terça-feira, 6 de março de 2012

Sombras Efírias: Sem Destinatário




Este é um conto introdutório ao cenário Sombras Efírias, o Cenário Dark Fantasy que eu usei por alguns anos em minha campanha.

Sem Destinatário


Para Ilías Nictus, Cidade de Herví, Ronam.

Caro Irmão:

Estamos quase no fim deste tormento.

Eu sei... Como irmão mais velho deveria dar o exemplo. Devo se uma vergonha para nossos antepassados por ter medo diante do inimigo.

Mas você não teve que enfrentar o que eu enfrentei, irmão...  Os deuses foram sábios em permitir que você perdesse a perna e se afastasse do nosso regimento: pelo menos por agora seus olhos foram poupados de algo muito pior do que uma guerra.

Faltava só um forte para que esmagássemos a força dos cinzentos, quando na noite anterior tudo aconteceu...

Estávamos festejando nós, os vársavos e os Homens Dragão de Cataj. Os Catajanos são guerreiros valorosos a despeito das nossas diferenças: tenho que admitir que lutam quase tão bem quanto nós e alguns tem uma presença de espírito impressionante. Eu ate fiz amizade com Zoar, lembra dele? Aquele eu tinha escamas negras: bebe quase um barril de cerveja e ainda consegue lutar perfeitamente bem o desgraçado.

É engraçado como a guerra uniu nossos povos.

Bom, era umas nove horas da noite, mais ou menos, quando o Sargento chamou-nos e discursou sobre nossa vitória praticamente certa. Os Zuratis estavam acuados na última fortaleza: eles só tinham duas escolhas: voltar pra Fergana com o rabo entre as pernas ou servir de alvos para nossas lanças.

Estávamos na festa, numa mesa perto do bosque, Eu, Zoar e Jovan - um camarada nosso que conhecemos - Apesar da nossa festança estar muito boa sentia que aquela noite estava muito diferente. Abafada... sei lá. Um clima diferente do sul.
Um pouco depois do discurso, Jovan, foi para o mato tirar a “cerveja do joelho”.
Eu e Zoar já meio alto pela bebida conversávamos sobre trivialidades: engraçado que, mesmo sendo de raças diferentes, homem é homem e falar de mulher parece ser um costume nosso e deles! A diferença é que eles não falam de peitos... As “Dragoas” não tem este tipo de coisa, mas no que eram iguais as nossas a gente fazia várias piadas!
Tinha hora que trocávamos a conversa sobre a luta e a filosofia da guerra.

Jovan tava demorando demais pra voltar, mas na nossa conversa estava boa e a cerveja também. Nem demos conta da demora dele, até que, saindo do mato, Jovan veio pendurado pela cabeça na boca de um grande lobo.
Não meu irmão, não falo daqueles que caçávamos para nosso ritual de passagem. A criatura era uma sombra, tão preta e escura que a luz da tocha próxima diminuiu em intensidade... E pelos deuses, deveria ter uns 3 metros ou mais de altura.
Eu já tinha colocado a mão na espada e Zoar, que tinha deixado as armas na barraca, catou uma faca que a gente tava usando para cortar carne. Antes de avançar sobre aquela coisa, ouvimos vários gritos vindos de pontos diferentes do acampamento.

A coisa sacodiu a cabeça rapidamente e separou a cabeça de Jovan que foi arrastada para o estômago da coisa. Seu corpo caiu como um boneco ensanguentado.

Zoar percebeu que a coisa ia se aproximar e arremessou a faca no olho do bixo. A iluminação era pouca e embora tenha acertado em cheio a cabeça da criatura a faca não atingiu o olho.  A coisa não tinha olhos! Deuses! Era apenas um buraco oco! Não tinha orelhas também.
A criatura se enfureceu e avançou sobre Zoar que conseguiu, rolando pelo chão esquivar-se das mandíbulas dela. Aproveitei a distração dela e golpeei-a no flanco, com a espada. Um golpe da pata da criatura me arremessou para o outro lado da mesa e, na queda, “aterrissei” de mal jeito e quebrei a perna. Qual não foi meu desespero ao perceber que o monstro desgraçado havia mordido a cabeça de Zoar, da mesma forma que fez com Jovan...
Pensei que ia perder dois amigos aquela noite, mas Zoar encheu seus pulmões e baforejou dentro da boca da criatura. Você sabe: eles são como os dragões e Zoar soprou ácido garganta a dentro daquela coisa que o soltou e tombou para o lado. Com o ácido de zoar abrindo buracos no pescoço daquela besta tínhamos um problema a menos para nos preocupar.
Zoar veio na minha direção dizendo que ia me levar até Andréas, o alquimista, para ver se suas poções podiam fazer algo pela minha perna. Ele me pôs nos ombros e correu em direção a tenda quando o caos irrompe de vez: um grupo de coisas-sombras, sem rosto, parecendo mortos vivos, e com pontas nos lugares das mãos avança sobre todo o acampamento. Ouvimos as cornetas de guerra tocarem e emudecerem de súbito.
Chegamos na tenda do alquimista. Andréas já estava esperando pelo pior. Zoar me deitou no chão e Andréas derramou sobre minha perna uma poção que o fez melhorar quase instantaneamente. Enquanto Andréas aplicava a poção Zoar ficou olhando para fora da barraca e viu o caos se formar, a tropa estava desorganizada e o sargento, tentava dar brados de ordem enquanto lutava.
Desarmados, ou pelo menos sem armas decentes já que Zoar ainda possui suas garras, tínhamos que nos virar. Por sorte, Andréas possuía algumas poções explosivas, então nós tínhamos alguma vantagem.
Com a perna boa, me levantei, peguei as poções explosivas e dei algumas para Zoar.
Nós começamos a arremessar sobre as criaturas protegendo os feridos que vinham em direção a barraca. Nossas poções conseguiram liberar caminho para os guerreiros e Andréas e seus assistentes começaram a tratar-lhes.
Estranhamente os ferimentos eram sempre no rosto ou na cabeça, mesmo aqueles desarmadurados, não eram atacados nos torsos. Talvez algum necromante possa explicar, mas não tínhamos nenhum no momento e mesmo que tivesse não tínhamos tempo para explicações.
As poções acabaram e um pequeno grupo de coisas-sombra estava correndo na nossa direção. Peguei uma espada de um dos guerreiros e um elmo que Andréas tinha sobre um armário e corri para fora. Zoar pegou o caldeirão vazio de Andréas e colocou na cabeça: “É do tamanho certo” disse ele rindo enquanto avançamos sobre o grupo de sombras:

Eram cinco.

Avancei sobre a que estava mais a frente. Ela tentou perfurar minha cabeça mas só ouvi o tilintar do elmo quando atravessei o torso da coisa-sombra com a espada. Um sangue negro escorria. Pus o pé no peito dela e a empurrei sobre outra. Ambas caíram e as outras três tentaram avançar sobre mim, mas Zoar foi mais rápido, me empurrou para o lado e baforejou ácido sobre as coisas-sombra que começaram a chiar com o corroer dos seus corpos. Zoar passou mal depois dessa segunda baforada e se ajoelhou tossindo e gorfando. Me voltei as coisas sombras, três haviam morrido e avancei sobre as duas que ainda se mantinham em pé. As duas me atacaram e o elmo me protegeu da primeira.
A segunda tentou me atingir na altura do queixo e o golpe resvalou e me atingiu no ombro, em cima da clavícula, dei um urro de dor e um golpe de baixo para cima tentando a certar a que havia me ferido e consegui abrir sua barriga. Ela caiu esperneando.
A que sobrou tombou de súbito, e eu não entendi. Aturdido pela dor mal tinha percebido que havia vindo em nosso socorro os amaldiçoados de Darquari. Suas flechas voavam e zuniam pelo acampamento derrubando as coisas sombra e uma delas havia derrubado a que havia sobrado.
Me voltei para zoar que já estava se recuperando... Perguntei a ele o que houve e ele disse: “me afoguei” Foi engraçado, mas pelo menos ele estava bem.
Com a ajuda dos amaldiçoados as coisas sombras foram reduzidas em número, isso permitiu que nossa tropa se reagrupasse e massacrasse as que sobraram.
Após a batalha e antes da contagem de mortos e feridos, o Sargento Fílipe foi em direção ao que parecia ser o líder dos amaldiçoados. Eu e Zoar estávamos próximos e ouvimos que o amaldiçoado líder chamava-se Darfel e que não iria entrar no acampamento para que o sangue derramado não os tentassem. Sabe como são os sulistas de Darquari? São vampiros... Eu achava que era lenda mas vi com meus próprios olhos.  O sargento agradeceu a ajuda, conversaram mais um pouco, afastados e em voz baixa. Depois os vampiros partiram.

Perdemos ¼ do nosso regimento e muitos estavam feridos.

No dia seguinte a batalha ia se dar de qualquer maneira: já havíamos ido longe demais e não podíamos recuar, embora a moral da maioria não estava lá estas coisas, a certeza da vitória ainda se dava dado que os Zurati, os malditos elfos cinzentos, estavam acuados e em menor número. Andréas e seus aprendizes trataram dos feridos até o amanhecer... Foi engraçado ele tentando retirar o caldeirão apertado da cabeça de Zoar.

Ao que parece os Zurati não tiveram a mesma sorte que nós. Ao cercarmos o forte, vimos que não havia qualquer sinal de resistência. Os portões estavam abertos e um grupo foi designado para revistar o forte. Não havia nada, somente poças de sangue e sinais de batalha...

Bom. A guerra foi vencida meu irmão, mas ainda não acabou: nosso regimento foi designado para auxiliar os amaldiçoados numa guerra com uma tribo de orcs local. Eu sei que eles não são dignos, mas devemos a eles nossas espadas e nossas vidas: é uma questão de honra, mas confesso que tenho medo que aquelas coisas surjam novamente.
É eu sei... medo... Sinto vergonha do que falo meu irmão, mas é mais forte do que eu. Espero que entenda. Não sei porque mas os pesadelos com aquelas coisas sombra estão me atormentando toda noite desde então...

Por enquanto isso é tudo. Terminando de ajudar os Darquari aqui, vamos voltar  em breve. Quero que me aguarde com o seu bom porco assado e muito vinho, vou levar Zoar para se divertir conosco.

De seu irmão: Alastor Nictus

Dia 27 do mês de virgem, Ano de 657


Phílias,o mensageiro, termina de ler a carta.

Pela ética de sua profissão isso lhe é terminantemente proibido: sua função é entregar mensagens e não fazer perguntas ou ousar olhar as correspondências. Phílias é extremamente competente, mas também muito abelhudo e adora ler as cartas mal lacradas que lhe dão.

Esta, no entanto, estava lacrada. Ele não se importou de lê-la porque não havia um destinatário. Phílias chegou um dia depois que a população da cidade de Herví havia sido massacrada. Os corpos eram colocados as pilhas, todos com os rostos perfurados e desfigurados... adultos, crianças, idosos, animais...

Phílias conversa com os guardas e magos enviados pelo Tirano de Ronam, para entender o que aconteceu, até que Fílipe Hervi, o arcanista de uma cidade próxima lhe diz:

- Não precisa se preocupar com estas coisas que massacraram esta cidade.

Ele dá uma breve pausa no falar balançando a cabeça. Olha para Fílias, respira fundo e diz:

- Não há como fugir de qualquer forma...


Rogério "Monge da Dungeon" Freitas Filósofo espancador cuja dungeon é seu templo e que escreve coisas sérias de vez em quando...

6 Blá blá blá!:

Dragões do sol Negro disse...

Num credito esse é sério hauahuah!

lich disse...

nunca será tão legal quanto nonsen

Dragões do sol Negro disse...

Pô se leu é tenso mano...
Completamente diferente de NONSEN, mas muito bom. Eu gostei e aconselho ler é bom mesmo, Dá até medo das criaturas, mas não adiante ter medo afinal...

Rogério"Monge da Dungeon" disse...

Só para deixar claro, gente.

Sombras Efírias é um novo projeto (na verdade é um antigo projeto vindo a público).

Não quer dizer que Nonsen não será continuado. O Projeto "Sombras Efírias" é um "plus" que eu estou fazendo aqui no DSN e não vai substituir Nonsen.

Podem ficar tranquilos. ;D

Dragões do sol Negro disse...

po mas esse é um belo projeto! Nem esse vai ser né!?!

Rogério "Monge da Dungeon" disse...

Nem esse!

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