segunda-feira, 25 de julho de 2011

Os quatro reinos - Parte 10

Olá, amigos. Hoje, o incansável Jacó Galtran traz a continuação da saga "Os quatro reinos".

Esperamos que vocês apreciem e comentem.

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Os quatro reinos - Parte 10

"Em algum lugar do reino Solu, uma reunião.


Intencionalmente, o local escolhido foi o menos óbvio, embora muito propício e adequadamente protegido para a situação. Havia as defesas naturais – já que o acesso à construção só era possível após percorrer labirínticas áreas florestais – e a guarnição humana, formada por dezenas de guerreiros de elite, arco e flechas prontos para interceptar quem tentasse interromper os soberanos ali presentes.

- Temos dois problemas, Rainha Marla: o exército dos banidos, que se fortalece a cada dia; e o desequilíbrio, causado pela ausência dos símbolos sagrados em seus altares. Este último é o responsável pela aparição de dragões. Um deles, inclusive, atacou uma cidade de meu reino.
- Poupe-me dos detalhes, Rei Gaia. Diga-me como esquartejaremos os assassinos de meu filho.
- Certo. Em verdade, tenho em minha biblioteca dois tomos de sabedoria ancestral que trazem mais detalhes em como deter os dragões, apesar do desequilíbrio. Neste exato momento, os mais capazes e conceituados eruditos de meu reino estão decifrando o idioma arcaico no qual os textos foram escritos. Acredito que em poucas horas, podemos ter boas perspectivas para lidar com o problema.
- Não tenho interesse em corrigir o desequilíbrio – respondeu secamente – Diga-me apenas como pretende destruir os assassinos de meu filho.
- Bem, Rainha Marla, no que diz respeito ao exército de banidos, minha intenção inicial era reunir aqui o Rei Eolus e o Rei Phyro e propor que nossos soldados se unissem em um tipo de “super-exército”. Mas como nenhum deles veio a essa reunião...
- Está me dizendo que me trouxe a essa reunião e nem ao menos tem idéia de como nos vingaremos dos malditos assassinos? – Rainha Marla ergueu a voz.
- Infelizmente...
- Acha que tenho tempo para ouvir tolices sobre livros antigos? – a monarca foi levantando-se e gritando aos seus servos que estavam ali – Vamos. Vamos cuidar dos assassinos desgraçados a meu modo.

Sem muito sucesso, a reunião acabara. “Espero que ela não esteja cogitando a idéia de enviar seus soldados a um ataque suicida”, pensou o Rei Gaia. Graças à melancolia do Rei Phyro, o isolacionismo extremo do Rei Eolus e a amargura da Rainha Marla, não houve acordo, nem união de forças.

Que os céus tivessem piedade deles, pois seria cada um por si.

***

Em Aqua-Mare, o Castelo Real estava silencioso. Seus soldados, servos e mesmo nobres viviam um momento de indecisão. A Rainha tinha se ausentado, o príncipe havia sido morto e o General Milar tinha partido em uma missão secreta sem previsão de retorno. Ninguém sabia o que esperar dos dias vindouros.
Talvez por achar que não havia muito mais o que proteger, o forte esquema de segurança foi relaxando com o passar das horas. Os extensos interrogatórios a que eram submetidos os que lá chegavam, passaram a ser ignorados. Os soldados ganharam turnos de descanso maiores, diminuindo o contingente presente nas guarnições. Aposentos específicos do interior do Castelo, que sempre tiveram guardiões próprios, foram simplesmente deixados desprotegidos. Toda a força de defesa do reino passou a se questionar se o esforço dos últimos anos não parecia ter sido em vão.
Foi então que um jovem de aparência esguia e sorriso cortês adentrou as muralhas fortificadas do Castelo junto a alguns homens, alegando ter algo a tratar com um dos soldados que defendiam os aposentos particulares de dois nobres. Sem encontrar resistência, Siron foi obtendo livre acesso aos aposentos do Castelo e tendo a liberdade necessária para vasculhar com calma alguns aposentos e salas que eram bastante restritos.
Um soldado desconfiou de suas intenções e tentou alertar seus pares, mas foi rapidamente eliminado por uma lâmina de Siron. O corpo do homem foi escondido embaixo da cama de um quarto desocupado que parecia pertencer a um nobre.
Após algum tempo subindo e descendo escadas e procurando tão discretamente quanto possível, ele encontrou um aposento que parecia ser um tipo de capela. Havia objetos ditos sagrados pelas religiões da época, um altar de ouro puro, bancadas para abrigar fiéis e um púlpito para os sermões sacerdotais. Em um pedestal de marfim colocado em um canto, coberto por mantas exibindo imagens de paramentos, um símbolo sagrado.

A Serpente Marinha de Pedra.

***

- Eles já devem estar lá dentro – Focus bradou, espada em punho.

Arqueiros saltaram das ameias para cumprimentar os membros da Corrente Azul, felicitando-os por terem sobrevivido, mas não havia tempo para saudações, nem conversas extensas. Focus gesticulou para que os seguissem, mas um deles tinha outra coisa em mente.

- Príncipe Focus, não seria melhor esperá-los aqui fora. Pois, se de fato já estão lá dentro, terão obrigatoriamente que sair por aqui. Inclusive, acho que eles nem sabem que estamos aqui para interceptá-los.
- Seu raciocínio é coerente, mas não faremos isso. Ocorre-me que esses miseráveis têm magos em suas fileiras. Temos que contar com a possibilidade de eles planejarem abandonar o Castelo através de subterfúgios mágicos. Por isso, é melhor detê-los antes que consigam o que vieram buscar.

Sem questionar, os membros da Corrente Azul, Focus e até mesmo alguns arqueiros saíram em desabalada carreira rumo ao interior do Castelo. Todas as saudações recebidas pelo caminho foram ignoradas. Pessoas tiveram que ser empurradas, servos foram quase que “atropelados”, mas tudo aquilo era necessário. O tempo estava contra eles.

Siron já tinha em mãos o que queria e preparava-se para sair do Castelo.

***

Apesar de todo o esforço feito pelos generais, chegou aos soldados a informação de que o Rei Phyro havia se suicidado. A amargura dominou as tropas, pois embora austero e exigente, o monarca era profundamente amado por seus súditos. O questionamento “vale a pena continuar lutando?” invadiu os corações. Os gritos de “Vão deixar que a morte de nosso Rei tenha sido em vão?” não foram suficientes para recuperara motivação perdida.

E o inimigo estava a poucos quilômetros dali.

Acuado e desmotivado, o exército das Montanhas Ignis iria limitar-se a tentar sobreviver. As paliçadas postadas duzentos metros em frente às muralhas da capital foram derrubadas antes que os arqueiros pudessem abater muitos invasores. Por outro lado, a magia arcana fez as muralhas ruírem com facilidade impressionante.
E o combate corpo-a-corpo começou. Encabeçados por Hiago, os banidos avançaram como um enxame assassino. Os defensores das Montanhas Ignis foram perdendo terreno e vários homens. As espadas, machados e alabardas encontravam as cabeças e corações inimigos rapidamente.
Os generais recusavam-se a aceitar a idéia da derrota e lançaram mão de outro recurso: a cavalaria. As tropas de combate montado das Montanhas Ignis há muito deixaram de ser usadas em confrontos, por serem consideradas obsoletas. Apenas uns poucos saudosistas ainda defendiam o seu uso. E graças a esses, talvez ainda houvesse esperança.
A cavalaria avançou em carga. Não foi possível evitar que seus próprios irmãos de armas fossem atingidos. O ataque foi devastador, provocando danos consideráveis nas tropas invasoras. Na segunda tentativa de carga, os banidos já estavam mais preparados para defender-se. Muitos cavaleiros foram derrubados das montarias, fazendo restar poucos para uma terceira investida.
Máquinas de guerra foram detidas pela magia que os invasores traziam consigo. Vendo a inevitabilidade da derrota, os soldados dispersaram-se e tentaram fugir. Sem sucesso. Em menos de duas horas, os banidos tomaram a capital e o Castelo das Montanhas Ignis.
Hiago sentou-se no trono. O corpo sem vida do Rei Phyro foi dado aos corvos, não antes de ter sua cabeça arrancada e presa a um pedaço de bambu, como um troféu macabro. Tudo que não havia sido tomado ou conquistado foi cruelmente destruído. Hiago aguardava notícias de Siron, trazendo os três símbolos sagrados dos outros reinos, enquanto apropriava-se da Lágrima do Vulcão, o símbolo sacro das Montanhas Ignis. Com os quatro em seu poder, nada poderia detê-lo.
Emissários seriam enviados aos demais reinos, ordenando que seus monarcas viessem jurar lealdade a Hiago. Mas isso, só no próximo amanhecer. Aquele momento deveria ser usado para pilhar as riquezas, abusar das donzelas e cuspir nos cadáveres dos inimigos.

***

Tauros e seus dois novos irmãos de armas corriam.

- O tempo está contra nós – um deles respondia, quando o ex-general lhes perguntava qual seria a missão deles.
- No momento oportuno, tudo lhe será revelado, senhor Tauros – complementava o outro.

Enquanto isso, em uma cidade não muita distante da capital de Aqua-Mare, um gigantesco dragão azul tomava o horizonte."

Continua dia 08 de agosto. Mais sobre o trabalho do Jacó clicando aqui.

0 Blá blá blá!:

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