segunda-feira, 28 de maio de 2012

CINCO DIAS DE GUERRA - FINAL




Olá, amigos. Hoje, Jacó Galtran traz a conclusão da saga "Cinco dias de guerra". Espero que apreciem e comentem.

Parte 1 - Parte 2 - Parte 3


CINCO DIAS DE GUERRA - FINAL 


"Madrugada do quinto dia. 


Mônica tinha pernoitado no Templo. No último dia, diminuíram muito as notícias de feridos na guerra, o que a deixou bastante animada. Poucas pessoas feridas tinham chegado à enfermaria e o que elas tinham não era grave. Todas foram curadas com ervas, ungüentos e oração fervorosa de outras sacerdotisas. 
Faltavam horas ainda para que amanhecesse, mas Mônica acordou e levantou-se para beber água. Cruzou os corredores que separavam seu aposento do refeitório e encheu um pequeno copo. Ao voltar, percebeu que não tinha mais sono e dirigiu-se à capela, para orar um pouco. 
De repente, reparou que acabou adormecendo ali mesmo. Acordou com uma balbúrdia e um grande número de pessoas falando alto. Mônica se recompôs, empertigou-se e foi ver o que estava acontecendo. 
Na porta da enfermaria, soldados armados cercavam alguém que parecia estar chorando copiosamente. Próximas a eles, velhas sacerdotisas protestavam.


- Não é necessário tantos homens armados. Ninguém aqui pretende fazer mal ao Rei.


Era a guarda pessoal do Rei. Sua Majestade chorava, olhando para o quarto. Quando todos viram Mônica se aproximando, duas sacerdotisas correram em direção a ela.


- Que bom que você acordou, minha flor. Precisamos muito do poder de sua fé agora. 


A aglomeração ao redor da porta da enfermaria se desfez e Mônica pôde, então, entrar. Lá chegando, viu o Rei chorando, ajoelhado ao lado da cama onde se encontrava desacordado seu filho, o príncipe Mardher. 


- Sua Alteza Real, o príncipe, foi ferido e atingido por um veneno terrível na última noite – disse uma das sacerdotisas – Você é a única esperança de salvá-lo, Mônica.  


O Rei levantou-se. Seu semblante lembrava o de uma criança após chorar horas por ter sido proibida por seus pais de brincar. O rosto estava vermelho, a respiração ofegante e ele soluçava, sem controle. Enxugou os olhos com as costas das mãos e aproximou-se lentamente de Mônica. 


- Por favor, salve o meu filho – ele disse.


Ela continuou olhando firmemente para Sua Majestade, sem nada dizer.


- Posso lhe oferecer ouro. Riquezas, terras. Um título de nobreza – o Rei continuou – Posso fazer qualquer coisa que me pedir, mas, pelo amor de todos os deuses, salve o meu filho.


Ele voltou a chorar descontroladamente. Quando se acalmou, voltou a olhar para ela.


- Pode parar com a guerra? Pode fazer a paz voltar a reinar? – Mônica perguntou.
- O que me pede é absurdo, sacerdotisa. Nunca estivemos tão perto de expandir nosso território. Inclusive, posso lhe dar parte das terras que vamos conquistar. Posso torná-la rainha. Se quiser, posso coroá-la rainha de todo o reino de Daarag. Apenas peço que cure meu filho.
- Não estou interessada em nada disso – Mônica respondeu, severa – Se me prometer que a guerra vai acabar ao amanhecer, curarei seu filho. Do contrário...


Os soldados do Rei, que se encontravam aglomerado na porta do quarto se enfureceram e avançaram contra Mônica. 


- Como ousa questionar as ordens do Rei – um deles vociferou – Obedeça!


Sua Majestade fez um sinal com a mão, detendo seus servos. 


- Não ouse erguer armas no santuário da deusa da paz, soldado – Mônica gritou – E quanto a seu filho, só vou curá-lo se você prometer que a paz reinará ainda neste amanhecer. Não precisamos de mais territórios. Precisamos apenas de paz.


Naquele momento, o príncipe mexeu-se na cama e cuspiu uma golfada de sangue. O vermelho apoderou-se dos lençóis. Ele teve mais dois espasmos e o Rei voltou a chorar. Aproximou-se de Mônica ainda mais.


- Farei o que me pediu. Antes do amanhecer, enviaremos emissários ao reino de Daarag com uma mensagem de paz. Mas eu lhe imploro: não perca mais tempo! Salve meu filho.


Mônica sorriu e caminhou em direção à cama. Segurou com força às mãos do príncipe e orou. Todas as enfermeiras, sacerdotisas e soldados foram lentamente entrando no quarto. Aglomeraram-se ao redor do Rei e contemplaram o poder daquela fé. Mônica inclinou-se e beijou a testa do príncipe Mardher. Quando seus lábios se afastaram, um brilho azulado envolveu o corpo de Sua Alteza. Por alguns segundos, todos observaram, boquiabertos, a cicatriz no peito se fechar, os espasmos e o suor frio pararem. 


- Obrigado por me salvar – o príncipe disse, ao abrir vagarosamente os olhos.


Mônica levantou-se. Disse a ele e aos demais aquilo que sentia que precisava ser dito.


- Quem o salvou foi o poder de Layse, a deusa da paz. Qualquer deus pode promover a destruição. Qualquer deus pode promover a morte. Mas só a deusa da paz pode promover a cura, a vida e a renovação da esperança. A paz é maior que a guerra. A vida é maior que a morte. Quando a ambição e a sede de sangue surgirem, lembrem-se do que viram e ouviram aqui. 


Mônica dirigiu-se até a porta e saiu. Os gritos de “muito obrigado” dirigidos a ela não foram ouvidos. 


***


O Rei, o príncipe e os soldados marcharam em direção ao campo de batalha. Mônica e as demais sacerdotisas nunca souberam dos detalhes, mas, no fim daquela manhã, um tratado de paz foi assinado entre os dois reinos. 
Muitas vidas haviam se perdido e nada as traria de volta. Mas a Mônica e Layse puderam sorrir satisfeitas com o fim dos confrontos. 


Enquanto houve ambição, a guerra durou cinco dias.


Enquanto Mônica vivesse, a paz duraria para sempre."
       
Essa não continua mais.

2 Blá blá blá!:

Astreya disse...

Ufa, tirei o atraso e li tudo! Linda história!! Gostei da Mônica. Jaco mandando bem como sempre!

Dragões do sol Negro disse...

hahahah bom d+ esse menino né hauhaua

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