segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

FILME NA MESA! #006

“A vida é como um relógio folheado a ouro, bem vagabundo: finge ser uma coisa que não é, só serve para passar o tempo e, quando pára de funcionar, ninguém se importa com o seu trabalho, mas, sim, que parou de marcar as horas”. Não são palavras minhas – V.H. Mota, de volta e sempre recomendando a leitura dos outros posts desta coluna (pode vê-los AQUI) – mas de Howard Payne, personagem de Dennis Hopper na obra usada como base de hoje do FILME NA MESA. Estamos falando de “Velocidade Máxima”, de Jan de Bont. Protagonizado pelo astro Keanu Reeves e pela (então namoradinha da América) Sandra Bullock, este filme de 1994 arrecadou milhões em bilheteria e se tornou uma tendência na primeira metade da década de 90. Uma curiosidade: este filme foi escrito para ser o segundo filme da franquia “Duro de Matar”, mas os produtores preferiram manter o estilo que transformou o primeiro filme de John McLane (Bruce Willis) num blockbuster. Mas é interessante como a vida prega suas peças: “Duro de Matar 2” não apenas fracassou em relação ao primeiro filme, como também impeliu a franquia a seguir os passos de “Velocidade Máxima” em 1995. Como eu disse, o filme de Jan de Bont gerou a tendência. Então, suba neste ônibus e embarque nesta explosiva aventura:

Velocidade Máxima ("Speed" - 1994)

Trailer: "Pop Quiz - What you do?" 

Um ex-policial aposentado por invalidez (perdeu o polegar esquerdo num acidente de trabalho) se sente injustiçado pelo Governo e exige que o valor de sua indenização seja pago com juros e correção, somando um total de U$3,7 milhões. Como pelas vias legais não foi possível, Howard Payne (Hopper) espera 2 anos para fazer uma proposta irrecusável ao Estado: ou pagam este valor ou um elevador repleto de passageiros inocentes terá seus freios de emergência destruídos, levando-os à uma morte impactante com o poço do prédio comercial usado como cenário da chantagem. Sem que ninguém saiba que se trata de um ex-colega de ofício, Jack Traven (Reeves) e Harry Temple (Jeff Daniels, até que bem no papel) são destacados pelo Tentente Herb McMahon (Joe Morton) para resgatar os passageiros. Após o árduo cumprimento da missão, Jack e Harry ligam os pontos e descobrem que o terrorista estava no prédio, mais especificamente no elevador de serviço, que não fora checado. Após conflito com o criminoso, Jack e seu amigo baleado – pelo próprio Jack, numa manobra de evasão – assistem a explosão do mesmo no estacionamento. Os dois policiais são condecorados pelo cumprimento da missão onde apenas o bandido encontrou a morte.

 "Teste Surpresa: maníaco com bomba suficiente para fazer um buraco na Terra segura refém. O que você faz?"

Mas Howard Payne não morreu. Estava vivo... e furioso por seu plano ter sido frustrado por aquela dupla. Mas seu novo plano não só é uma garantia de aposentadoria, como também uma vingança contra Traven e Temple: se até às 11:00 AM os 3,7 milhões de verdinhas não estiverem no ponto de coleta marcado, o ônibus interestadual 2525 irá pelos ares por causa de um bocado de explosivo plástico plantado no veículo “capaz de abrir um buraco no planeta” (palavras de Jack Traven - WoW...). Para provar seu ponto, Payne explodiu o ônibus dirigido por Bob (John Capodice), um amigo de longa data de Traven, às 08:05 AM. Ele não está brincando.

"Você acha mesmo que vou te dizer em que ônibus plantei a bomba, Jack?"/"Acho!"

Sem Harry para ajudá-lo em campo na missão (se recuperando do tiro na perna que levou há alguns dias quando detiveram Howard Payne), Jack deve entrar no ônibus e seguir as regras do terrorista, enquanto tenta achar um modo de frustrar seus planos. As normas de Payne são:

1. Se o ônibus atingir 50 milhas/hora, a bomba será acionada;
2. Se o ônibus, depois de ativar o mecanismo da bomba, trafegar a menos de 50 milhas/hora, explodirá;
3. Se o dinheiro não for entregue no ponto de encontro até às 11:00 AM, o ônibus explodirá;
4. Nenhum passageiro pode sair. Apenas Jack está autorizado a entrar.

Depois de informar o motorista Sam (Hawthorne James, que estava muito parecido com a Edinanci - aquela judoca Meio-Orc brasileira) sobre o inconveniente a bordo, Jack passa por percalços iniciais que desmotivariam qualquer um: como o ônibus já ativara o mecanismo da bomba, Jack quase beijou o asfalto para ir a bordo.

"Na moral, na moral, parceiro! Libera essa! Esqueci o passe! Ah, é? Beleza! Tem uma bomba no ônibus!"

Na sequência, um meliante a bordo achou que o policial havia entrado para detê-lo e, por acidente, alveja o motorista. Annie (Bullock), uma descolada passageira, assume o volante e se torna a motorista da bomba-relógio.

 "Mantenha a velocidade acima de 50... ou a gente explode!"

O que se segue a partir daí é contratempo ruim atrás de contratempo pior: via expressa engarrafada, que leva Annie a dirigir por dentro de áreas populosas e a atropelar um carrinho de bebê... cheio de latas vazias (cena que leva o pânico a qualquer pessoa); o retorno para uma via expressa inutilizada, que garantirá um bom tempo de rodagem sem problemas de percurso. Mas primeiro, deveria fazer uma curva fechada sem reduzir a velocidade; chegando na auto-estrada e depois de um acordo por telefone com Payne, Traven consegue a permissão para retirada do motorista baleado, mas apenas ele. Ao ver que Hellen (Beth Grant, interpretando uma passageira oportunista) tenta escapar junto com Sam, Howard explode o degrau do ônibus, levando a senhora aos pneus do veículo, o que contabiliza o primeiro óbito;

Caloteiros de ônibus poderiam ter sempre esse fim...

O Tentente McMahon dá uma péssima notícia a Jack: a via expressa vazia está incompleta – um trecho elevado com cerca de 100 metros de distância – e a queda é inevitável e o retorno é impossível. Acelerando ao máximo, Annie consegue saltar o ônibus pelo hiato rodoviário (Hollywood, gente. Suspensão de descrença...) e dar sobrevida ao grupo;

 Eu já tentei resolver esses cálculos e só tenho uma resposta: É UM FILME!

Num movimento astuto, Jack orienta Annie a entrar no aeroporto, já que, além de pista ampla para rodar sem preocupações, o espaço aéreo é restrito, afastando os helicópteros da TV que alimentam a supervisão de Howard. Mas ao fazer isto, os pneus são estourados por barras dentadas no asfalto; Jack negocia sua saída do ônibus com Payne e utiliza-se disto para tentar desarmar a bomba, com uma ajuda telefônica de Harry, mas além de ser um mecanismo articulado, recapagens do pneu acertam o carrinho que Traven usava para se manter embaixo do veículo; para não ser atropelado como Hellen, Jack finca uma chave de fenda no tanque de gasolina por acidente, diminuindo o tempo para resolução do problema;

"Ma-mãe man-dou eu cor-tar es-se daaa... qui..."

Depois de descobrir - por um telefonema de Howard - que Harry foi morto, Traven se descontrola, mas logo enxerga uma chance de salvar os passageiros: identifica uma câmera UHF atrás do espelho da porta, que redireciona imagens ao terrorista. Sincronizando um trecho de imagem de um minuto gravado no interior do ônibus em looping para Payne, Jack consegue retirar todos os passageiros do ônibus e ele explode depois de perder o controle; Howard fica possesso ao ter mais uma vez seu plano genial dissolvido por Jack Traven e arma a vingança mais desleal possível. Mas isso já não envolve um ônibus com bomba, mas, sim, uma mulher...


"Aí, Payne! Manda dois 'joinhas' aí!"/"Jack, seu desgraçado!"

Onde e Como Ambientar?

- Fantasia Medieval: existe um reino que detém a Masmorra dos sonhos de qualquer condenado. Não pelos tesouros que ela guarda, mas pela piedade que ela proporciona. Dificilmente alguém encontra a morte naquelas celas, mas, sim, redenção. Tudo isto graças à boa influência do chefe de segurança do local, a Paladina Lazarin. Diferente de todo Paladino, que aceita a missão de extirpar o mal como seu propósito de vida, Lazarin opta por resgatar o bem dentro de cada detento, que a vêem como um anjo guerreiro. E esta política tem não só trazendo prejuízos de pessoal para o Mago Trevisan, como também tem aumentado a frente de batalha do lado aliado. Numa última manobra desesperada por poder, o arcano lança um feitiço sobre as Masmorras e faz a sua oferta: se um pergaminho ancestral que está em poder do Rei não for entregue antes do amanhecer, a Masmorra arderá em chamas negras ao primeiro raio de sol e queimará todos aqueles que traíram o Mago. O monarca do reino toma uma decisão que revolta Lazarin: se este pergaminho cair nas mãos de Trevisan, um mal inominável assolará o mundo, então, é preferível que os detentos – criminosos que não estão lá sem motivo – morram ao invés de um planeta inteiro. Um campo de força impede que qualquer pessoa saia do local, mas não impede que qualquer coisa entre. Decidida a resgatar aquelas almas, Lazarin empunha sua Vingadora Sagrada e adentra as Masmorras. O problema é que não há apenas almas a serem resgatadas naquele local: além de ter de contar com apenas uma noite para salvar centenas de vidas, a Paladina deve enfrentar o rancor daqueles que não estão felizes por estarem presos.
"A voz deste povo é a voz de Deus. E eu devo atender o chamado!"

- Era Moderna (início do século 20): Revolução Russa, 1917. A expansão do ocidente em direção ao Pacífico traz progresso à região e integração dos povos, aumentando, principalmente, o fluxo comercial entre as regiões. Mas nem todos estão felizes em ver seus velhos costumes e cultura serem influenciados – para não dizer “maculados” – pelos impuros do oeste. Grupos de mongóis e chineses desaprovam suas vastas planícies e florestas verdejantes sendo desbravadas por estes interesseiros. Deixando de lado suas diferenças pelo "bem" da Ásia maior, estes companheiros insólitos se unem num grupo chamado Resistência Amarela e decidem dar um basta à esta ferrovia aprovada pelo Czar russo Nicolau II: ou eles dão meia volta em seus planos, ou um trecho suspenso enorme da linha férrea será demolido e apenas quando o comboio locomotivo chegar é que as notícias se espalharão. Infelizmente, esta ameaça não chegou a tempo de impedir a partida da composição Железный дракон (Dragão de Ferro), que já se encontra próximo à parada Ulan Ude, na Mongólia. Agora, médicos, comerciantes, militares, políticos e operários que estão a bordo do trem e avistaram com alguns quilômetros de distância o trecho sabotado devem lidar com três problemas: 1) alguém na última parada estava ciente da ameaça e, representando os interesses da Resistência Amarela, não só rompeu os cabos de frenagem e pastilhas de redução da locomotiva como abasteceu o vagão de lenha com madeira embebida num composto concentrado do oriente, que fazia a fornalha arder como o próprio Inferno. Ou seja, não havia como diminuir a velocidade e, muito menos, parar o veículo; 2) ninguém possui conhecimento de engenharia ferroviária para conduzir o veículo de forma apropriada depois que o maquinista teve um ataque cardíaco; 3) Eles são russos, cuja morte, por definição da natureza eslava, de um seria uma tragédia, mas a de muitos, apenas estatística. Ninguém viria salvá-los. Cabe a este grupo não só salvar suas próprias vidas, mas se manterem vivos depois de se salvarem.

"Lemmings para o despenhadeiro? Aqui, não, Stalin!"

- Cyberpunk: num futuro onde a vida inteligente fora da Terra não só é um fato, como também algo integrado ao dia a dia da humanidade, um evento solene será realizado no nosso planeta para formalizar a Aliança Alienígena, onde o livre acesso entre viajantes galácticos a outros planetas da Confederação será oficializado. Um grupo de para-militares que se denominam "Abaixo a Babel", insatisfeitos com esta abertura aos extra-terrestres, levanta recursos para chantagear um ex-colega de farda que é responsável pela segurança dos chefes de "Estado" de mais de 15 planetas da Confederação: aniquile um a um os representantes alienígenas a bordo da comitiva sideral ou, em resposta, ogivas nucleares serão detonadas no núcleo dos planetas destes figurões do espaço. Os rádios estão grampeados, então acionar a base terrestre quanto ao problema não é uma opção saudável; os outros guardas sob seu comando, na verdade, respondem a este grupo hostil. Apenas a tripulação da nave é que não responde aos interesses destes terroristas apocalípticos. Pilotos, taifeiros, "cosmissários" de bordo e um pequeno corpo médico são seus únicos aliados, além dos arrogantes representantes alienígenas. Em quem realmente é possível confiar? Será que até mesmo um destes chefes de Estado não estão por trás desta ameaça? Afinal, quem conhece a espécie humana sabe que não são confiáveis. Quanto vale o sacríficio?

"Por uma bandeira Universal, quanto sangue deve ser derramado?"

Note quer os plots para as histórias sugeridas são muito simples, sem muitas reviravoltas. Afinal, "Velocidade Máxima" é um filme maniqueísta, com bem e mal muito bem definidos, sem muitos riscos. Mas nem por isso não rende emoções fortes. Por que não fazer jogos tão simples quanto e correr o risco deles te divertirem mais do que tramas intrincadas? Três ideias, três períodos, três vertentes, várias possibilidades! Não se limite apenas ao filme ou às nossas sugestões! RPG é criatividade, um filme onde você é roteirista e diretor. Conduza os seus players, seus atores! Pegue seus dados, monte as fichas e boa diversão! Visite meu blog para acompanhar outras colunas que escrevo! Aguardo sua visita no Corra O Risco! Obrigado!


V.H. Mota

2 Blá blá blá!:

Monge da Dungeon disse...

Idéias Boas para um "One Shot" ou parte integrante de uma campanha mais longa!

Essas aventuras do tipo: "por tempo" as vezes fica legal quando se coloca um tempo "correndo" na vida real ou algo que os jogadores possam tomar como referência do tipo: O fim se aproxima se...

Flws

Vitor Hugo Mota disse...

Você está certíssimo. O senso de urgência faz com que as ações tenham mais valor, mais repercussão.

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