segunda-feira, 16 de maio de 2011

Os quatro reinos - Parte 5

Olá, amigos. Hoje, Jacó Galtran, nos traz a continuação da saga "Os quatro reinos". Espero que apreciem e comentem.

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Os quatro reinos - Parte 5



"O reino Ignis estava em pânico. A notícia da morte do príncipe Focus na batalha em Aqua-Mare destruiu a credibilidade do exército do reino. Tauros, o respeitado líder de guerra, havia sido deposto pelo seu fracasso. O próprio príncipe de Aqua-Mare, o jovem Ector, também havia morrido. As ruas fervilhavam de pessoas aflitas. Todos inseguros, temerosos que um novo confronto pudesse pôr todos em risco.
Em meio ao panorama caótico, Siron dava andamento a seu plano. Circulava pelo centro das cidades aumentando o medo das pessoas. Espalhava mentiras nas quais afirmava que o Rei estava prestes a fugir para um lugar seguro e abandonar o povo à própria sorte. Para outros, dizia que o reino Solu estava preparando terras cultiváveis para aqueles que quisessem abandonar o derrotado reino Ignis. Mas para os guerreiros que encontrava, Siron dizia que a batalha havia sido vencida pelos banidos. Falava que Hiago prometeu aceitar como membros de sua tropa aqueles que quisessem mudar de lado.
O truque ardiloso deu certo. Poucos dias foram suficientes para que um considerável número de soldados optasse por abandonar o reino Ignis e partir rumo ao acampamento dos banidos. Antes de lá chegarem, saquearam alguns vilarejos indefesos para conseguir suprimentos para a longa viagem. Várias vidas inocentes se perderam devido à crueldade dos traidores.
Em contrapartida, muitos cidadãos comuns, artesãos e camponeses viajavam em sentido oposto, rumo ao reino Solu. Lá, estariam mais seguros. Encontrariam terras mais férteis, mais protegidas. Teriam uma nova perspectiva de vida.
O Rei Phyro ainda chorava a dor da perda quando começaram a chegar as notícias da debandada do povo. Mas seu coração estava amargurado demais para que ele tomasse alguma providência.

***

Antes de partir, Gonid aceitou o convite do General Milar para pernoitar em Aqua-Mare. Momentos preciosos que proporcionaram uma conversa mais profunda sobre a real situação das coisas.

- A aparição dos dragões significa desequilíbrio – Gonid dizia – Quando o delicado equilíbrio dos reinos é comprometido, começam a acontecer coisas assim.
- A perspectiva é pior do que imaginamos. O desequilíbrio é mais do que simplesmente o roubo de um dos símbolos de seu respectivo altar. É a desunião entre os reinos, a instabilidade. A sensação de insegurança que tomou conta dos povos. Dois príncipes morreram. As relações diplomáticas foram abaladas. Os banidos se fortaleceram e deixaram de ser um simples incomodo. Tornaram-se uma ameaça real.
- E agora, os banidos também têm magos em suas fileiras. Ninguém levou isso em conta.
- Seria bom se os dragões destruíssem todos os banidos – disse Milar, com um sorriso tão belo capaz de impressionar até o tímido Gonid – Já imaginou?

O silêncio imperou por alguns instantes. Ambos se deixaram levar pela inocente fantasia sugerida por Milar. Como seria bom se todos os inimigos destruíssem uns aos outros.

- Enviei dois batedores atrás de Tauros – confidenciou o General – É bem provável que ele tenha sido expulso do reino de Ignis. Deve estar sem rumo, vagando por aí. Seria muito bom se pudéssemos contar com o auxílio dele. Ele é experiente e corajoso. Além disso, é um líder muito capaz. Na verdade, acho que se ele tivesse nos liderado na última batalha, o resultado teria sido diferente.

Milar olhou para a janela e fixou o olhar no horizonte. Para ela, que sempre amou em silêncio o príncipe Ector, a guerra já havia sido perdida. Mesmo que os banidos fossem destruídos, os dragões desaparecessem e o equilíbrio fosse restabelecido, a vida de seu amado já havia sido perdida. Enxugou as lágrimas que caíam discretamente. Mal sabia ela que aquelas seriam as primeiras de muitas que viriam a cair.

***

O reino dos ventos, apesar de chamar-se Wyndh, era chamado apenas de “o reino dos ventos” – uma curiosa contradição, pois lá, mesmo na primavera, não havia mais do que uma tímida brisa matutina.
Dentre todos os reinos, este era o menos conhecido. Aqueles que não moravam lá – particularmente, as pessoas mais simples – tinham muitos mitos e superstições acerca do povo local. Falavam em uma terra de monges reclusos conhecedores de segredos ancestrais. Outros diziam ser o lar de conjuradores de grande poder místico. Havia ainda quem afirmasse que aquela era a morada de seres sobrenaturais capazes de voar e de construir seus lares no topo das mais desafiadoras montanhas.
Fossem o que fossem, o povo de lá era o mais isolacionista de todos. Ainda que fizessem parte do tratado de cooperação mútua com os demais reinos, o contato com eles restringia-se apenas ao estritamente necessário. O rei Eolus, autoridade máxima do reino, abriu mão de vários acordos comerciais e propostas de permutas para minimizar os diálogos entre seu povo e os “estrangeiros”.
Talvez por isso, o povo sempre sobreviveu independendo de qualquer auxílio. As belas cidades, suspensas de tal forma a misturar-se às nuvens, mesclavam-se com as mais íngremes montanhas permitindo que a vegetação rasteira encontrada no topo das mesmas pudesse servir como alimento. Toda sorte de aves, algumas nem sequer conhecidas pelos demais povos, e seus ovos exóticos, além de estranhas bebidas feitas a partir do orvalho encontrado nas mais enevoadas regiões da cidade faziam parte da alimentação dos moradores do reino.
Para muitos, aquele local era taxado como misterioso apenas por ser desconhecido e por pouco se saber sobre ele. Não eram poucos os que pensavam que aquelas cidadelas tingidas de azul pelo reflexo ininterrupto do céu eram normais como qualquer outra encontrada no reino Solu, Aqua-Mare ou Ignis. Só os mais supersticiosos, com suas “crendices tolas”, é que viam naquele lugar algo sobrenatural.
Mas contrariando o ceticismo da maioria, o reino dos ventos, se não era o alvo das maiores perguntas, era, sem dúvida, o berço das maiores respostas do continente. Lá, monges debruçavam horas e horas sobre pergaminhos milenares em busca do conhecimento proibido. Estudiosos das mais diversas graduações – e com as mais variadas intenções – buscavam decifrar profecias. Mesmo o mais humilde artesão do reino conhecia muito sobre revelações oriundas de espíritos, augúrios, adivinhações, e rituais místicos.
Por tudo isso, era de se supor que o Rei Eolus já tivesse conhecimento sobre o estado caótico em que se encontravam os demais reinos. Exércitos de banidos se fortalecendo. Um dos símbolos sagrados roubado de seu altar. A aparição de dragões causando morte e destruição. E, sobretudo, desequilíbrio. A balança estava pendendo de forma desigual, mais para um lado do que para o outro. Neste panorama, tanto aqueles que estavam do lado de cima da balança, quanto os do lado de baixo conheceriam o sofrimento.
O Rei Eolus caminhou lentamente até seu altar.
Apesar de todo o caos nas Montanhas Ignis, a Lágrima do Vulcão ainda estava em seu altar. Mesmo com a morte de seu príncipe, Aqua-Mare ainda tinha em seu altar a Serpente Marinha de Pedra. O reino Solu ainda tinha no mais alto degrau de seu altar o Grão da Centelha.
Eolus contemplou o suporte feito de ouro puro. O cristal conhecido como Sopro do Horizonte, símbolo sacro do reino dos ventos, não estava lá. O Rei juntou suas mãos e encostou-as em sua boca. Fechou os olhos em uma expressão de concentração e deu às costas ao altar. Era a hora de ir até a terra dos elfos..."

Continua dia 30 de maio. Mais sobre o trabalho do titio Jacó clicando aqui.

2 Blá blá blá!:

Willian disse...

uhsauhsahu Comedia Muito bom continuem assim táh ficando muito interessante!!!

Paulo disse...

Quero mais!!

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