quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Uma cadeira e um cigarro…


Acendeu seu oitavo cigarro para acompanhar o final do quarto copo de whisky, ao menos era assim que ele tinha calculado.

Apagou o fósforo e puxou um trago forte, iluminou novamente seu quarto escuro, engraçado como a luz fez ele perceber o quanto a madeira das paredes fedia a mofo. A mistura do cheiro da água de seu banho e do colchão  velho o fez cogitar se um dia ele sentiria saudade dos saloons e quartos baratos. Bebeu o resto de whisky e tirou o pensamento da cabeça.

Na porta à sua frente ouviu um barulho, por reflexo sua mão foi até o coldre, risos baixos passaram saltitando. Uma das dançarinas de Can-Can deve ter recebido boas notas hoje. Todas as garotas haviam sido dispensadas para deixar a casa apenas com as dançarinas da capital, muito caras; a noite hoje teria de ser solitária.

Puxou o último trago do seu cigarro, olhou novamente para sua arma e pensou:
“Então Pistoleiro, quanto tempo achou que duraria sua época de matanças? Viajou por tantos mundos decadentes, conseguindo encontrar o pior no coração de cada terra devastada e cada habitante nelas existente. Será que um dia isso vai acabar? Será que um dia encontrará paz? Talvez os braços de uma bela esposa, ter um filho e criá-lo tão bem quanto seu pai o criou?”

Passos na porta interromperam seus pensamentos, a maçaneta girou devagar deixando a fraca luz das velas do corredor entrar, sua posição em relação à luz era a pior que podia encontrar no quarto. Um homem gordo o olhou por alguns segundos, arma firme em punho apontada para ele, sua expressão era de cansaço, alívio e raiva. Ele indaga:

- Me diga porquê.

Antes que pudesse perceber o pistoleiro havia sacado a arma e fazia um arco em sua direção, o gordo atirou por puro reflexo, prendendo a respiração com o susto. Mais tarde lembraria também de uma sensação de mais puro Medo.

O pistoleiro recebeu o tiro em seu peito do lado esquerdo, olhou por um segundo para o gordo e abriu um leve sorriso, o primeiro em décadas. Seus olhos castanho claros permaneceram abertos.

Foi em sua direção, olhou profundamente naqueles olhos mortos, ele podia jurar ver um demônio o olhando de volta, disse apenas “Eso es por mi hija!“, fechou seus olhos e virou-se para ir embora.



Ouviu um baque, olhou pra trás e viu o revólver com cabo de sândalo cair no chão; era posse de um Pistoleiro. Diabos, ele matou um Pistoleiro para fazer justiça, por direito aquele revólver deveria ser seu. A sensação de tê-lo em mãos era muito certa, ao empunhá-lo sabia que daqui pra frente ele deveria carregá-lo pelo resto de sua vida.

Abriu o barril e não encontrou munição, apenas uma nota de cinco pratas.

“Cedido pelo domusdraconis.net

1 Blá blá blá!:

Paulo disse...

Muito bom Parabéns.

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