segunda-feira, 11 de julho de 2011

Os quatro reinos - Parte 9

Olá, amigos. Hoje, nosso colega Jacó Galtran nos traz a continuação da saga "Os quatro reinos. Espero que apreciem e comentem.

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Os quatro reinos - Parte 9

"As Montanhas Ignis estavam sob ataque.


As muralhas que circundavam mesmo as cidades mais modestas vieram abaixo após serem fustigados por magia negra. Tudo que vivia morreu. Soldados e civis, homens e mulheres, crianças e idosos, ninguém foi poupado. Não houve pilhagem, apenas destruição. Casas, comércios, tavernas, estalagens e todas as construções foram ao chão pelo poder destrutivo do fogo e pela violência bárbara dos banidos.
Hiago, comandando as primeiras linhas de ataque, deleitava-se com o sofrimento e com o fim da vida, julgando aquilo uma justa punição pelos anos de desprezo e marginalidade a que foi submetido. Estocava e decapitava com perícia e satisfação, demonstrando maior prazer ao fazer isso com casais, fazendo os magos que o acompanhavam sugerir que tudo aquilo fosse algum tipo de vingança ligada a seu passado.
O fator surpresa e o horário do ataque dos banidos surpreenderam suas vítimas. Isso fez com que a notícia da invasão chegasse muito tarde à capital. Correndo contra o tempo, a mais poderosa força de combate do Castelo fez seus preparativos para marcharem em defesa dos povos sob ataque. Batedores foram enviados para alertar vilarejos que ainda não sabiam o que estava acontecendo. Soldados em turno de descanso foram convocados às pressas. Máquinas de cerco foram aprontadas com urgência.
Os principais generais confabulavam entre si, entre murmúrios de lamentação e promessas de vingança, qual seria a estratégia adotada. Um imenso número de guerreiros armados já se perfilava para partir. Muitos deles exibiam lágrimas nos rostos sonolentos, pois tinham familiares nas cidades atacadas. Um caiu no chão aos prantos e morreu de convulsão ao saber que a casa de seus pais tinha sido queimada com eles dentro.
A ansiedade era grande e só faltava uma voz de comando. Aquele que tomaria a frente, não necessariamente no campo de batalha, mas no sentido moral. O guerreiro ou general que discursaria brevemente, insuflando a coragem das tropas, emitindo bravatas e transformando em incêndio a chama do ódio que todos sentiam pelos inimigos.
Minutos se passavam e uma nova notícia sobre a queda de uma cidade chegou. Mais lágrimas, gritos de ódio e promessa de vingança por parte dos que haviam nascido na cidade recém-destruída.

E nada da voz de comando os mandar ao ataque.

***

O interrogatório acabara. Príncipe Siadhar manteve-se sereno. Não mexeu um músculo da face, não amainou a expressão de insatisfação, não parecia disposto a oferecer clemência. General Milar e Príncipe Gonid foram totalmente honestos em suas respostas, entrando em detalhes que não haviam sido solicitados, visando esclarecer suas intenções ao viajar para as terras élficas.

- Vocês não serão perdoados! – era o príncipe élfico.
- Seremos mortos? – perguntou o príncipe humano.
- Não somos assassinos – respondeu o elfo usuário de magia – Vocês serão expulsos de nossa terra. Seus pertences ficarão aqui, serão queimados e atirados ao oceano. Será nossa forma de livrarmos nossa terra sagrada de sua presença impura.
- Não existe a possibilidade de vocês nos ajudarem? – outra vez Gonid.

O príncipe élfico e seus dois servos riram.

- Não ajudaríamos vocês nem que as almas de nossas mães dependessem disso. Humanos são inferiores e impuros, indignos até mesmo de nos servirem como escravos. E elfas que esquecem sua origem – disse olhando para a jovem Milar – e se rebaixam ao ponto de conviverem com humanos não merecem mais consideração do que isso.
- Seus problemas não nos dizem respeito – disse aquele que parecia ser o mago – Foi gente da sua raça que veio a nossas terras com promessas de poder e corrompeu a mente de jovens nossos, levando-os para os quatro reinos.

Gonid ficou sem entender. Mas Milar compreendeu: os magos que lutavam junto dos banidos eram jovens elfos corrompidos por promessas de poder. Por isso as lideranças élficas estavam tão hostis. Ela já esperava uma atitude pouca amistosa por parte delas, mas não imaginou que seriam tão agressivos. Agora tudo tinha ficado claro.

- Já conspurcaram nossas terras por tempo demais – Siadhar bradou.

Gonid ficou imaginando se pelo menos poderia voltar com suas roupas, ou até elas seriam queimadas.

***

Três horas passaram-se e nada da voz de comando. Do grito de guerra que moveria todos rumo ao confronto. Os generais conversavam entre si, corriam de um lado ao outro, e olhavam fixamente para o Castelo Real.
Os soldados já não tinham a disciplina do momento em que foram convocados. Cansados de ficarem de pé, parados, estáticos, desfizeram as formações. Alguns sentaram. Outros correram, disfarçadamente, aos alojamentos em busca de algo para comer. O espírito guerreiro vinha se perdendo, principalmente porque não chegou aos ouvidos deles a informação de que mais duas cidades de pequeno porte haviam sido dizimadas.
Um dos generais, após discutir acaloradamente com outros três colegas, partiu em direção ao Castelo. Tencionava falar com o Rei Phyro e conseguir, de uma vez, autorização para partirem.

***

Hiago já tinha sido avisado através de magia sobre o bem-sucedido roubo do “Grão da Centelha”, no reino Solu. Siron, novamente, cumprira bem seu papel. Agora, o fiel servo de Hiago já se dirigia, furtivamente, ao reino Aqua-Mare. Lá, roubaria o símbolo sagrado do reino: a Serpente de Pedra.

***

Em algum lugar da imensidão submersa dos mares que circundavam os quatro reinos, havia vida humana. Graças a um fenômeno natural nunca bem explicado – e pouco divulgado – existia um local sob as águas onde era possível respirar. Uma região pequena, restrita, repleta de segredos e mistérios.
Aquele local de acordo com a geografia dos quatro reinos, era considerada território do reino Aqua-Mare. Não por acaso, os homens que ali habitavam eram os soldados de elite daquele reino: a Corrente Azul.

- As informações que estão chegando são cada vez mais preocupantes. É um bom momento para agirmos.
- A Rainha Marla não está no Castelo e parte dos seus guardiões pessoais se ausentou junto com ela. É provável que este seja o momento em que o inimigo atacará.

Silêncio. Os dois olharam para os outros doze que ali estavam, e todos contemplaram o corpo deitado, mas ainda com vida, daquele que, talvez, pudesse fazer a diferença.

- Vamos acordá-lo – bradou um deles, com toda a pompa que conseguiu reunir.
- Sim. É hora de todos saberem que o herdeiro do trono das Montanhas Ignis, o príncipe Focus, ainda está vivo.

***

O General voltou do Castelo em lágrimas, sem saber o que fazer, ou o que dizer. Chamou seus pares e contou-lhes o que ocorrera e um misto de tristeza e desespero tomou conta de todos.

Como dizer aos soldados, a poucas horas de uma guerra mortal, que o Rei Phyro tinha se suicidado?"

Continua dia 25 de julho. Mais sobre o trabalho do Jacó clicando aqui.

1 Blá blá blá!:

Odin disse...

Pelas minhas barbas, se há uma coisa que pode definitivamente desintegrar a moral de um exército é o suicídio de um rei...

Muito bom, grande Jaco!

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