segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Os quatro reinos - Parte 14

Olá, estimados amigos. Hoje, nosso colega Jacó Galtran nos traz os momentos decisivos de "Os quatro reinos". Espero que apreciem e comentem.

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Os quatro reinos - Parte 14

"Tauros, os dois homens que vestiam preto, três eruditos e dez guerreiros de elite do Rei Gaia. Caminhavam em marcha forçada no limiar das terras ditas civilizadas. Os acidentes naturais, o chão pedregoso e a presença constante dos desprezíveis homens-lagarto faziam com que já pudessem se considerar nas Montanhas Vartorgadaryn. As tribos monstruosas que os atacavam eram fracas, mas serviram para cansá-los ainda mais...



- Em que lugar exatamente vocês imaginam que o artefato possa estar? – Tauros perguntou.
- Acho que procurá-lo será o menor de nossos problemas – um erudito respondeu.
- Não teremos que encontrá-lo. É provável que ele nos encontre – outro complementou, cabisbaixo.
- Como assim? – o ex-general questionou.
- Esse artefato é protegido por um poderoso guardião. Que provavelmente vai sentir nossa presença e se irritar com isso. É quase certo que seremos atacados, a qualquer momento, pelo guardião do artefato.

Tauros ficou com medo de perguntar que tipo de criatura seria esse guardião, mas ao lembrar-se de que o artefato era um dragão, a resposta surgiu clara em sua mente.

Caminharam por longas horas contornando sinuosos vales, escalaram duas montanhas e adentraram cavernas para delas saírem tempos depois sem nada terem encontrado. Em dado momento, o cansaço os subjugou por completo e tiveram que parar. Comeram parte das provisões que trouxeram, beberam toda água que tinham e se deram ao direito de simplesmente descansar por um tempo. Um dos homens de preto sugeriu que comessem o que restava dos suprimentos, pois isso diminuiria o peso a ser carregado. E assim foi feito.
Encontraram uma entrada subterrânea que lembrava uma garganta demoníaca. O frio que percorreu a espinha de todos eles indicava que aquele seria um bom lugar para procurar o artefato. Entraram, armas desembainhadas, caminhando em fila única, os olhos levemente ofuscados pela luz de tochas estranhas fixadas nas paredes. Avançaram com cautela. O túnel que percorriam foi ficando estreito e cada vez menos iluminado. Tauros reparou que os dois que vestiam preto entreolhavam-se vez por outra e pareciam fazer sinais que só eles entendiam.

- Vamos voltar imediatamente – um deles bradou.

Ninguém havia entendido o porquê, mas também não questionaram. Iniciaram o percurso de volta, desta vez correndo. Um dos guerreiros enviados pelo Rei Gaia tropeçou. Tauros parou para ajudá-lo, mas foi detido.

- Não há tempo – o homem trajando preto bradou – Se fizermos isso, morreremos.

Antes que o ex-general pudesse contra-argumentar, o teto foi destruído. Todos sentiram um imenso abalo nas paredes e no chão. Pedaços de rocha e terra os soterraram. Os que tiveram a ousadia de olhar para cima viram, enfim, o que tinha acontecido.

Um dragão de escamas platinadas sobrevoava em círculos a montanha. Estava alto o bastante para que seu semblante não pudesse ser visto, mas ninguém duvidava que estivesse furioso.
Três guerreiros enviados pelo Rei, dois eruditos e um dos homens de preto morreram sob os escombros. Tauros e os demais que tiveram força para se levantarem sangravam e manquitolavam. Trataram de rumar para a saída, onde teriam espaço para se movimentarem melhor. Não haveria tempo para chorar pelos mortos.

O dragão mergulhou em direção aos dez que restaram.

***

Príncipe Gonid e General Milar foram alimentados. Focus queria ter podido lhes dar roupas novas e secas, curar os ferimentos deles e lhes oferecer um lugar confortável para que descansassem. Mas não tinha condições de fazê-lo.

- Os elfos deram a entender que o povo dos quatro reinos corrompeu alguns de seus jovens – Gonid dizia – É provável que sejam esses elfos corrompidos que fornecem magia ao exército dos banidos.
- Não quiseram nos ouvir e nos expulsaram – Milar complementou – Não poderemos contar com a ajuda deles.
- As notícias que eu tenho para lhes dar são ainda piores – era Focus – Os banidos venceram!
- O que? Como assim? – Gonid desesperou-se.
- Eles tomaram as Montanhas Ignis. Mataram meu pai. E Hiago apoderou-se dos quatro símbolos sagrados dos reinos. Catástrofes naturais estão destruindo aos poucos nossas terras. Hiago só irá parar quando todos os monarcas se renderem a ele.
- Isso significa que o desequilíbrio atingiu seu ponto máximo – Marla comentou – Não sei se teremos alguma chance de salvação agora.

Deixaram que o silêncio reinasse. Pedaços pequenos de carne foram distribuídos aos que ceavam ao redor deles. A fogueira improvisada foi apagada. Ânforas com água foram passando de mão em mão até chegarem ao príncipe Gonid.

- O que vocês vêem aqui é uma resistência – Focus conseguiu voltar a sorrir – Reunimos os melhores soldados que achamos. Mais do que guerreiros, seres humanos compromissados com a paz e com a justiça. Pessoas dispostas a lutar sem muita chance de vitória. Gente que prefere morrer lutando pelo que acredita, do que viver nesse inferno que está se tornando nosso mundo.
- Do jeito que você fala, parece estar planejando um ataque suicida – Gonid disse.
- Não. O que acontece é que quero ao meu lado homens dispostos a lutar até a morte. Guerreiros que lutem por uma causa maior que suas próprias vidas. As chances de vitória são pequenas. Por enquanto. Mas é justamente por isso que ainda não atacamos. Quero que esse exército cresça o máximo possível. Então marcharemos até as Montanhas Ignis e retomaremos o reino de meu pai.

Focus emocionou-se. A voz ficou embargada, os olhos encheram-se de água.

- Não é apenas meu pai que precisa ser vingado – ele continuou – O príncipe Ector também foi assassinado.

Desta vez, foi Marla que não conseguiu conter as lágrimas.

- Não sei o que aconteceu com o General Tauros, meu mestre – Focus prosseguiu – Não sei se ainda está vivo ou não. Mas eu gostaria de vingá-lo. Além disso, centenas de pessoas inocentes também estão morrendo.
- Príncipe Focus, não temos muito tempo. Proponho irmos até a capital do reino Solu. Lá, eu posso reunir os melhores soldados do exército e juntá-los a esse exército que você formou. Eles são bem treinados, têm disciplina e amam a justiça – o príncipe Gonid disse.

Focus sorriu. A comida estava cada vez mais próxima do fim. Mas os verdadeiros desafios mal tinham começado.

***

O dragão planava, atacava com as garras, ceifava uma vida e recuava para os céus onde não podia ser atingido. Fez isso seis vezes, assassinando os guerreiros enviados pelo Rei Gaia.
Na sétima investida, matou o último soldado do reino Solu. Na oitava, golpeou mortalmente com sua cauda um erudito. Restavam apenas Tauros e o último dos que vestiam preto. O ex-general já tinha tentado de todas as formas atingir o dragão enquanto esse atacava, mas não conseguia ferí-lo por mais que o golpeasse.
Veio uma nova investida. A vida do guerreiro de preto foi tomada violentamente. Tauros era o único que restava e o dragão vinha veloz e furioso em sua direção. A dignidade falou mais alto que o medo, e o ex-general manteve-se imóvel, olhos fechados, aguardando com bravura a chegada de sua morte.
Abriu os olhos e não havia mais um gigantesco dragão. Sobre seus pés, uma diminuta estatueta de cristal em formato de dragão platinado. Uma tímida luz dourada circundava o artefato.
Vontade dos deuses, ironia do destino ou mero acaso. A ele, e apenas a ele estava destinado o direito de ser o portador do “Dragão da neutralidade”.

Em seu trono, Hiago sentiu um súbito arrepio.

A verdadeira guerra estava prestes a começar."

Continua dia 03 de outubro. Mais sobre o trabalho de Jacó Galtran clicando aqui.

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