segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Os quatro reinos - Parte 11

Olá, amigos. Hoje, uma vez mais, Jacó Galtran nos traz a continuação da saga "Os quatro reinos". Espero que apreciem e comentem.

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Os quatro reinos - Parte 11

"Uma parede do Castelo de Aqua-Mare caiu.


Focus e os membros remanescentes do grupo conhecido pela alcunha de Corrente Azul a derrubaram. Servos foram empurrados, criadas correram em busca de abrigo em dormitórios nos quais não tinham autorização para entrar. Outra parede não resistiu aos golpes e ao avanço selvagem dos recém-chegados.
A poucos corredores dali, Siron ouviu a balbúrdia e imaginou o que poderia estar acontecendo. Sabia que existia o risco, ainda que pequeno, de que alguém soubesse quem ele era e quais suas intenções. Por isso, tinha um plano de contingência.

- Vocês dois – orientou seus homens – Bloqueiem aquele corredor à esquerda. Você – apontou para outro – Finja que foi ferido por mim e diga que eu fugi para aquele lado. E vocês três devem vir comigo.

O que Siron não imaginava, era que os membros da Corrente Azul, profundos conhecedores da geografia dos corredores do Castelo, também tinham um plano.

Quatro homens giraram as lâminas curvas em movimentos idênticos, tirando a vida dos primeiros inimigos. Focus não estava entre eles, pois fora orientado a seguir por outro lado. Segundo seus aliados, correndo por outra direção, poderia cercar Siron. E, de fato, isso aconteceu.

Ladeado por três servos, Siron se viu frente a frente com Focus. Antes do aço, bravatas e ironia.

- Meu senhor ficará satisfeito em saber que você ainda está vivo – Siron disse – Ele ainda não tinha essa informação.
- Você não sairá daqui vivo para avisá-lo – Focus vociferou – Mas não se preocupe, ele ficará sabendo da pior maneira possível.
- Um fedelho como você não tem capacidade de ameaçá-lo. Mesmo que tenha se juntado a esses idiotas aqui de Aqua-Mare.
- Um miserável como Hiago não tem capacidade para me derrotar em um combate justo. Diga a ele que eu o desafio. Entregue pacificamente esse artefato mágico que você roubou e eu prometo te deixar partir, Siron. Vá e diga a Hiago que o príncipe Focus, herdeiro do trono das Montanhas Ignis, o desafia para uma luta até a morte.

Siron e seus pares gargalharam.

- Não entregarei a Serpente Marinha de Pedra a você, tolo ingênuo. Mas lhe prometo que avisarei ao senhor Hiago que você o desafia. Tenho certeza que ele terá prazer em aceitar, depois que tiver cansado de cuspir no cadáver de seu pai.
- O quê? – Focus gritou.
- Essa informação você não tinha. Seu pai está morto e as Montanhas Ignis foram tomadas.

Focus não quis ouvir o resto e partiu para o confronto. Brandiu sua arma e estocou com violência em dois dos acólitos de Siron, que caíram sem vida. O terceiro golpeou com uma adaga, mas encontrou defesa na lâmina de Focus. Por alguns instantes, ambos foram se atacando e se defendendo, em uma equilibrada batalha. Um corte horizontal no ombro inimigo garantiu a derrota de Focus. Siron, que preparava os subterfúgios arcanos que o fariam sair dali através de magia, voltou-se ao adversário derrotado para gargalhar.

- Como sempre, você demonstra ser apenas um fedelho precipitado e sem preparo. Focus, direi a meu senhor que você o desafia, mas acredito que não seja preciso mais do que um soldado raso para tirar sua vida.

Siron desferiu um violento chute no queixo de Focus, derrubando-o. Desapareceu, junto a seu aliado, através de um misterioso poder arcano. Com ele, levava a Serpente Marinha de Pedra, o último símbolo sagrado.
Os demais membros da Corrente Azul, minutos depois, encontraram Focus com um horrendo talho aberto no ombro direito e a boca sangrando. Eles chegaram tarde. Falharam.

***

Três vestiam preto e estavam em silêncio. O rei Eolus vestia dourado e chorava.

- Diante de vocês, não tenho porque esconder o que eu sinto. As coisas chegaram a um ponto que eu não gostaria. Graças à incompetência dos monarcas dos outros reinos, vejo-me na obrigação de fazer o que estamos prestes a fazer. Tirando a nostalgia que a viagem vai me causar, não posso disfarçar o quanto me sinto humilhado. Mas, infelizmente, não há outra opção.

O Rei Eolus enxugou as lágrimas com as costas das mãos. Os três abaixaram a cabeça, em respeito ao sofrimento de seu senhor. Sofrimento que entendiam e do qual compartilhavam.
Tudo estava pronto. O vento soprava a favor, embora, no reino dos ventos, isso pouco significasse. Pois, o tempo e todo o resto, estavam contra eles. Após enxugar a última lágrima, o Rei Eolus e seus três guerreiros de elite partiram.

Para o reino dos elfos.

***

Uma piada de mau-gosto dos deuses, uma infeliz coincidência, ou uma prova concreta de que o mundo estava condenado. Muitas eram as possíveis explicações que o povo daquela cidade procurava. Nenhuma era satisfatória. Não bastasse a capital de Aqua-Mare estar mergulhado na tristeza do luto pela morte do príncipe Ector, a Rainha Marla estar em estado semi-vegetativo, agora aquilo.
Um imenso dragão azul atacava a região oeste do reino. As muralhas que circundavam aquela cidade eram modestas, muito mais uma bonita construção arquitetônica para se contemplar do que uma ferramenta efetiva de defesa. Havia pequenas ameias em um dos lados da muralha, e de lá, arqueiros disparavam sem muito sucesso. Um grupo de cavaleiros avançava sem saber muito bem para onde, aguardando o dragão planar para poder investir contra ele. Alguns soldados da milícia, armaduras mal vestidas pela extrema pressa, também se faziam presentes no campo de batalha.
E o dragão atacou. Da bocarra cheia de dentes pontiagudos saiu uma grande quantidade de uma substância cáustica, corrosiva, derrubando as muralhas e assassinando quem estava por perto. As pessoas ainda corriam para não serem soterradas pelos escombros, quando a fera avançou com as garras, partindo ao meio vários corpos.
E ninguém mais alimentou a ilusão de que o inimigo poderia ser vencido. Os que podiam fugir o fizeram. Quem não pôde, procurou se esconder, enquanto outros aceitaram com resignação uma morte certa que não tardou a vir. Por pouco mais de uma hora, o dragão azul causou toda a devastação que pôde, para depois partir de volta ao horizonte e juntar-se às nuvens.

***

Em poucas horas, as Montanhas Ignis caíram completamente. Os banidos foram pilhando e tomando pela força as cidades próximas à capital, transformando tudo em um amontoado de sangue, sujeira e urina. Gloriosas cidades foram incendiadas sem motivo, lindas localidades viraram favelas e um regime de escravidão foi aplicado a alguns vilarejos.
Do alto de seu trono, Hiago ria. A tão sonhada vingança estava se concretizando. Breve, os demais monarcas teriam que se render a ele, e os quatro reinos seriam totalmente tomados. A se lamentar apenas o fato de o Rei Phyro não ter sido morto por suas próprias mãos.
Os devaneios de Hiago foram interrompidos pela tão ansiosamente esperada chegada de Siron. Assim que adentrou a sala do trono, ele rapidamente fez uma profunda reverência e mostrou o que trazia consigo: A Serpente Marinha de Pedra. Agora os quatro símbolos sagrados dos reinos estavam reunidos em poder de Hiago.

- Chegou a hora de fazer todos os outros reinos e todos os outros monarcas caírem de joelhos!

***

Biblioteca Real do reino Solu. Mesmo com o Rei Gaia e o príncipe Gonid ausentes, os eruditos continuavam debruçados sobre tomos antigos. Escritos em idiomas arcaicos, aqueles livros eram uma das poucas esperanças de entender o motivo da aparição dos dragões, a causa do “desequilíbrio” e, sobretudo, descobrir, como resolver tudo.
Os olhos clamavam por um descanso, o raciocínio já começava a ficar comprometido. As muitas horas sem sono começavam a cobrar seu preço, mas os sábios não paravam. Folheavam páginas, abriam pergaminhos, reliam livros inteiros e tartamudeavam para si mesmos possíveis conjecturas.
Já era tarde e a débil luz de uma vela já não tinha mais forças para bruxulear quando um dos eruditos pareceu ter encontrado a solução. Chamou à sua mesa seus pares, mostrou-lhes a tradução de um trecho, comparou-a com outro trecho e apresentou sua suposição. Aquilo casava perfeitamente com as hipóteses que outros dois colegas defendiam.

Aparentemente, já sabiam o que fazer."

Continua dia 22 de agosto. Mais sobre o trabalho do Jacó, clicando aqui.

2 Blá blá blá!:

Odin disse...

Muito bom, grande Jaco!

A história continua muito interessante, e como sempre, terminamos de ler um capítulo ansiando pelo próximo!

Paulo disse...

E agora josé?!?! Ou melhor Jacó?

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