segunda-feira, 30 de maio de 2011

Os quatro reinos - parte 6

Olá, amigos aventureiros. Hoje, nosso colega Jacó Galtran nos traz a continuação da saga "Os quatro reinos". Espero que apreciem e comentem.

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Os quatro reinos - Parte 6



"A jornada até a terra dos elfos era desafiadora. Chegar até lá exigia transpor as fronteiras dos quatro reinos, atravessar uma região desértica extensa conhecida como “Terras do Nada” e cruzar o oceano. O reino élfico era quase que um continente à parte, embora o território fosse governado por um único poder central, sem haver subdivisões.

- Perdoe-me se estiver sendo inconveniente, General Milar, mas acho que o que vou perguntar não é tanto uma curiosidade pessoal, e sim algo relevante para nossa missão – Gonid dizia – Você tem descendência élfica?
- Sim – a linda Milar respondeu – Em verdade, sou uma elfa, ainda que tenha abandonado minha terra natal a tempo suficiente para não poder mais chamá-la de lar. As circunstâncias que me levaram a sair de lá e rumar para o reino Aqua-Mare são um tanto quanto dolorosas. Por isso, perdoe-me se estiver sendo rude, mas preciso lhe pedir que não me pergunte sobre isso.
- Minhas desculpas se acabei reabrindo velhas feridas.
- Não se desculpe. Quanto àquilo que imagino estar passando por sua cabeça, não sei até que ponto minha origem élfica contribuirá para que sejamos mais bem recebidos. Não tenho notícias sobre os elfos há anos e nem sei o que anda acontecendo por lá.

General Milar, comandante das tropas do reino de Aqua-Mare, e Gonid, príncipe do reino Solu, acompanhados por cerca de oitenta soldados de Aqua-Mare faziam o percurso que os levaria às terras dos elfos. Partiram em segredo, sem criar alarde, pois sabiam que a discrição seria importante. O posto de General concedia a Milar a autoridade necessária para tomar uma decisão daquela magnitude, até porque, a Rainha Marla estava abalada demais com a morte de seu filho para se importar.
O trajeto era longo e exigia recursos demais. Água e alimentos foram trazidos na quantidade minimamente necessária para a sobrevivência de todos. Animais de carga poderiam não resistir ao cansaço provocado pela viagem, além de também consumirem água e suprimentos, por isso também foram trazidos em quantidade mínima, mesmo que isso aumentasse o tempo de viagem.

- O que exatamente vamos pedir às lideranças élficas? – Gonid perguntou.
- Tudo depende do quanto forem receptivos à nossa chegada. Não faz sentido revelarmos o que acontece em nossos reinos se eles não se mostrarem dispostos a nos ajudar. Seja como for, eles possuem uma sabedoria acerca de assuntos místicos que está acima do que os humanos podem supor. Se for verdadeiro o boato sobre a aparição de dragões, eles talvez possam nos dar detalhes.
- E se eles se recusarem a nos ajudar?
- Então não haverá muito mais que possamos fazer.

Anoitecia. Era a hora de se permitir um descanso. Gonid dormiria com mais dúvidas do que gostaria.

***

As pessoas corriam desesperadas, embora não houvesse um local seguro onde procurar abrigo. As modestas construções daquelas cidades seriam um refúgio frágil e incapaz de fornecer a proteção necessária. Pais e filhos separavam-se, casais se perdiam e idosos caiam e eram pisoteados na balbúrdia. E todo aquele pânico era provocado apenas pela visão assustadora. O ataque ainda nem havia começado.
A criatura sobrevoava o céu azul, eclipsando o sol e conspurcando o horizonte com cheiro de sangue e morte. Tinha chifres díspares, presas que saltavam da boca sedenta por carne humana, asas imensas que se mexiam em movimentos consonantes, uma cauda enrolada ao corpo e garras gigantescas.

Era um dragão vermelho.

Os guerreiros do reino Solu posicionaram-se. Armas de guerra foram aprontadas às pressas, e logo catapultas e balestras já disparavam ácido e óleo fervente sem muito sucesso. Um destacamento de arqueiros retesava as cordas esperando um comando de ataque que não tardou a chegar. Havia soldados portando espadas, escudos e lanças, mas estes nada podiam fazer enquanto o inimigo não se aproximasse.
Então veio o fogo. Uma baforada repentina e destrutiva, carbonizando vidas e destruindo a formação defensiva dos guerreiros. Casas viraram cinzas, vidas humanas viraram saudosas lembranças e vilarejos tornaram-se ruínas. Os soldados que sobreviveram esqueceram o dever, a honra e a responsabilidade para com seu reino e fugiram, calças umedecidas pela urina que escorria farta.
Todos já se preparavam para o pior, quando o dragão voltou para os céus. Virou-se em direção ao horizonte longínquo de onde veio e partiu, dando a impressão de que a destruição causada não fora fruto de um ataque planejado, mas sim conseqüência de um mero momento de fúria.

***

Semanas haviam se passado. Os suprimentos estavam mais próximos do fim do que planejado inicialmente. Os animais de carga não resistiram ao rigor da viagem e desfaleceram. Os recursos financeiros se esgotaram com o aluguel das embarcações que permitiram cruzar, com muita dificuldade, os quilômetros de oceano que separavam um continente do outro.
O desembarque foi relativamente tranqüilo. As areias da região eram fofas, o sol brilhava cálido e a brisa primaveril soprava convidativa. Uma extensa área litorânea foi percorrida sem que nenhum elfo aparecesse. General Milar, Gonid e os soldados de Aqua-Mare caminhavam lentamente, armas abaixadas para demonstrar intenções pacíficas, o cansaço estampado em suas faces.
Horas depois, chegaram ao início do que parecia ser uma floresta. Uma tímida vegetação rasteira, animais silvestres, pássaros gorjeando alegremente e imponentes torres de cristal mescladas a gigantescas árvores a quilômetros dali. O grupo redobrou os cuidados, mas seguiu, a importância da missão dando a eles a força que os corpos já não tinham mais.
Até que uma flecha rasgou a orelha esquerda de um soldado. Outras começaram a surgir, ceifando algumas vidas e fazendo outras tantas recuarem. Milar gesticulou para que os soldados restantes largassem suas armas, demonstrando abdicar do confronto. Nos segundos necessários para que isso acontecesse, mais três vidas se perderam.
Então, as flechas, que vinham das direções mais inesperadas, cessaram. E os elfos se mostraram.

- Vocês, humanos impuros, são os responsáveis pela corrupção de parte de nosso povo! – disse aquele que parecia ser o líder – Sua raça não é bem-vinda em nossas terras.
- Viemos com o intuito de conversarmos pacificamente – Milar contrapôs.
- Os últimos representantes de sua espécie que disseram o mesmo corromperam a mente de nossos jovens com promessas de poder e glória e os levaram consigo. Dêem meia-volta e retirem-se imediatamente. Ou serão levados como prisioneiros.

Gonid e General Milar se entreolharam pensativos. “Os últimos representantes de sua espécie que disseram o mesmo...”. Outros humanos já haviam procurado os elfos nos últimos tempos? Esse contato inter-racial sempre foi incomum e restrito a situações de emergência.

- Não temos tempo para esperar vocês decidirem seu curso de ação – o elfo bradou, cordas retesadas prestes a disparar flechas mortais – Vão voltar para onde vieram, ou se entregarem para serem interrogados?"

Continua dia 13 de junho. Mais sobre o trabalho do Jacó clicando aqui.

2 Blá blá blá!:

Odin disse...

Muito bom! Hei de atualizar minha leitura...

Druida-filid disse...

Hahahhahaha, esse folhetin está interessante!

Parabéns,

RPGames Brasil
http://rpgamesbrasil.blogspot.com/

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