quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Acordando num mundo novo II - by Mestre Urbano


Olá mais um conto do novo mundo que o Mestre Urbano está utilizando montando. no nosso blog será uma série de contos esse é o segundo, se você perdeu o primeiro confira aqui



Um rojão explodiu no céu estrelado, era o primeiro aviso.



Não passou muito tempo para outro, agora de dois tiros, clarearem a noite.


Vários pontos luminosos como tochas bailavam na floresta há quase quatrocentos metros da torre, onde meu parceiro e eu estávamos. Era uma das quatro torres que protegem a vila murada de Nova São Francisco.  Aquele lugar que era meu mundo nos últimos meses.


João, meu parceiro naquele turno, dizia alguma coisa que eu mal entendia, eu estava com tanto medo que nem se a minha mãe chamasse com um mega-fone eu escutaria.


Dentro da cidade murada também havia medo, mas bem diferente de mim, eles se preparavam para o pior. Homens e mulheres davam adeus aos que ficavam e seguiam para muralha para ajudar. Quem ficava, escondia-se de baixo das camas, em buracos tapados por uma placa de aço, rezando para que os amigos conseguissem segurar os malditos ou, na pior situação, que o sol chegasse antes que o metal sobre a cabeça fosse rasgado e o sangue da veia fosse tomado.

Como eu disse, eles tinham mais medo por lá, pois para aqueles que defendiam a cidade, com sorte a morte seria rápida, pois os dos donos daqueles olhos flamejantes se preocupavam com o rio de sangue dentro da cidade. Éramos descartáveis para aqueles cães do inferno.

                - Eu queria estar dormindo ainda! – Eu disse sem querer.  Seria uma frase qualquer, mas João entendeu bem o que eu quis dizer.

                - Tá louco, homem?! Preferia ficar de banquete pra esses porras?! - ele respirava pesado, era um homem corajoso, que não tremia diante da morte. – Passa o rojão de três tiros, acho que esses cadáveres do inferno vão vir pra cima.

                Realmente ele era corajoso, não sei quantos vampiros estavam na orla da floresta prestes a atacar e ele queria avisar a cidade, salvando um bom número de pessoas, entretanto colocando nossas vidas como primeiro destino daqueles dentuços.

                Desde que eu me alistei para ajudar na proteção da cidade, nunca ocorreu um ataque, uma ou outra ameaça, mas nem no meu turno tinha sido. Por sinal, me alistar foi uma grande estupidez,  o que só fiz para impressionar uma garota que me deixou. Mesmo naquele paraíso onde todos se protegiam e amavam havia espaço para corações partidos.

                - Por Deus, Alex! Eles estão se movendo, eles estão se movendo! – As palavras de João eram seguidas de tiros, ele descarregava balas nos cadáveres que não deviam andar, que vinham querendo o meu sangue. – Usa essa merda de rojão, agora!

                Aquilo era o certo, sem dúvida. A cidade precisava daquela confirmação. Os tiros já deviam ter denunciado, porém isso tinha que ser feito. Quando acendi e apontei, a torre balançou. Alguns vampiros devem ter trepado e estavam chegando. O dois disparos do rojão saíram pela janela, mas outro pegou na quina e atingiu João na perna.

                “- Agora fudeu de vez!” – Meu único pensamento. Sabia que iria morrer, sem lembrar quem eu realmente era, o que acontecia com a maioria dos despertados.

                Tudo isso por causa daquele rio de sangue que a patrulha achou, acharam que foi sorte ter poucos vampiros e salvar tantas vidas. Agora todos iriam morrer. Aquela pequena fortificação, não tinha força para agüentar todos aqueles vampiros. Nenhum bento pra se sacrificar por nós e levar um monte deles junto. Eu queria voltar a dormir e não saber desse mundo que não conheço direito.

                A porta no chão começou a ser esmurrada.

                - Calma, Alex!

“Calma? Meu sangue era gelo e ele pedia calma?!”

                A primeira garra arrebentou a madeira centímetros acima da cabeça de João, que colocou a 45 na direção e deu dois tiros. Um pouco de sangue negro escorreu pelo buraco.

                - A coisa tá feia, não pára de atirar Alex! Vamos levar um monte com a gente. – Eu não tinha dado um único tiro, mas João não percebeu, ele era assim, cheio de bravatas e sem medo. Parecia um herói de cinema. E pior, ele acreditava que eu também podia ser um herói.
                Algumas telhas foram arrancadas, uma mulher de pele branca como leite mostrava os caninos.

 Olhos de uma onça, olhos de uma assassina.
Aqueles cabelos curtos e lisos davam um ar de rebeldia a ela. Tinha uma pinta no lado esquerdo do rosto.

                - Tân... Tânia?! – Aconteceu como todos diziam. Alguma coisa fazia toda a memória retornar como um trem desgovernado. Dormir por quinze anos, se não fosse por alguns documentos que estavam comigo, nem meu nome eu saberia. Agora tudo tinha voltado. Os amigos de infância, colegas de trabalho e parentes. Lembrei de tudo.

Lembrei  como os traí e enganei. Tudo por causa daquela mulher.

            Ela ficou petrificada na minha frente. Possivelmente suas memórias voltaram naquele instante ou ela não acreditava que eu ainda vivia.  

            Não nego, era uma cena surreal. Enquanto João lutava pelas nossas vidas com outros vampiros que tentavam invadir a torre para tomar nosso sangue direto da fonte, eu tinha uma vampira há distância de um beijo. E, sem medo algum, eu entregaria a minha vida a ela.

            Pela visão de João, uma inimiga estava para matar um companheiro, um humano. Ele apontou a arma para ela pronto pra acabar com aquela.
- Hoje não tem jantar pra você! – Ele disse em mais uma bravata.

Tânia devia saber o que ele estava para fazer, mas nem se preocupou, pois sabia o que eu faria.

Se João soubesse que eu faria tudo por ela, talvez não tivesse apontado pra ela. E sim, pra mim.

A coragem que me faltava, surgiu junto com a adrenalina, que só aquela mulher provocava em mim.

Foi tão rápido que João nem viu a 38 disparar. Uma careta de dor, no peito um buraco. Eu já tinha levado um tiro, por causa dela, sei bem como dói. Nós seus últimos batimentos, ele não entendia por que eu apontava uma arma fumegante para ele e porque a vampira, no lugar de morder meu pescoço, me beijava.

Num piscar de olhos ela saltou, atingindo chão com certa leveza. Carregando-me como um bebê. Corria pela mata, para longe dos seus irmãos de sangue.

Nada mais me importava, vilas ou bentos. O destino tinha escolhido o meu lado naquela guerra, quando fez do meu amor uma dependente do sangue humano.

Alex, o mulo.



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Mulo são humanos que aceitaram trabalhar para vampiros, sua principal função é proteger os covis de dia. Em troca tem a proteção contra outros vampiros e a promessa de se tornarem um vampiro.

2 Blá blá blá!:

Igor disse...

lecáu

Mestre Urbano(Lezard Valent) disse...

VLW

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