segunda-feira, 4 de abril de 2011

Os quatro reinos - Parte 2

Olá, amigos. Hoje nosso amigo Jacó Galtran nos traz a continuação da saga "Os quatro reinos". Espero que apreciem e comentem. Caso ainda não o tenham feito, leia a primeira parte aqui.



Os quatro reinos - Parte 2

"Em Aqua-Mare, o exército estava todo organizado e prestando atenção às palavras do General Milar.



- Atenção, guerreiros. Mais uma vez, estamos sob ataque dos “banidos”. Mas desta vez, o ataque inimigo vem de forma organizada e isso preocupa Sua Majestade, Rainha Marla. E como parte de um acordo de cooperação recentemente feito com o reino Ignis, nosso exército contará com o apoio de parte das tropas daquele reino. E seremos liderados pelo príncipe Focus.

Esta informação deixou os homens mais experientes um pouco abalados. Apesar da distância, já chegavam a Aqua-Mare boatos de que o príncipe Focus estava decepcionando seu pai nos treinamentos e não mostrava a firmeza necessária para ser comandante de um exército. Houve um início de balbúrdia quando todos começaram a murmurar entre si, protestando contra a decisão e balançando a cabeça em negativa. Só não houve um início de confusão, porque o pulso firme do General Milar não permitiu.
Apesar de ser chamada de “O General”, Milar era uma mulher. Guerreira nata, estrategista experiente e conselheira conceituada no reino, ela era uma mulher de compridos cabelos brancos, com 236 anos (dizia-se que ela possuía sangue de elfo), olhos azuis e beleza capaz de rivalizar com uma fada. Trajava uma armadura imponente, mas que destacava partes de seu corpo sinuoso. Em suas delicadas mãos, um arco.
Ao lado dela, o futuro rei de Aqua-Mare, o príncipe Ector. Jovem e impetuoso, era de todos os quatro príncipes o mais habilidoso no manuseio de armas. Além disso, sempre se mostrou sensato e consciente da responsabilidade que tinha como futuro monarca. Por isso, desde pequeno dedicou-se de coração a seus treinamentos, o que o tornou um guerreiro no sentido mais pleno da palavra. E a maior prova de sua sabedoria era o fato de aceitar ser comandado pelo General Milar, mesmo estando, em teoria, acima dela na hierarquia.
E naquela batalha, ambos seriam liderados pelo príncipe Focus.

***

Contrastando com a belicosidade dos outros povos, os habitantes do reino Solu viviam vidas simples, rústicas, totalmente rurais. Incontáveis trabalhadores braçais percorriam os extensos hectares de terra recolhendo grãos dos mais variados tipos. Numerosos camponeses cruzavam os terrenos férteis semeando várias espécies de alimento, e adubando as plantações. Pessoas de todas as faixas etárias se encarregavam de regar as quilométricas lavouras, ainda que as chuvas periódicas que caíam ferozes nas tardes de verão fossem mais eficazes para isso.
Assim era o reino Solu. Conhecido pelo seu imenso potencial agrícola, sua produção de alimentos batia recorde a cada nova safra. A terra da região era muito fértil, possibilitando várias colheitas em um único ano. O excessivo número de alimentos era comercializado para os outros reinos. Dezenas de carroças carregando sacas de milho, trigo, soja e de inúmeros vegetais cruzavam o reino a cada mudança de estação levando a outros povos o que para o reino Solu era supérfluo. Os estrangeiros não apenas deixavam grandes quantias em dinheiro, mas também produtos que só em seus respectivos reinos podiam ser encontrados. O povo de Aqua-Mare, por exemplo, costumava trocar grãos, legumes e cereais, por toneladas de peixes – que eram abundantes em seu reino, mas inexistentes em Solu.
Entre todas as permutas e acordos financeiros do reino Solu, destacava-se o tratado de cooperação mútua com o reino Ignis. O reino do fogo era sabidamente aquele que possuía o mais numeroso e poderoso exército do mundo conhecido. Mas o grande número de vulcões do reino tornava o clima árido e o solo impróprio para plantações de grandes proporções. Por isso, o reino Solu costumava fornecer uma porcentagem considerável de suas safras para o reino Ignis. Em troca, o reino do fogo fornecia um elevado contingente de soldados para fortalecer as tropas do reino Solu.
Por isso, a notícia de que o exército dos “banidos” estaria se fortalecendo cada vez mais assustou as lideranças Solu. O rei Gaia sabia que se o reino Ignis fosse atacado por um exército poderoso demais, talvez eles solicitassem de volta seus soldados que estão no reino Solu. Mais do que isso, Gaia temia que o reino Ignis não fosse capaz de vencer essa ameaça. Talvez por isso, o príncipe Gonid, primogênito de Gaia, estivesse conversando tão preocupado com seu pai.

- Meu pai. Eu conversava com alguns anciãos do conselho... Será que não deveríamos enviar alguns soldados para ajudar o povo de Aqua-Mare contra os “banidos”?
- Eu não sei, meu filho. Entendo sua preocupação, mas o povo de Aqua-Mare será liderado por Focus, príncipe de Ignis. Eles são guerreiros bravos e orgulhosos, podem não gostar de nos intrometermos sem sermos solicitados.
- Mas poderíamos ao menos nos oferecer. Sei que também seria errado se nós nos precipitássemos, mas é que eu não consigo ficar aqui parado vendo tudo isto acontecendo.
- Você tem um coração nobre, meu filho, e receio que você esteja certo. Os quatro reinos vivem cada um com sua responsabilidade, mas todos juntos em um delicado equilíbrio. Se um dos reinos cair, o equilíbrio será comprometido, e os outros reinos inevitavelmente também cairão.
- Quero pedir sua autorização meu pai. Peço que me autorize a viajar ao reino Ignis. Assim que o príncipe Focus voltar vitorioso da batalha em Aqua-Mare, quero conversar com ele e demonstrar meu desejo em colaborar. Por mim, pelo senhor, pelo reino Solu, por todos os reinos... Quero fazer alguma coisa.
- Tem minha autorização filho. Só nos resta torcer para que o príncipe Focus realmente conduza o reino Aqua-Mare à vitória.
Lentamente, o sol se punha. O príncipe Gonid, herdeiro do trono de Solu, colocava cuidadosamente as velas nos candelabros. Seu rosto pensativo despedia-se da luz solar que abandonava o horizonte. Sob a débil luz das velas, Gonid olhava para aquele livro de capa dura do qual as profecias tanto falavam. Mais do que imaginar os segredos nele contidos, queria saber até que ponto ele poderia ajudar a salvar vidas, destruir exércitos, decidir guerras. Por mais que se esforçasse, não criava coragem para abrir o livro. Guardou-o na estante, misturando-o aos demais. Encostou a cabeça na estante empoeirada como quem faz uma oração, e desejou boa sorte ao príncipe Focus.

O sol havia sumido do horizonte."

Dia 18 de abril, Jacó volta com a continuação. Mais sobre o trabalho do Jacó você confere aqui.

1 Blá blá blá!:

Jorge disse...

Muito legal!

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