segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Os quatro reinos - Parte 12

Olá, amigos. Hoje, o incansável Jacó Galtran nos traz a continuação de saga "Os quatro reinos".

Espero que apreciem e comentem.

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Os quatro reinos - Parte 12



"Muito se conjeturou ao longo dos anos sobre o que aconteceria quando os quatro símbolos sagrados dos reinos fossem reunidos. O grão da centelha. O sopro do horizonte. A lágrima do vulcão. A serpente marinha de pedra. Comentava-se que cada um desses artefatos possuía um poder imenso e que ficavam separados para assegurar o equilíbrio caso os reinos entrassem em guerra. Outras teorias também existiam, mas a maioria não passava de produtos das férteis imaginações de beberrões freqüentadores de tavernas.
Hiago tinha em seu poder os quatro símbolos e sabia o que fazer com eles. Sabia as conseqüências que cada um dos outros reinos teriam que enfrentar sem ter seu símbolo sagrado no altar de seu castelo.
Colocou os artefatos lado a lado, os olhos brilhando pelo reluzir dos símbolos e pela satisfação de ter o poder máximo. Sentiu correr dentro de si um poder acima do que imaginou ser possível e resolveu testar a extensão de suas novas capacidades.

- Povo de Aqua-Mare! – ele vociferou, e a magia da Serpente de Pedra o fez ser ouvido por todo aquele reino – Ouçam-me, pois disso depende a sobrevivência de seu reino.

Em todo o reino de Aqua-Mare as pessoas assustaram-se com a súbita voz que ecoou claramente em seus ouvidos. Alguns minutos foram necessários até que as pessoas em suas casas, nas ruas e em outros locais, entendessem que aquilo era real.

- Sou Hiago, Rei das Montanhas Ignis e futuro monarca supremo dos quatro reinos. Venho até vocês avisá-los que tenho em meu poder a Serpente Marinha de Pedra, o símbolo sacro que seus governantes tanto protegeram ao longo dos anos. Com esse artefato longe do altar de vocês, seu reino logo cairá em caos e desequilíbrio. As águas dos mares e rios que circundam suas cidades se agitarão, provocando maremotos. Os peixes morrerão. E se isso não for o bastante para destruir seu reino, meu exército terminará o serviço. Portanto, caso queiram ter suas vidas poupadas, vocês deverão entregar a Rainha Marla para ser minha prisioneira. Eu, como monarca supremo dos quatro reinos, indicarei alguém de minha confiança para reinar sobre suas terras. Vocês têm vinte e quatro horas para fazer isso, ou a destruição de seu reino terá início. Aguardarei a decisão de vocês na capital das Montanhas Ignis.

O encanto se desfez. Hiago entrou em contato com o povo do reino Solu, através do Grão da Centelha. Disse coisas parecidas, ameaçando a população local com terremotos, envenenamento das lavouras e outras calamidades. E lhes deu o prazo de vinte e quatro horas para trazer a ele o Rei Gaia.
Repetiu o processo com o Sopro do Horizonte e o reino Wyndh. Ameaçou-os com tornados, furacões e o desabamento das cidadelas flutuantes. E, novamente, deu-lhes vinte e quatro horas para entregarem o Rei Eolus.
Siron, aos pés do trono, ria. Hiago também. Outros guardas ali presentes faziam o mesmo. Nenhum deles teria que mover uma palha para que os inimigos se rendessem.

***

O desequilíbrio. Os dragões. Os quatro símbolos sagrados distantes de seus respectivos altares. As conseqüências de todas essas coisas e as atitudes necessárias para fazer tudo voltar ao normal.
A resposta parecia cada vez mais óbvia. Aqueles três eruditos não tinham mais dúvida. Só tinham que avisar seu Rei e esperar que ele se encarregasse do resto – embora esse “resto” fosse terrivelmente desafiador.
As ruas da capital do Reino Solu haviam se tornado um caos. Pessoas corriam desesperadas, crentes que poderiam salvar-se da destruição prometida por Hiago se fugissem para outras terras. Outras, armavam-se com foices, ancinhos, enxadas e outros apetrechos agrícolas dispostos a obrigar o Rei a se entregar.
E um desses grupos atacou os eruditos. Os três jovens sábios eram completamente ineptos no uso de armas ou em qualquer forma de combate. Foram cercados por um grupo de marginais que portavam facas e pedaços de garrafas quebradas. Os delinqüentes os reconheceram e mandaram que parassem. Queriam lhes perguntar sobre o paradeiro do Rei.

- Não sabemos. Na verdade, estamos procurando por ele também.
- Você está mentindo – gritou um dos marginais, alcoolizado, rasgando com uma faca o ombro do erudito.

O jovem gritou de dor e os demais deram um passo para trás. Foram rodeados pelos vagabundos e não sabiam o que fazer. Não conseguiriam fugir, nem resistir. Falar a verdade também não estava resolvendo. Aguardar a morte parecia a única opção.

- Vocês aí! Afastem-se deles! A partir de agora, eles estão sob nossa proteção.

Todos se viraram para ver quem eram os recém-chegados. Dois deles vestiam preto e não puderam ser identificados. O outro jamais seria confundido em nenhum canto dos quatro reinos. Era o ex-general Tauros.

- Não queremos machucá-los – o ex-general bradou – mas faremos isso sem hesitar se não saírem daqui nos próximos dez segundos.

Quase todos os delinqüentes correram. Apenas um, visivelmente embriagado, permaneceu proferindo bobagens até ter o nariz golpeado pelo punho de um dos que vestiam preto. Caiu e ali ficou.

- Onde está o Rei? – Tauros perguntou a um dos eruditos.
- Ele foi reunir-se com os demais monarcas em um local secreto. Não sabemos exatamente onde fica, mas podemos supor que estejam localizadas após algumas grutas a quilômetros a noroeste.
- Então devemos partir imediatamente para lá – um dos homens de preto bradou.
- Como vocês sabiam quem somos e que estaríamos aqui? – questionou um jovem erudito.
- Devemos nos apressar – o outro guerreiro de preto respondeu – pois o Rei também pode ser atacado por marginais como esses que atacaram vocês.

Tauros, os dois de preto e os três eruditos partiram.

***

- Não resta muito a ser feito.

Era Focus, ferido, um corte profundo recusando-se a cicatrizar e não o permitindo esquecer que fora derrotado em combate há poucas horas.

- Vamos organizar uma resistência – ele continuou – Reunir todos os guerreiros, de todos os reinos. Todos aqueles que quiserem lutar contra Hiago. Agora que ele está no poder, nós é que faremos o papel de “banidos”.
- Acha que isso seria suficiente? – um dos membros da Corrente Azul questionou.
- Acho que é o que está ao nosso alcance e o que meu espírito guerreiro quer fazer, mesmo que não funcione.

Seu pai estava morto. Seu amigo e ex-general estava desaparecido. Seu maior inimigo era o virtual rei do mundo. Sua terra tinha sido destruída. E ele não conseguia mexer bem o lado esquerdo do corpo, pois o ombro ardia ao mais leve movimento.

- Quando pretende começar?
- Imediatamente – Focus respondeu – Vamos sair pelas cidades, pelos reinos, pelo inferno até, se for preciso. E vamos organizar um exército de resistência. Com quantos membros da Corrente Azul podemos contar?
- Acredito que algo em torno de vinte. Também podemos contatar os soldados de elite do Castelo Real de Aqua-Mare.
- Perfeito.

Algumas horas passaram. Focus caminhava como um zumbi, arrastando-se, o ferimento tirando-lhe as forças. Mas, ao menos, já tinham aumentado o tamanho de seu grupo. Eram sessenta e três. Longe de ser o suficiente.

Mas era o que o destino lhes permitia naquele momento."

Continua dia 05 de setembro. Mais sobre o trabalho de Jacó Galtran clicando aqui.

0 Blá blá blá!:

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