quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O Diário de um Heroi - Capítulo XI


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 Duas aranhas enormes sobrepujaram facilmente e com grande velocidade um muro alto de uma estrutura que um dia fora um moinho de vento, eram Aranhas-de-Casco, soube assim que coloquei meus olhos sobre elas.
Amigo leitor, já ouvi inúmeras histórias sobre as tão temidas Aranhas-de-Casco, mas nunca tinha visto uma. Verdade que uma vez um caçador encontrou uma dessas aranhas morta e a levou até a cidade: tinha inúmeros olhos sobre a testa, patas compridas e era do tamanho de um cachorro grande, suas costas tinham um casco duro, uma carapaça feita de ossos coberta por um grosso pelo escuro que lhe dava o nome. Diziam que essas aranhas viviam apenas na montanha Parbat e raramente desciam em busca de comida, por isso era tão raro ver uma na floresta Verde-Escuro.
“Para estarem aqui devem estar com fome” pensei enquanto tirava meu arco das costas e preparava uma flecha. Sebastian estava ao meu lado com seu escudo e espada em punhos.
- Tenham cuidado – gritou Taruk agitando seu machado sobre sua cabeça – essas criaturas são incrivelmente rápidas.
Kaer tinha uma flecha preparada em seu arco e o olhar fixo nas aranhas, Taruk estava com seu machado pronto para descer e esmagar aquelas criaturas, mas ambos não se mexiam. Sebastian esperava um primeiro movimento dos curupiras para poder atacar, mas quando percebeu que eles estavam estagnados me olhou confuso e com medo.
As aranhas eram rápidas e em pouquíssimo tempo estavam a pouco mais de vinte passos de distância. A corda do meu arco estava esticada ao máximo e eu tinha as criaturas a uma distância razoável, não tinha porque não disparar, afinal já havia feito disparos mais longos e difíceis que esse.
A flecha cortou o ar com um zunido, tinha muita força e a direção era perfeita, estava certo que minha flecha perfuraria a carne daquela aranha, mas estava enganado.
A flecha atinge sua grossa carapaça ricocheteando para longe. A aranha para por um instante pelo susto, mas logo em seguida continua a correr.
- Temos que tê-las mais perto, as flechas não conseguem furar sua carapaça – disse Kaer sem tirar o foco dos monstros.
Quando as aranhas estavam a uma distância incrivelmente perto Kaer dispara uma flecha certeira, atingindo-a bem no meio da cabeça. A aranha emite um som agudo de dor enquanto recua até cair morta. A outra aranha seguia com incrível velocidade, mas o grande machado de Taruk gira sobre sua cabeça antes de descer pesadamente sobre a carapaça da aranha atravessando-a e partindo-a em dois pedaços de tamanhos diferentes. Um líquido verde e pegajoso pingava do machado de Taruk enquanto ele o tirava das entranhas da aranha.
Não acreditei nas incríveis habilidades desses curupiras, eram precisos, corajosos e fortes, mais do que muitos soldados de Dorem. Na verdade mais do que qualquer soldado de Dorem.
- Pelos deuses! - disse Sebastian – isso foi incrível.
- Realmente, vocês são muito fortes – disse enquanto guardava o arco e me aproximada das aranhas.
- Concordo com você humano, mas ainda não acabou – disse Taruk erguendo mais uma vez seu machado.
De repente inúmeras aranhas saíram de trás de muros ou por debaixo de entulhos, eram muitas, mais do que podia contar. Meu estômago gelou de medo e instintivamente peguei novamente meu arco.
- Dispare na cabeça delas! – disse kaer, seu olhar encontrou o meu por um instante, mas foi o suficiente para saber que ali havia mais do que coragem, havia dúvida, dúvida se realmente conseguiríamos sair daquele lugar com vida.
Posicionei uma flecha e disparei sem pensar muito, naquele momento contava apenas com meus instintos adquiridos por horas e horas de treinos todos os dias na fazenda Ovelha Branca.
A primeira flecha cortou o ar atingindo a carapaça de uma das aranhas sem causar qualquer mal a ela, mas Kaer já havia disparado duas flechas e uma das aranhas estava morta.
Sebastian e Taruk esperavam o momento certo para atacar, Sebastian posicionado com seu escudo de madeira a frente e Taruk com seu enorme machado sendo agarrado por suas fortes mãos.
Outra flecha voou de meu arco atingindo a cabeça de uma das aranhas, não pude ver se ela estava morta já que outras duas aranhas a sobrepujaram.
Mais duas flechas voaram de meu arco acertando outras aranhas, mas Kaer já havia disparo quatro, talvez cinco flechas, seu treinamento e habilidade com arco eram incríveis, muito além de pessoas comuns de Dorem. Algumas aranhas caíram mortas e outras continuaram sua veloz corrida em nossa direção passando por cima de qualquer coisa em seu caminho.
Taruk correu para cima da horda de aranhas em um ataque furioso enquanto gritava e balançava o machado sobre sua cabeça. Sebastian hesitou por um instante, correr para cima de aranhas gigantes não era fácil mesmo para alguém corajoso como ele. Mas não demorou para que Sebastian estivesse atrás de Taruk com seu escudo e espada preparados para o combate.
Taruk agitava seu machado no ar e descia sobre as aranhas, cada golpe de Taruk era mortal e fazia jorrar um líquido verde pegajoso no ar, Sebastian lutava como podia, cortando as patas das aranhas ou batendo com seu escudo. Kaer disparou mais flechas, conseguindo abater mais aranhas. Minhas flechas voavam e acertavam as aranhas, mas poucas delas conseguiam derrubar alguma aranha.
Taruk tentava manter uma distância segura das aranhas sempre golpeando e se afastando com passos pequenos para trás, seu machado era grande e tinha um ótimo alcance, era perfeito para um combate a média distância. Já Sebastian usava seu escudo para se proteger das picadas das aranhas golpeando com sua espada logo em seguida.
Taruk e Sebastian mataram muitas aranhas, eram incontáveis os corpos daqueles monstros que ficaram para trás, Kaer e eu dávamos cobertura acertando aquelas que os combatentes não viam ou ainda estavam longe. Apesar de não ser tão bom quanto o curupira consegui matar algumas aranhas.
Havia sobrado apenas três aranhas, situação fácil para quem enfrentou dúzias delas. Kaer disparou uma flecha certeira na cabeça de uma, a aranha se encolheu até não se mover mais, outra aranha se ergueu sobre suas patas traseiras para atacar Taruk, em pé daquele jeito tinha quase o tamanho de um humano, mas Taruk a cortou com seu machado fazendo espirrar sangue verde a passos de distância e Sebastian se protegeu da picada da outra aranha com seu escudo para logo em seguida atravessar o monstro com sua espada.
Estava acabado, todas as aranhas estavam mortas. Taruk e Sebastian se apoiaram em suas armas, estavam cansados e ofegantes, mas um sorriso de satisfação estava estampado no rosto de ambos.
- Bom trabalho garoto – disse Taruk olhando para Sebastian.
Sebastian não disse nada, apenas esboçou um sorriso entre uma respiração profunda e outra.
O solo das Ruínas de Varlat estava coberto por aranhas-de-casco e seu verde e viscoso sangue. Havia dúzias de aranhas, era inacreditável o que nós tínhamos feito aquilo.
         Mas em meio a corpos de aranhas uma delas ainda mexia uma das patas, pensei que fossem espasmos ou reflexos de depois de morta que alguns animais possuem até que ela se ergueu sobre suas patas traseiras nas costas de Sebastian.
- Sebastian! – gritei assustado.
Instintivamente posicionei uma flecha no arco e disparei conseguindo acertar a parte macia abaixo do tórax da criatura, Sebastian se virou para encarar a aranha, mas o monstro já estava com o ataque preparado. A flecha não fez qualquer efeito no monstro que abraçou Sebastian com todas suas patas.
Kaer saltou sobre a criatura golpeando sua cabeça com a faca que carregava. O curupira desferiu quatro facadas até que a aranha encolhesse suas patas próximas a seu corpo e não fizesse mais nenhum movimento. Estava morta, ele sabia, mas mesmo assim desferiu um último golpe em sua cabeça, talvez pela raiva de ter sido enganado ou pela adrenalina do momento.
- Sebastian – gritei enquanto corria até onde ele estava caído.
- AAhhhh, dói muito.
Sebastian gritava de dor, era possível ver a marca da picada em seu ombro esquerdo, eram dois furos de onde escorriam sangue e um líquido transparente. Kaer se aproxima me empurrando com agressividade para me afastar de Sebastian. Ele analisa o ferimento com cuidado agachado a seu lado.
- Água – ele diz sem tirar os olhos de Sebastian. Eu estava em estado de choque, não sabia o que fazer. – Rápido – dessa vez ele fez questão de me olhar nos olhos para ter certeza que o recado seria entendido.
Peguei o cantil o mais rápido que pude e entreguei a Kaer. Ele jogava a água sobre o ferimento enquanto o limpava com as mãos. Ele usou toda a água do cantil, mas o sangue ainda jorrava.
- Devemos fazer pressão para o sangue parar de escorrer – disse para Kaer.
- Claro que sim, se você quiser matar seu amigo – disse o curupira com pouca paciência.
- O veneno das aranhas-de-casco não é forte, mas se não for tratado matará seu amigo – disse Taruk.
- Ele teve sorte – disse Kaer levantando do chão – a maior parte do veneno não entrou em sua carne, ele terá um dia, talvez dois antes que o veneno passe para todo o corpo e alcance o coração.
- E o que acontecerá quando o veneno chegar ao coração? – perguntei a Kaer já sabendo a resposta.
- Ele morrerá.

0 Blá blá blá!:

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