segunda-feira, 14 de maio de 2012

CINCO DIAS DE GUERRA - PARTE 3


"Hoje, titio Jacó Galtran nos traz a continuação da saga "Cinco dias de guerra".

Espero que apreciem e comentem. PARTE 1 - PARTE 2

CINCO DIAS DE GUERRA - PARTE 3


"Chegava ao fim o terceiro dia de guerra.


***


O quarto dia de guerra começou ainda durante a madrugada. Um gigantesco destacamento de soldados, a mais poderosa força de ataque ainda não utilizada, iniciou marcha em direção às regiões fronteiriças. Todos perfilados, trajando impecáveis armaduras reluzentes, empunhando lanças, alabardas e maças. Avançavam garbosos, levando consigo flâmulas imensas com o brasão do reino Khurin – a coroa dourada rodeada de chamas. Os gritos de guerra típicos de um exército em movimento foram substituídos por marchas militares e hinos tradicionais do reino. Procedimentos arcaicos, há muito em desuso, estavam sendo adotados novamente.
Por um motivo muito simples. Quem capitaneava aquela operação era ninguém menos que o herdeiro do trono de Khurin.


O príncipe Mardher.


***


O sol não tardou a vir saudar Sua Alteza e seus comandados com seus cálidos raios matutinos. A imensa legião aproximava-se rapidamente da área do confronto e logo foi recebida pelos que lá já estavam. Generais vociferaram cânticos de guerra, soldados proferiram impropérios contra os inimigos e todos se reuniram para uma breve oração a Arkiron, o deus da guerra. 
O príncipe recebeu detalhes dos mais recentes acontecimentos do confronto e sorriu satisfeito. Passou revistando todos os membros restantes da cavalaria, os arqueiros e os soldados que batalhavam corpo-a-corpo. Sua Alteza cumprimentou os capitães, lamentou as vidas perdidas e ordenou que sacrificassem os cavalos que manquitolavam, para poupá-los de mais sofrimento. Discursou brevemente sobre a glória do reino Khurin, a inevitabilidade da vitória e sobre o quanto recompensaria seus soldados com terras, ouro e mulheres. 
Já era manhã e todos aguardavam a chegada das tropas inimigas. Esperavam que uma bandeira branca fosse hasteada, ou que um mensageiro chegasse cabisbaixo trazendo uma carta de rendição. Quem sabe os próprios generais de Daarag não viessem implorar por clemência. 
As horas foram passando lentamente e nenhum soldado daaraguiano apareceu. Então as tropas de Khurin viram, ao longe, um possível mensageiro portando arco e flecha. Ele retesou a corda e efetuou um disparo. Fraco o bastante para não atingir ninguém, mas forte o bastante para fazer chegar aos pés do príncipe a flecha com uma carta atravessada a ela. 
Sua Alteza removeu o projétil cravado do chão e retirou o papel ali contido. Seus soldados e generais ficaram com medo de se aproximarem muito para lerem com ele, por isso aguardaram, ansiosos.


“Preferimos morrer a nos rendermos a um lixo como você e seu povo. Querem nossas terras? Venham buscá-las! Querem nossas vidas, nosso sangue? Venham tomá-las!”    


O príncipe Mardher amassou o papel e o atirou no chão com violência. Antes que qualquer um pudesse perguntar qual o conteúdo da mensagem, ele começou a distribuir ordens.


- Homens: quero todos em formação! Vamos atacar sem piedade! Não poupem as vidas que encontrarem! O plano inicial de envenenar o rio deles será ignorado! Vamos matar esses miseráveis com a força de nossas armas! Avançaremos pelo território deles e vamos esmagá-los! Sem oferecer clemência! Sem oferecer rendição! Deixemos que os deuses tenham piedade das almas deles, pois nós não teremos. 


A massa de soldados urrou em resposta, erguendo as armas e iniciando os preparativos para um ataque frontal decisivo. Sua Alteza e os generais reuniram-se brevemente para discutir o posicionamento ideal para o exército. Em poucos minutos, a imensa tropa de Khurin já cruzava as fronteiras, prontos para travar a batalha final.


***


Pouco mais de dois quilômetros foram percorridos já em território daaraguiano, quando o caminho começou a ficar mais estreito. Era como se fosse uma imensa clareira, ladeada por pequenos vales. Não havia espaço para que um contingente de grandes proporções se movimentasse para qualquer lado que não fosse para frente. 
A sensação de que “tinham caído numa armadilha” invadiu a mente do príncipe, que não quis demonstrar fraqueza a seus subordinados e continuou em marcha. O caminhou afunilou ainda mais, até que viram a poucos quilômetros deles o que parecia ser uma movimentação humana bloqueando o caminho. 


- Cautela! Avancemos com prudência, pois não sabemos que artifícios sórdidos serão usados pelos nossos inimigos – bradou Mardher. 


À frente do exército, soldados daaraguianos posicionavam-se. Lado a lado, mãos esquerdas nas lanças, direitas nos escudos. As poucas dezenas de soldados bloquearam totalmente a passagem. Os escudos tocaram o chão e os pequenos espaços entre eles foram fechados. As lanças foram erguidas e sobrepostas aos escudos, com suas pontas prontas a perfurar quem se lançasse contra elas. Atrás daquela linha de defesa, outras três se formaram, seguindo o mesmo rígido padrão de posicionamento.
Aquilo era o melhor que o povo de Daarag tinha para usar como força de defesa. Uma estratégia de guerra ancestral, mas sempre muito respeitada e extremamente difícil de ser sobrepujada. Uma tática que qualquer soldado ou general experiente pede ao deus da guerra para não ter que enfrentar.


Eram paredes de escudos. 


O quarto dia de guerra já estava na metade e a “vitória inevitável” mencionada no discurso usado para inflamar o ânimo dos soldados parecia ainda distante. Ante o poder de defesa dos inimigos, o príncipe hesitou. Ele e seus generais não esperavam por aquilo. Subestimaram seus adversários. 
Recuar estava fora de cogitação. Seria um violento golpe à honra de todos os guerreiros. Não havia espaço físico para tentar flanquear os inimigos, restando apenas ir adiante. Lançar-se em um ataque suicida contra as paredes de escudos. 


***


O quarto dia de guerra estava chegando ao fim. O exército de Khurin decidiu montar acampamento naquela região. A apenas algumas centenas de metros da formação defensiva inimiga. Para que os daaraguianos pudessem manter as paredes de escudos, não poderiam abandonar o campo de batalha. Teriam que ficar ali, imóveis, vivendo das provisões que tivessem ali com eles. E quando elas acabassem, ou se renderiam, ou teriam que abandonar seus postos, dando ao inimigo a grande chance.
Por isso, o príncipe Mardher ordenou que um insignificante grupo de doze soldados voltasse à Khurin buscar mais provisões, enquanto todo o resto do exército acampava. Seria uma questão de tempo até que Daarag se rendesse.
Entretanto, não foi exatamente isso que aconteceu. Em um dos muitos momentos em que o príncipe caminhava ao redor de seu acampamento, foi surpreendido por uma violenta flecha rasgando seu tórax. Os soldados ao seu redor entraram em desespero, sem saber de onde veio o disparo, quem era o responsável e o que fazer. 
O atirador foi identificado. Era um jovem de longos cabelos ruivos que fazia parte do batalhão dos arqueiros. Alguns minutos de tortura o fizeram confessar que ele era, na verdade, um daaraguiano disfarçado, que há muito se instalara no exército de Khurin para executar este plano. O jovem foi enforcado em seguida. Mas esse não era o maior dos problemas.
Não havia curandeiros no exército. Os sacerdotes do deus da morte não tinham poderes de cura. E mesmo assim, não foi difícil perceber que a flecha que atingiu o príncipe continha um poderoso veneno. Sua Alteza sangrava bastante e se contorcia em espasmos. Os generais se desesperaram, pois sabiam que mesmo uma possível vitória na guerra não os pouparia da ira do Rei, caso o filho dele morresse.
Um grupo de soldados levou, a cavalo, Sua Alteza para um local onde ele tivesse alguma esperança de ser curado. Outro grupo foi levar as notícias ao Rei. E todo o resto das tropas permaneceria acampado, pronta para dizimar os assassinos covardes de Daarag.


Assim terminou o quarto dia de guerra."

Continua... Mais sobre o trabalho do Jacó clicando aqui.

1 Blá blá blá!:

Paulo disse...

Gostei.
Achei que faltou um detalhamento melhor, do combate.

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