fato de Chester Copperpot - um antigo caçador de tesouros - ter se perdido na busca às jóias do pirata e decide recolher tesouro suficiente para que não só a sua casa, mas também a de seus amigos, não sejam compradas para fins tão mesquinhos. Neste momento, os Goonies partem para sua última aventura, recebendo a companhia de Andy Carmichael (Kerry Green) e Stef Steinbrenner (Martha Plimpton).

"Eu nem sou uma Goony! Eu não devia estar passando por isso!"

Mas não apenas de aventura e busca de tesouros é feita a jornada de Mikey e seus amigos. Existe um grupo de antagonistas tão cruéis quanto divertidos: os Fratelli, uma família de bandidos ítalo-americanos formados por Jake e Francis Fratelli (Robert Davi e Joe Pantoliano), comandados pela assustadora Mamma Fratelli (Anne Ramsey). Após uma fuga ao melhor estilo Trapalhões da Cadeia Municipal de Astoria (que praticamente apresenta todos os personagens principais do filme por onde eles passam durante os créditos iniciais), os Fratelli seguem para seu esconderijo: um restaurante de veraneio (fechado durante o período de inverno), onde realizam a manufatura de dinheiro falso e mantêm cativo seu irmão deformado Lotney "Sloth" Fratelli (John Matuszak)- que mais adiante se une aos Goonies devido à sua recente amizade com o Gordo. Os Fratelli carregam ainda dois homicídios de policiais nas costas, além de não medirem esforços para matar as crianças e ficarem com o tesouro de Willie, o Caolho, ao descobrirem pelo rotundo e falastrão amigo dos Goonies a fantástica história de Mikey.

"Você vai nos contar tudinho, garoto."/"Tudinho?"/"Tudinho!"/"Tá bom..."

Além das ameaças e da motivação das crianças, o que determina "Os Goonies" como uma aventura icônica são as armadilhas e percalços pelos quais o grupo passa ao longo da jornada: desde a descoberta do caminho para o covil de Willie através do braseiro do restaurante dos Fratelli, passando pela descoberta do cadáver de Chester Copperpot (morto desde 1935) com quem encontram o amuleto da Caveira, chegando ao poço dos desejos, atravessando a roda do despenhadeiro espinhoso, até chegar à Caverna da Caveira, onde chegam à travessia do tronco liso e o Órgão dos Ossos. O mapa é sempre o companheiro de aventuras a ser traduzido por Bocão e interpretado por Mikey. É muito interessante como cada personagem recebe uma importância ímpar com as habilidades mais ínfimas de uma pessoa comum: conhecimento de linguística, força, perspicácia, dedução, música,... Nada é desperdiçado nesta campanha pelo tesouro. Até que, no fim, os Goonies chegam ao seu objetivo e Mikey tem seu encontro com Willie, o Caolho. Porém, os Fratelli os encontram e põe praticamente tudo a perder. Ou não, já que o que é desprezado tende a fazer a diferença. E os Walsh agradecem isto até hoje. Foi assim que Willie, o Caolho, deixou de ser uma lenda.

"Não mexa na parte de Willie, o Caolho. Peguem tudo, menos o que é dele..."

Onde e Como Ambientar?

- Fantasia Medieval: Existe um mundo fantástico onde todas as criaturas possuem uma contraparte: os moralistas Elfos são antagonizados pelos corruptos Orcs; os firmes Anões são contrapostos pelos ardilosos Trogloditas; os plácidos Halflings encontram seu reflexo deturpado nos covardes Goblins; e os bravos Humanos degladiam com os monstruosos Ogros pela soberania. A vantagem que o lado malévolo leva em relação aos benevolentes é que eles conseguem armar alianças de mútuas sem que o ego das raças coloquem a união em risco, enquanto anões não se dão bem com elfos, que juntos menosprezam os humanos, enquanto os halflings se mantêm alheios a qualquer decisão bélica ou política. E esta "Armada Negra" está se tornando cada vez mais forte, se espalhando como um câncer por todos os reinos. Cidades-Estado já caíram perante a crueldade dos monstros e, enquanto os humanos, anões e elfos zelam por suas terras, os hobbits não possuem quem lute pelas deles. Sem ter para onde correr, quatro halflings se unem para buscar um antigo artefato no covil subterrâneo de um dragão negro: a Varinha de Beladonna, uma antiga fada. Reza a lenda que aquele que risca uma linha no chão, fechando um ciclo, mantém o que está na parte de dentro do elo próspero e livre das mazelas do mundo. Ao longo desta jornada, os halflings salvam um elfo obeso que foi deixado para trás na fuga de seu povo; uma anã sentimental que chora a morte de sua família; e um humano covarde abandonado numa carroça de masmorra. Com um grupo que em nada auxilia o dinamismo desta equipe, a história expõe que o maior herói não é o que está melhor armado e/ou treinado, mas, sim, o que está melhor motivado.

A Comitiva Caída: o verdadeiro herói se revela no desafio que aceita e naqueles que o apoiam.

- Revolução Francesa: Versalhes, 1789. O Orfanato Belle Enfant é a última morada dos que perderam os pais ao longo deste embate sangrento que varreu a antiga Gália. Mas este bastião encontra-se sob grande ameaça: a coroa exige que o imóvel seja entregue para a nobreza e se torne um quartel-general contra a revolução. Para tanto, acionam títulos em débito com Vossa Majestade para expulsar a proprietária - Madame Genevieve - de seu amado orfanato e, dizem, transformar os órfãos como mão de obra nas minas. Inconformados com isto, dois membros da revolução voltam ao antigo lar que os acolheu durante anos e convocam os internos mais velhos da casa jurando-lhes que existe uma forma de se conseguir a preservação de Belle Enfant: um documento que mostra que o rei Luís XVI de Bourbon era, na verdade, um ex-interno do orfanato, portanto, não "digno" de vestir a coroa da França. Com este papel em mãos, a chantagem para a proteção do Lar de Madame Genevieve se tornaria mais forte. O porém é que o mesmo se encontrava perdido entre as vastas prateleiras da biblioteca do Palácio de Versalhes, o local mais protegido de toda a França. Existe um antigo mapa que traça um caminho secreto pelos subterrâneos. Inversamente proporcional a quantidade de soldados sob o solo é a demanda de armadilhas mortais ao longo da travessia. E as coisas só tendem a piorar quando um recalcado interno aciona a coroa francesa a respeito da jornada dos órfãos, exigindo um título de nobreza.


O Orfanato de Madame Genevieve: "onde você entra sendo ninguém e sai fazendo a diferença"

- Futuro Cyberpunk: Berlim, Alemanha. Não há melhor amigo para seu filho pequeno do que o andróide doméstico Adam/Eve: pode ser programado não apenas como a companhia perfeita e incorruptível de sua cria, mas também como mecanismo de monitoramento dos passos de seu pequeno infante. Este dispositivo - que emula a aparência humana (tanto de um menino quanto de uma garotinha) - dispõe de atualizações anuais, à disposição de seus proprietários. Adam/Eve entra em modo de hibernação quando a criança que acompanha chega à idade de 12 anos e só retorna à atividade quando o código de um novo monitorado é inserido em seu sistema. O problema é que, após tantos anos de atividade, os primeiros hardwares completos - modelo inteiriço - de Adam/Eve entrarão em desuso, considerados obsoletos e novas atualizações e peças não estarão mais disponíveis no mercado. Desta forma, todas as unidades devem ser devolvidas para reaproveitamento de peças ou descarte adequado. O porém, com o qual os desenvolvedores da máquina não contavam, é que a Lei da Robótica entra em ação e os robôs iniciam uma jornada para garantir a sua própria existência. Corre o boato de que existe uma área ao sul da Polônia, chamado Éden, onde os modelos antigos de Adam/Eve podem "viver" em paz, longe da ameaça do descarte compulsório. Nesta jornada até o Éden, alguns destes robôs - de aparência infantil, tão frágeis quanto uma criança - devem não apenas garantir sua integridade - já que peças de reposição não existem mais - como também despistar o Comando Cobra: tropa de elite que caça robôs para destruição.

Expedição para o Éden: Essas crianças são mais do que os olhos podem ver.

A proposta deste "FILME NA MESA!" foi sugerir aventuras com personagens mais frágeis, que muitos rechaçam por quererem simplesmente o mais forte, ágil ou habilidoso. Mas lembre-se: para uma criatura medíocre, não há desafios que sejam descartáveis. Todos são aventuras dignas de conferir glória e honra, por mais irrisória que venha a parecer para um grande guerreiro ou magnífico mago. Encare o desafio de ser normal ou até inferior. Três ideias, três períodos, três vertentes, várias possibilidades! Não se limite apenas ao filme ou às nossas sugestões! RPG é criatividade, um filme onde você é roteirista e diretor. Conduza os seus players, seus atores! Pegue seus dados, monte as fichas e boa diversão! Visite meu blog para acompanhar outras colunas que escrevo! Aguardo sua visita no Corra O Risco! Obrigado!

 V.H. Mota

2 Blá blá blá!:

Dragões do sol Negro disse...

Sem comentários! Show de Bola achei simplesmente fantástico! São ótimas idéias para aventuras. Inclusive já imaginei uma dessas para o cenário de Nonsen. heheheheh

Vitor Hugo Mota disse...

Então, pode começar a esquematizar a aventura!

Obrigado!

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