quinta-feira, 19 de maio de 2011

Forjado a Fogo - Um mundo, muitas Histórias


Abro aqui então uma nova coluna no Dragões do Sol Negro, um novo mundo, mas que será descrito através de muitas histórias. Para iniciar a primeira do conto que dá nome ao mundo, depois que as duas partes estiverem aqui irei detalhar classes, região, e divindades contidas no conto, então depois um novo conto e mais detalhes e assim por diante, quem quer ingressar neste mundo severo e forjado a fogo?




- Que comecem os julgamentos! – Gritou o sacerdote cercado por seus soldados, tendo os cinco prisioneiros ajoelhados e amarrados a sua frente.
Fora uma noite longa a que se passou na pequena vila de Tzein ao norte da fortaleza de Saragok, na fronteira entre o reino de Manak e o Império de Hoalthar. A vila estava abrigando naquela noite uma pequena tropa de soldados da Aliança, a qual se dirigia a Saragok para reforçar a guarnição do forte, porém na mesma noite um grande número de soldados do Deus Único, vindos das terras do Império, caiu sobre a vila. Como eles passaram pelo forte ninguém sabia, e a situação dos prisioneiros naquela manhã era critica demais, e ninguém se importava com o que realmente acontecera.
O sacerdote no comando das tropas não queria correr o risco de carregar consigo soldados prisioneiros, poderiam ainda ser atacados no meio da viagem de volta e aqueles soldados com certeza reforçariam as forças de seu inimigo, então decidiu realizar ali mesmo o julgamento e proferir a sentença dos soldados. Enquanto o povo comum seria levado a julgamento em Hoalthar, longe do perigo de um ataque da aliança.
- Por terem cometido crimes de heresia e atrocidades contra a religião de Taeglin, o Deus Único que reina absoluto nos céus vocês serão julgados! Seus crimes contra os soldados de Taeglin serão punidos nesta manhã, e nenhum de vocês terá a salvação. Porém como lei de nosso todo poderoso Deus Único, devo oferecer a vocês a absolvição de todos os seus pecados contra a fé verdadeira! É claro se demonstrarem arrependimento genuíno, e jurarem seguir fervorosamente os ensinamentos de nosso todo poderoso Taeglin. Qual a sua decisão?
- Nenhum dos homens aqui ao meu comando tem do que se arrepender! – Mesmo cansado e humilhado pela derrota o capitão, um cavaleiro do reino de Beliriand chamado Andréas Trevias respondeu ao sacerdote de maneira ácida. – Você chama de pecado defender o povo inocente dos abusos e massacres que os servos de seu Deus cometem em nome dele? Você chama de heresia nascer diferente? Ser de outra raça? – Um tapa calou a boca do cavaleiro e logo ele foi atirado de costas ao chão.
- Heresia! Blasfêmia é o que sai da sua boca cão devoto de deuses diabólicos! Eu agora repito a pergunta! Há alguém aqui que se arrepende honestamente de seus pecados?
- Sim sacerdote! – Gritou Jael, um soldado que há muito seguia as ordens de Andréas. – Eu me arrependo e não quero morrer! – Incredu-lo o capitão ainda deitado olha para seu subordinado fazendo sinal de não com a cabeça.
- Posso ver em seus olhos! – Gritou novamente o religioso. – Sim eu posso ver! Irmãos vocês também estão vendo o que eu vejo? – Desta vez olhava ao redor, dirigindo-se a cada soldado que até ali o seguira. – Vejam irmãos a personificação do mal puro que as divindades deles representam! Posso ver em seus olhos o medo da morte e que não há arrependimento em sua decisão, apenas a covardia!
- Não! Eu digo e juro ao senhor que estou arrependido!
- Cobra mundana! Destila teus venenos no corpo deste herege! Irei dar-te a minha sentença criatura vil! Não terás a purificação de sua alma, irá ao encontro do criador com as manchas podres que apresentas aqui nesta vida! Levem ele daqui e dêem a esta víbora o que ela merece!
Neste momento dois homens vestidos em túnicas brancas arrastaram Jael dali para dentro de uma casa, e de lá apenas os gritos do homem poderiam-se ouvir. O sacerdote parecia feliz, o primeiro herege fora executado, mas tinha de salvar pelo menos uma alma. Foi neste momento que ouviu o choro abafado de Kalistos, um rapaz de dezesseis anos que servia de escudeiro a Andréas. Dirigindo-se até o capitão ainda caído pisou em seu braço na tentativa de ouvir algum som de agonia sair do veterano, mas nada ouviu. Então voltou seu olhar novamente para Kalistos.
- Aqui sim posso ver o arrependimento. Vamos criança! Taeglin diz que todos merecem uma segunda chance de ver o que é certo, eu poderei dar esta segunda chance a você, basta que me diga que se arrepende.
- Não faça isso Kalistos! Saia de perto dele cão! Se encostar nele juro que irá pagar caro, juro por Taito que reina nos céus! – Gritou o capitão ao ver que o sacerdote se dirigia até seu filho.
- Heresia! O demônio que cultua não recebe juramentos de criaturas nefastas como você cavaleiro! Eu darei a esta criança uma segunda chance, basta ela querer. Vamos menino diga que se arrepende e que de agora em diante seguirá os ensinamentos de Taeglin!
O menino chorava cada vez mais, não queria morrer e muito menos trair seu próprio pai se aliando ao inimigo.
- Vejo a indecisão em seus olhos, sim eu vejo. Irei auxiliá-lo a se decidir. – A um sinal das mãos do sacerdote um dos soldados cortou a túnica de Kalistos deixando-o com o peito despido. – Taeglin senhor e salvador ajude-me a salvar esta alma, e dar a ela uma ajuda a encontrar o caminho certo. – Ao terminar sua oração o clérigo estendeu a mão e esta começou a iluminar-se com um brilho vermelho, o qual a cada segundo ficava mais intenso. – Vamos criança diga o que Taeglin deseja ouvir.
O sacerdote tocou o peito do menino que gritou, o rosto transfigurou-se em uma mascara de dor e o cheiro de carne queimada encheu o ar. Deitado Andréas tentava se soltar. Junto ao filho gritava, mas de nada adiantava.
- Vamos criança diga, com a graça de Taeglin decida-se agora!
Kalistos resistiu por algum tempo, mas a dor era insuportável para ele e então gritou.
- Eu me arrependo senhor! Por favor, eu me arrependo!
No mesmo instante o sacerdote retirou sua mão do tórax do menino, e com um grande sorriso no rosto olhou para todos ao redor.
- Irmãos! Salvamos mais uma alma dos desígnios sombrios e mesquinhos dos auto intitulados Deuses de nosso mundo!
- Desgraçado! Cão sarnento! Vai me pagar caro por ter feito isso ao meu filho! Prometo que mesmo que me mate encontrarei uma forma de voltar e acabar com você!
- Seu filho cavaleiro! Não, ele não é mais seu filho! Agora pertence à Taeglin, e você pertence ao Deus Único também! E quando encontrá-lo do outro lado com certeza nosso senhor irá mandá-lo para o fundo dos nove infernos! Minha sentença é única, levem a criança e as pessoas da vila para o forte de Kodesh, lá eles serão julgados e sentenciados se assim for decidido! Os soldados devem ser decapitados e seu capitão, sim o capitão deverá assistir a morte de todos os seus comandados, e depois ter sua alma purificada pelo fogo para então apresentar-se a presença de Taeglin!
E assim foi feito, os soldados um a um decapitados a frente de Andréas, enquanto as pessoas e seu filho eram levados em fila para fora da cidade. O sacerdote olhando em seus olhos fez uma oração e despediu-se, após os soldados de branco o carregaram para a fogueira. Os gritos de agonia de Trevias ecoaram atrás da procissão de prisioneiros enquanto estes eram levados pelo caminho de volta ao império do Deus Único.
********
Dizem que quando estamos próximos da morte nossa vida passa rapidamente perante nossos olhos, o mesmo aconteceu com Andréas. O fogo parecia não mais queimar, a dor não existia, seus gritos cessaram e em sua mente diversas imagens se passaram.
- Pai, eu serei o mais valoroso dos cavaleiros! – Andréas tinha apenas 10 anos quando disse ao pai que desejava seguir a mesma trilha que ele.
- Não! Não desejo este futuro a você meu filho, quero que cresça num mundo sem guerras, e que possa viver sem ver o que vi. – Diferente de muitos pais Kadarn não sentia orgulho de ser o que era, e nem de o filho querer ser igual a ele, mesmo sendo um cavaleiro.
- Mas pai é o que eu quero!
- Já disse Andréas, você não será cavaleiro!
Agora Andréas entendia seu pai, mesmo sendo respeitado pelo que era, trazia em si a amargura do guerreiro, aquele que vê os campos de batalha apenas como áreas de morte e dor, mas ao contrario de Kadarn apoiou seu filho Kalistos quando este quis entrar para a cavalaria.
O momento em que o guerreiro fugiu de casa, a preocupação nos olhos do pai quando o encontrou entre os cavaleiros tendo sido aceito como escudeiro e aprendiz. A dor nos olhos da mãe quando finalmente partiu para aprender seu novo oficio, tudo passou rapidamente até o dia de sua nomeação. O cavaleiro Andréas Trevias finalmente volta para casa, seu pai esta doente na cama e a mãe chorando ao lado. Kadarn a final lhe dá a benção e Andréas chama aquele dia de um dos mais felizes de sua vida, e também o mais triste, pois foi o ultimo dia de seu pai entre os vivos.
Sua primeira missão é concedida e executada, três anos guardando as rotas comerciais entre os Reinos de Tebas, Narsel e Beliriand. Neste período conheceu Eleanore, com ela casou-se e teve um filho. Então fora enviado para as guerras no sul, Eleanore acompanhou-o, todo o crescimento de Kalistos ele pode presenciar, até o dia em que o filho então com doze anos pediu para ser cavaleiro. Andréas enviou o pedido a ordem e pode ver a alegria nos olhos do filho, quando este descobriu que fora aceito para acompanhar seu pai na campanha contra o Deus Único.
- Morte e vida Andréas, ou vida e morte!
Entre as chamas o cavaleiro pode ver uma pessoa, não sabia quem era ou mesmo o que era.
- Vi você fazer um juramento soldado, e vim aqui apenas para saber se era verdadeiro!
- Sim! – Quase sem forças Andréas conseguiu ainda falar.
- Não posso ouvi-lo direito, vejo que agoniza frente às feridas que suporta. Posso resolver isso agora mesmo e então poderemos conversar. – Com um gesto do estranho as chamas se apagaram e a dor de Andréas cessou.
- Quem é você?
- Pergunta mais comum não há? Acho que não cavaleiro. Bom quem sou não importa, seria uma resposta mais que bem vinda, assim como a oferta que desejo fazer a você.
- Preciso saber quem é você! – Apenas sussurros saiam da boca do cavaleiro, a voz completamente enfraquecida.
- Eu sou quem pode lhe garantir honrar seu juramento, acho que isso é o que importa.
- Como?
- Perguntas e mais perguntas, e ainda todas previsíveis, vamos cavaleiro apenas cale-se e ouça! – O estranho parecia divertido com a situação. – Posso dar a você os meios de vingar-se, sei sua próxima pergunta seria por quê? Bom por que é o que eu desejo também, vingança!
- Quem é você? – Desta vez Andréas conseguiu gritar.
- Já disse, quem sou não importa. Quer vingar-se não quer?
- Sim, eu quero!
- Isso é um começo, porém receber o poder que tenho a lhe dar trará algumas conseqüências.
- Pode me dar a vingança?
- Sim, eu posso sim!
- Então não importa o preço!
- Bom ouvir isso Andréas Trevias, você será minha espada frente aos exércitos do Deus Único! Dará a mim o que meus irmãos não puderam dar até agora. Vingança!
Falando isso o estranho tocou a testa de Andréas, seus olhos sem pálpebras e o rosto sem expressão pelas queimaduras impostas pela fogueira apresentaram uma sutil mudança, não eram mais as feições belas e altivas do cavaleiro, ou mesmo a expressão dolorida e sofrida do homem queimado, algo mais existia ali. O poder divino fora demais para a mente mortal do homem, então fora extirpada no processo de tornar mais poderoso aquele que seria usado como instrumento dos Deuses, ou melhor do Deus Demeroff, pai dos elfos de olhos vermelhos.
- Meus filhos foram dizimados e expulsos de seu lar, agora você meu fiel assassino irá castigar aqueles que nos fizeram sofrer. – Demeroff olhava para Andréas que agora solto corria quase nu para ir a caça de seus inimigos.

*********

Aqui termina a primeira parte, deixe seus comentários sobre o que leram e semana que vem vejam a próxima parte.

2 Blá blá blá!:

JonesVG disse...

Tenho de mudar a assinatura do Blogger, tá saindo com a assinatura de um blog muito antigo que eu tinha.

Rogério "Monge da Dungeon" disse...

Show!

No aguardo da continuação!

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