segunda-feira, 27 de junho de 2011

Os quatro reinos - Parte 8

Olá, amigos fãs de RPG. Hoje, Jacó Galtran nos traz a continuação da saga "Os quatro reinos". Esperamos que vocês apreciem e comentem.

Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Parte 4 - Parte 5 - Parte 6 - Parte 7


Os quatro reinos - Parte 8

"Caminhando cabisbaixo no limiar das terras ditas civilizadas, ia um ex-general.
Tendo deixado para trás seu passado, sua honra e seu reino, levava consigo apenas seus parcos pertences, uma imensa espada e uma tristeza terrível. Recomeçar era necessário, ele sabia, mas não tinha certeza se havia algum recomeço possível.
Tauros viajou longos dias, por longos quilômetros, margeando as regiões fronteiriças dos reinos. Perto da civilização o bastante para não ser vítima de emboscadas, mas longe o suficiente para não ser reconhecido por ninguém. Não tinha mais suprimentos e talvez fosse melhor assim. Morrer lentamente, definhando de fome e de remorso ao mesmo tempo.
De repente, após longas e ininterruptas horas de uma jornada aparentemente sem fim, sombras movendo-se por entre as árvores começaram a seguí-lo. O ex-general aguçou os sentidos, conteve o passo, calou a respiração e continuou andando. A experiência o mandava prosseguir, aguardando apenas o ataque de que seria alvo para então contra-golpear. A mão já se posicionou mais próxima da bainha. Esperou.

E a investida do inimigo não tardou.

Eram dois. Vestiam preto da cabeça aos pés, empunhavam espadas de lâminas curvas e movimentavam-se com graça e agressividade. As primeiras estocadas que tentaram encontraram defesa no aço da arma do ex-general. O clangor do choque das espadas foi sendo substituído pelas respirações ofegantes. O cansaço tomava conta dos lutadores à medida que os minutos se passavam, exigindo cada vez mais esquivas, movimentos acrobáticos e evasivas ousadas.
A primeira lâmina cravou-se na lateral do abdômen do ex-general, que urrou de dor, mas não cessou de atacar. Seu corpo tinha mais dificuldade de responder a seus comandos, e o sangue já começava a ensopar o chão de terra batida. A dor extrema fez sua visão ficar turva. Tauros lutou tanto quanto pôde contra o enfraquecimento que o invadia. Até que um gesto inesperado dos oponentes encerrou o combate.

- Nossas desculpas pelo golpe, General Tauros – o jovem de preto disse, após jogar sua arma no chão – Mas isso era necessário. Precisávamos ter certeza de que era realmente você.

***

Construções mescladas a árvores. Estradas demarcadas pela extensão de lindos gramados rodeados por flores. Música de harpa somada ao canto dos pássaros em uma melodia única. Plantações, estufas e canteiros abrigando animais silvestres sem serem molestadas por eles. Paz. Beleza. Harmonia. Uma simbiose perfeita entre todos os elementos da natureza.

Aquele era o reino dos elfos.

Contrastando com a convivência pacífica dos nativos do local, chegavam amarrados e sob a mira de flechas um par de humanos. Semblante assustado, eram empurrados com certa violência para apressarem o passo. Vez por outra tropeçavam e eram golpeados.

- Deveríamos ter vendado esses infelizes. Eles não são dignos de contemplarem a beleza de nossa terra – disse um dos captores.

Após uma extensa caminhada, General Milar e príncipe Gonid foram levados a uma construção que destoava das demais. Parecia ser intencionalmente feia e pouco receptiva. “Os elfos também saber ser amedrontadores quando querem”, pensou Gonid.
Ambos foram trancados em um aposento pequeno. Cheio de fungos, mofo e um cheiro nauseabundo. Uma versão élfica de uma masmorra, ainda que ali não houvesse instrumentos de tortura.

- Eles nos matarão? – Gonid perguntou.
- Acho que não – Milar respondeu – Se formos totalmente sinceros, eles não terão motivos para isso. Acredito que eles, provavelmente, nos expulsem de suas terras e nos mandem de volta aos quatro reinos sem nos ajudar.

“Foi um erro termos vindo”, ela pensou.

O aposento recebeu a visita de três elfos. Um deles trajava vestes cerimoniais e tinha sobre a cabeça uma tiara que misturava flores, folhas e pedras preciosas. Talvez um rei ou príncipe da raça. Outro trazia consigo uma respeitosa espada de lâmina larga. E o terceiro usava uma capa esverdeada com símbolos de difícil identificação. “Deve ser um usuário de magia”, Milar supôs.

- Sou Siadhar, príncipe regente das terras élficas. Não sei quem são vocês, invasores, mas quero alertá-los que serão punidos por conspurcarem a pureza de nosso reino, quaisquer que tenham sido suas intenções ao virem para cá.
- Seremos mortos? – Gonid perguntou.
- Cale-se, humano impuro. Quem fez as perguntas aqui sou eu. E os aconselho a responderem com honestidade e sem evasivas. Temos nossos meios de descobrir se estão mentindo ou não – o monarca apontou para o mago.

Gonid e General Milar se entreolharam. E o interrogatório começou.

***

Hiago, seu exército de banidos e mais alguns magos envoltos em andrajos avançavam em marcha forçada. As Montanhas Ignis estavam a menos de um dia de viagem. Houve um momento de indecisão, pois os principais conselheiros de Hiago não sabiam se deviam montar novo acampamento e pernoitarem ali, ou seguir viagem durante a madrugada para atacar o quanto antes.
Hiago ordenou que aguardassem. Seu exército descansaria e partiria apenas ao amanhecer. Mentiu a si mesmo que isso permitiria que os soldados repousassem e renovassem as forças. Também achou que isso possibilitaria que o ataque acontecesse próximo ao anoitecer seguinte, no momento em que os defensores das muralhas das Montanhas Ignis trocavam de turno.
Mas, no fundo, Hiago sabia que gostaria de receber uma boa notícia antes de partir. Por isso decidiu esperar.

***

A capital do reino Solu estava em frangalhos. O Rei Gaia não recebia notícias há dias do príncipe Gonid e já temia pelo pior. A aparição repentina de um dragão vermelho aterrorizou o povo, além de destruir metade de uma cidade à oeste da capital. A Rainha Marla havia chegado para a audiência que ele havia proposto, mas só os dois participariam. Os demais monarcas não viriam – o que muito provavelmente faria a reunião ter pouca ou nenhuma utilidade.
O Palácio estava se tornando um aglomerado de diplomatas, servos e soldados correndo de um lado a outro. A chegada da Rainha visitante exigia uma recepção à altura e também o reforço da segurança. Um pequeno grupo de soldados também estava se preparando para ir em busca de notícias do príncipe Gonid. E ainda havia duas reuniões agendadas para definir formas de ajudar a cidade recentemente atacada pelo dragão.
Em meio à bagunça e o entra-e-sai de pessoas ao longo dos corredores e salas de reunião, caminhava alguém. Resoluto, adequadamente vestido, com a língua afiada pronta para levar adiante as mentiras que lhe deram acesso àquele local. A balbúrdia foi ganhando proporções maiores, até chegar ao ponto de nenhuma sala antes considerada restrita estar totalmente inacessível. Todos que os transitavam por ali estavam ocupados demais para desconfiar de alguém que ingressasse em algum aposento específico.
Desta forma, Siron não teve muita dificuldade para entrar onde queria. Encontrou, desprotegido, o Grão da Centelha, o símbolo sagrado do reino Solu. Guardou-o em uma sacola, juntamente com o Sopro do Horizonte, o símbolo sagrado do reino Wyndh. Virou-se e caminhou em direção à saída do Palácio.

Hiago teria a boa notícia que tanto queria."

Continua dia 11 de julho. Mais sobre o trabalho do Jacó, clicando aqui.

2 Blá blá blá!:

Odin disse...

Muito, muito bom!

Não sei como Jaco ainda não foi contratado para escrever um livro...

Dragões do sol Negro disse...

Somos dois!

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