segunda-feira, 18 de abril de 2011

Os quatro reinos - Parte 3

Olá, amigos. Hoje, Jacó Galtran, nos traz a terceira parte da saga "Os quatro reinos". Espero que apreciem e comentem.
Parte 1 - Parte 2


Os quatro reinos - Parte 3

"Depois de alguns dias de viagem, o exército de Ignis chegava até a ...
primeira frente de defesa da principal cidade de Aqua-Mare. Ficava posicionada em uma clareira circular a poucos quilômetros do oceano. Pela forma como o exército estava posicionado, o ataque só poderia vir das águas – o que exigiria embarcações que fatalmente seriam vistas sem dificuldade – ou do lado oposto, onde ficavam as fronteiras naturais que demarcavam os limites do reino. Era uma gigantesca cascata ladeada por uma parede pedregosa. A água que escorria lá de cima vinha de um riacho que ladeava a floresta que ficava nos limites de Aqua-Mare. Por questões geográficas, o mais provável seria que o inimigo viesse por ali.
Por ali também chegou o exército liderado pelo jovem Focus. Atrasado, pois a densa vegetação do trajeto o surpreendeu. A luz do sol quase não penetrava naquela trilha de mata fechada, retardando demais o avanço. Não fosse Tauros, nunca teriam chegado ao lugar conhecido como a Arena dos Mares.
Tauros conhecia muito bem a Arena. Havia lutado muitas batalhas ali, mais do que podia se lembrar. À medida que ia aproximando-se das tropas de Aqua-Mare e visualizando aquela região, permitiu-se ficar alguns minutos pensando. “Quem vê este lugar, este mar calmo, esta água escorrendo pela cachoeira, não imagina quanto sangue já foi derramado aqui”. Enquanto se perdia em suas reminiscências, uma voz o surpreendeu.

- Bem vindos, guerreiros das Montanhas Ignis - bradou um guerreiro com uma armadura prateada feita de escamas.

O jovem tinha consigo um sabre dentro da bainha. Ao tirar seu elmo, seu semblante gentil misturou-se à expressão de firmeza.

- Vejo que você cresceu, jovem Ector. Espero que tenha aprimorado seu grande talento – General Tauros mostrou ter reconhecido o jovem.
- Agradeço a gentileza, nobre General e esteja certo de que me dediquei ao meu aprimoramento tanto quanto possível. Desculpe a rudeza, mas o momento não nos permite muita conversa. Por que o Rei Phyro os enviou?

A esta altura, grande parte das tropas das Montanhas Ignis já descia a parede de rochas e chegava à Arena dos Mares.

- Meu Rei acredita que o pérfido Hiago possa estar no comando dos banidos, o que faria com que a responsabilidade pela derrota dos miseráveis também fosse nossa. Mas ressalto, antes que me faça mais perguntas, que não é comigo que você deve conversar. O príncipe Focus é que está no comando das tropas.

- Ele está realmente pronto? – Ector não conseguiu disfarçar a surpresa – Meu General deixou escapar em uma conversa com meu pai que ele tem se mostrado indisciplinado e impulsivo. Não quero parecer deselegante, General Tauros, mas acha mesmo que o príncipe Focus já está pronto?
- Meu pai é o Rei e as decisões dele não devem ser questionadas – Focus vociferou, surpreendendo a todos.

A aquela altura, todos os soldados de Ignis já se encontravam na Arena dos Mares. Cumprimentaram os guerreiros de Aqua-Mare e ficaram aguardando ordens.

- Espero que use toda essa energia no combate – o príncipe Ector sorriu em resposta – Agradeço pela ajuda e espero que tenha a sabedoria necessária para comandar as tropas.

O príncipe e os outros guerreiros de Aqua-Mare mergulharam no oceano. Era uma tática de batalha ancestral dominada pelo povo daquele reino. Guerreiros com habilidades de lutar embaixo da água posicionavam-se sob ela. Assim, podiam atacar embarcações, surpreendendo seus tripulantes, ou chegar subitamente caso o confronto ocorresse nas areias. Dizia-se que havia mais habilidades místicas ligadas ao contato com a água que aqueles guerreiros possuíam, mas ninguém sabia o quanto daquilo era verdade.
Eles formavam a famosa Corrente Azul.

- Essa é a tão comentada Corrente Azul? – Focus questionou Tauros.
- Sim – o General respondeu, como um professor elucidando um aluno – A força de elite das tropas de Aqua-Mare. Guerreiros especializados em atacar mesmo estando camuflados. Alguns, sob as águas, ocultos pelas ondas. Outros, escondidos em meio à parede de rochas que descemos. Se eles quisessem, poderiam ter nos assassinado enquanto descíamos e nós não teríamos tido nenhuma chance de defesa.
- Como? – Focus surpreendeu-se.
- Príncipe Focus. Chegou a hora – Tauros desviou o assunto – Hoje repousa sobre seus ombros o fardo da liderança. Liderará dois exércitos que devem ser um. Comandará tropas que possuem habilidades, filosofias e estratégias de guerra diferentes. E, mesmo assim, terá que torná-los uma força de batalha coesa. Lidere com firmeza e sabedoria. Lembre-se que você depende deles, tanto quanto eles dependem de vocês.

O príncipe assentiu com a cabeça. Gesticulou aos muitos soldados para que se aproximassem. Eles se moveram em direção a ele seguindo um padrão de movimentação pré-definido. Alguns guerreiros de Aqua-Mare (que não faziam parte da Corrente Azul) também estavam ali.

- Irmãos! Até a chegada do inimigo, teremos que acampar. Proponho um revezamento a cada cinco horas entre aqueles que vigiarão. Preciso que os arqueiros posicionem-se na parede de pedras, dando suporte aos que ficaram aqui embaixo patrulhando com armas de batalha corpo-a-corpo.

Assim se seguiram mais e mais orientações. Tauros observava tudo calado, torcendo para que aquilo desse certo.

Amanhecia. Um dos muitos batedores espalhados pelas cercanias da Arena dos Mares trazia o aviso da chegada dos banidos. Vinham não do mar, nem da floresta que trazia à cascata, mas do lado oposto – o interior do reino.
Tauros terminava de vestir sua imponente armadura. Ao sair da tenda onde acampava, percebeu que a batalha já havia começado – e seguia feroz. Os arqueiros retesavam as cordas e disparavam velozmente, abatendo sem esforço os banidos que avançavam. Pelo lado oposto, os guerreiros que aguardavam sob as águas saltavam de seus refúgios, surpreendendo os oponentes.
Focus berrava aos soldados de Ignis que lutavam corpo-a-corpo, que não abandonassem a formação. O próprio príncipe atacava com selvageria, mas dentro de um padrão estratégico previamente designado. Os banidos que resistiam ao ataque frontal eram vitimados pelos ataques laterais – alguns vindos dos arqueiros, outros dos guerreiros que estavam submersos.
Tudo corria bem. Mas foi por pouco tempo.

***

Explosões misteriosas na parede de pedras fizeram muitos arqueiros caírem na cascata. Descendo velozmente pela parede, um grupo de banidos surpreendeu os arqueiros que ainda resistiam e os derrotaram sem grande esforço. E foram descendo.
Explosões vieram de mais direções, fazendo subir uma estranha poeira que fez as tropas saírem de formação. E mais banidos surgiram. A batalha corpo-a-corpo pelo chão ficou equilibrada. Os invasores golpeavam com fúria e selvageria; os guerreiros de Ignis e Aqua-Mare respondiam com disciplina e bravura. Mas a formação começava a ser quebrada à medida que os banidos vinham descendo da parede e atacando pelo flanco.

- Focus, o que vai fazer? – Tauros berrou.

O príncipe moveu-se em direção ao flanco, de onde vinham os novos inimigos que desciam a parede de pedra. Com ele, vários soldados de Ignis. A mudança de posicionamento quebrou a formação. O restante dos guerreiros, incluindo os de Aqua-Mare, ficou em desvantagem contra os banidos que atacavam pela frente.
Tauros e o príncipe Ector tomaram a dianteira, rasgando armaduras, carne e estocando sem piedade. Inimigos caíam, mas também caíam os aliados. Já havia mais corpos do que se podia contar, e a desvantagem de Tauros e dos demais era nítida. Mais explosões ocorreram, acabando com qualquer organização dos lutadores.
Focus e seus comandados iam, com dificuldade, dizimando os adversários que atacavam pelos flancos. Em meio ao confronto, o príncipe impetuoso quase não sentiu nada quando um talho foi aberto em seu antebraço devido a um violento golpe desferido por um oponente. Os banidos iam caindo, mas levando junto vários soldados de Ignis.
Tauros viu seu grupo em grande desvantagem e berrava a Focus para tentar refazer a formação, ou para recuar até ele, reagrupando todo o contingente que restava, mas não era ouvido. Mesmo lutando com bravura, ele sentiu o aço rasgando seu ombro e o cabo de uma espada chocando-se contra a lateral de seu elmo.

E desmaiou.

***

Tauros acordou como quem despertava de um terrível pesadelo. Aturdido e ainda sangrando, sentou-se no chão tentando lembrar o que aconteceu. Olhou ao seu redor e o que viu foi o saldo do morticínio. Corpos vítimas de variados tipos de morte jaziam sob as lágrimas silenciosas dos soldados sobreviventes. Todos eles fitavam Tauros com olhares que mesclavam tristeza e desaprovação. O General de Ignis levantou-se com dificuldade e procurou Focus.

Mas quem apareceu para ter com ele foi o General Milar.

- General Tauros. O senhor está bem?
- Não muito, General Milar.

Ambos caminharam uns poucos metros a fim de se afastar um pouco dos demais soldados.

- Vencemos a batalha? – Tauros perguntou.
- Sim, mas a um custo muito alto.
- Como vencemos? Até o momento que consigo lembrar, o panorama estava totalmente desfavorável. E o que eram aquelas explosões?
- Tínhamos mais um contingente de soldados submersos. Eles emergiram no pior momento, garantindo a vitória. Quanto às explosões... Magia.

Ambos se olharam pasmos.

- Sim, magia – disse o General Milar – Mas o fato de o inimigo ter recursos arcanos não é nem de longe a pior coisa que aconteceu hoje – lágrimas escorreram no rosto da jovem.
- O que aconteceu?
- Os dois príncipes. Estão mortos."

Continua dia 02 de maio. Mais sobre o trabalho do Jacó clicando aqui.

1 Blá blá blá!:

Dragões do sol Negro disse...

Esse acho que é o melhor que já li seu, muito bom Parabens!

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