segunda-feira, 2 de maio de 2011

Os quatro reinos - Parte 4

Olá, amigos. Hoje, Jacó Galtran, nos traz a quarta parte da saga "Os quatro reinos". Espero que apreciem e comentem.

Parte 1 - Parte 2 - Parte 3


Os quatro reinos - Parte 4

"Tauros estava desorientado. Nunca fora diplomata, nem tinha habilidades para conversas formais com autoridades. Como chegar até a Rainha Marla, monarca de Aqua-Mare, e dizer a ela que o príncipe Ector estava morto? Principalmente, levando em conta que a responsabilidade pelo triunfo na batalha cabia ao reino Ignis?
Pior que isso: Tauros teria que voltar às Montanhas Ignis. Teria que dizer ao Rei Phyro que o príncipe Focus havia morrido no confronto. E, certamente, seria responsabilizado por isso, visto que era o tutor do jovem. Tauros praguejou contra si mesmo por ter sobrevivido ao confronto até ter os pensamentos interrompidos pelo General Milar.

- General Tauros, existe algo que eu possa fazer para ajudá-lo? Se quiser, eu mesma posso dar a notícia à nossa Rainha. Acho que você já terá problemas suficientes ao ter que informar o seu Rei sobre o ocorrido.

General Milar. Uma jovem de voz doce e coração puro. No pior momento, oferecendo-se para assumir metade da cruel responsabilidade que caía sobre os ombros de Tauros. Se o velho General de Ignis não estivesse tão velho e entristecido, talvez até se apaixonasse por Milar.

- Não quero parecer covarde por me omitir de minhas obrigações. Alguém do meu reino deve uma satisfação à sua Rainha – ele disse com firmeza.
- Entenda que a situação que vivemos extrapola todas as formalidades e protocolos. Como vê ao seu redor, os soldados do meu reino estão irritados com sua presença. Não posso garantir que não façam a você algo pior quando tentar chegar ao castelo da Rainha Marla.

General Tauros entendeu e partiu. Consigo, levava mais tristeza do que podia suportar, vergonha, e sete guerreiros de Ignis que haviam sobrevivido. O corpo de Focus não pôde ser levado. Fora carbonizado pelo poderio dos magos inimigos.

***

Castelo do Rei Phyro.

Nunca antes o General Tauros havia sido visto tão cabisbaixo, silencioso, consternado. Sim, ele já havia perdido batalhas. Mas nunca antes a vergonha do fracasso o machucou tanto. Adentrou o castelo sentindo-se indigno de pisar naquele local, mas precisava fazê-lo. Devia uma satisfação a seu Rei.

- Você falhou, Tauros. A segurança do príncipe Focus era sua responsabilidade – o Rei vociferou entre lágrimas.
- Sim, meu Rei. Eu falhei – nunca antes palavras saíram com tanta dificuldade.
- Não nego que devo muito a você, Tauros. Muitas das batalhas das quais saí vitorioso foram graças ao seu comando. Mas você falhou em uma missão crucial. E nada poderá reparar o seu erro.

Silêncio. Tauros aguardava o Rei anunciar que a guilhotina seria seu destino. Mas foi surpreendido por outra sentença.

- Parta, Tauros. Pegue suas coisas, seus pertences e vá embora. Leve armas, suprimentos, dinheiro e suma. Vá embora das Montanhas Ignis e não volte mais aqui enquanto eu estiver vivo. Tenho certeza de que você será aceito em outro reino e lá poderá viver. Mas aqui você não deverá pisar mais.
- Precisarei apenas de poucas horas para preparar tudo. E nunca mais voltarei.
- Que assim seja.

O Rei voltou a concentrar-se nas lágrimas e na dor das saudades. O General Tauros retirou-se.

***

Ao chegar a Aqua-Mare, o príncipe Gonid, herdeiro do trono do reino Solu, viu os sinais de batalha e devastação. Corpos ainda jaziam nas areias da Arena dos Mares, marcas de sangue, restos de cadáveres e pedaços de armaduras de couro ainda estavam ali. Pedindo aos deuses que o pior não tivesse acontecido, ele partiu até o Castelo da Rainha Marla.
Já era noite. Devido aos preparativos para o funeral do príncipe Ector, Sua Majestade não pôde recepcionar o príncipe Gonid. Ele tinha sido recebido por outros membros da corte e devidamente hospedado, junto a seus servos, em um quarto do Castelo. Compreendendo a situação, Gonid aguardava ansioso. Até que foi surpreendido pela visita do General Milar.

- Boa noite, príncipe Gonid – Milar fez uma mesura tímida e sorriu.
- Boa noite, General Milar.

Ambos puseram-se frente a frente para conversar. Milar olhou de relance aos seus servos de Gonid, mas o príncipe assentiu com a cabeça, dando a entender que eles poderiam ouvir a conversa sem problemas.

- Viemos para oferecer nossa ajuda – Gonid começou – Mas parece que chegamos tarde. Lamento profundamente.
- Sim. Nós também lamentamos. Na verdade, nunca imaginamos que os banidos tivessem um exército tão forte. E agora, como já deve ter ficado sabendo, parece que há magos em suas fileiras.
- Sim, General Milar, eu fiquei sabendo. Mas, em verdade, vim aqui por outro motivo.

O príncipe Gonid retirou de seus pertences um empoeirado livro de capa dura. Abriu-o e achou a página que queria. Entregou-o a Milar. Ela leu o conteúdo daquele texto. Era uma profecia ancestral falando sobre dragões.

- Você sabe que dragões são criaturas extremamente poderosas, sábias e longevas – Gonid começou – Suas recentes aparições só podem ser encaradas como um mau presságio. Os dragões não deveriam ser despertos enquanto houvesse equilíbrio.
- Recentes aparições? – Milar perguntou – Que recentes aparições?
- Há poucos dias, um vilarejo longínquo que abrigava os banidos foi atacado por dois dragões. Foi uma carnificina terrível. Ninguém sobreviveu.
- Nossa! Nós aqui de Aqua-Mare não sabíamos disso.
- Sim. Meu Rei foi o único a ficar sabendo e aguardou o momento certo para alertar a todos. A questão é: para que dragões apareçam, um dos quatro símbolos sagrados deve ter sido tirado de seu altar. Verifiquei antes de vir que o “Grão da Centelha”, símbolo sagrado do reino Solu, estava em seu altar.

Sem muita demora, ambos partem até o altar onde a “Serpente Marinha de Pedra”, o símbolo sagrado do reino de Aqua-Mare, deveria estar. E, de fato, lá estava. Ambos saíram do altar e foram, por ordem da Rainha Marla, convocados a prestar suas últimas homenagens ao príncipe Ector.
Talvez, pensava Milar, fosse o momento de visitar seus parentes distantes: os elfos."

Continua dia 16 de maio. Até lá, confira aqui mais sobre o trabalho do Jacó.

0 Blá blá blá!:

Postar um comentário

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Facebook Themes