quarta-feira, 27 de abril de 2011

Narsat, O escolhido

Narzat, o Escolhido
Por Ederson Hammes
  
Tinha sete anos quando seu pai desaparecera. Sua família era simples e vivia do próprio trabalho no campo. Plantavam cereais e tinham seus animais para garantir leite e ovos frescos. O pai também era um caçador, não dos melhores, mas garantia algumas perdizes ou cervos de tempos em tempos.
Narzat era o quarto filho de uma família de cinco irmãos. Sua mãe havia tido recentemente mais um aborto, que todos compreenderam como um mau presságio, mas não sabiam o que significava. Até o desaparecimento de seu pai. Os filhos e a mãe tiveram muito trabalho com esse sumiço.
Às vésperas de seus 12 anos, no entanto, o pai voltou para casa. Contou uma história de um rapto por uma criatura estranha. Revelou que não tinha lembranças e que foi salvo por homens destemidos. Organizou sua família e foram ao encontro de seus salvadores para lhes servir em gratidão. Assim, Narzat foi para Aurora.

Os campos nesta vila são abençoados. Essa família nunca viu bagas tão recheadas de grãos nem plantas que crescem tão rápido. O povo comenta que até os animais e as pessoas são mais férteis aqui. A família de Narzat ganhou dois irmãos em menos de três anos.

Tudo se deve, assim os camponeses acreditam, ao poder de Êhlonná, a Senhora da Floresta e Mãe de Toda Vida. Em tempos de semear o druida local, George, abençoa os campos clamando a sua Deusa com belos cantos, danças e orações. E tudo ia muito bem na vida do povoado, mesmo com as coisas estranhas que se via acontecer no Morro do Tormento e dentro das paliçadas da vila.

Em um final de inverno, a poucos dias da primavera, todos estavam envolvidos em preparar a terra para receber as sementes da nova colheita. Havia sol, mas um vento frio soprava suavemente. Narzat sentiu suas pernas perderem o controle e sua visão ficou turva, suas mãos amorteceram e ele apagou. As pessoas se assustaram, pois o viram cair e estrebuchar como se estivesse com o corpo cheio de pequenas explosões interna.

Sua mãe, desesperada, pediu para um menino correr e chamar o druida. Quando George chegou Narzat estava de dar pena, todo ferido de pular e se arrastar pela terra. Imediatamente aquele enviado da Deusa começou a citar palavras desconhecidas e colocou uma das mãos no ventre do garoto que se aquietou no mesmo instante e fechou os olhos. Aí aconteceu algo que nem mesmo ele poderia esperar!

O garoto abriu os olhos, mas eles estavam completamente brancos. Ajoelhou-se e colocou a cabeça de George entre suas mãos e disse numa voz etérea e feminina:

— Meu filho amado e fiel! Preciso de um refúgio. Rápido, minhas forças precisam de amparo. – Mais uma vez desmaiou.

George havia sumido desde aquele dia e pediu antes que cuidassem do menino e tranquilizou a todos que tudo ficaria bem. E lá estava ele abençoando os campos quando Narzat apareceu porta a fora. Ele acordou ao nascer do sol do primeiro dia da primavera. Não tinha recordação de nada que havia acontecido, apenas revelou ter sonhado com uma senhora, de aparência muito tranquilizadora e ocupada.

O druida explicou que Êhlonná o havia usado como refúgio. Que o liberou no início da primavera porque devia estar se sentindo mais forte. Então George o convidou para ser seu discípulo e aprender os segredos dos druidas. Narzat estava assustado e não tinha certeza de sua vontade, mas respondeu positivamente.

Reunindo os trabalhadores do campo, George discursou sobre os acontecidos no campo:

— Nossa Mãe e Senhora se dirige a nós. Ela nos pede sua ajuda, Ela que tanto nos ajuda com seus frutos e sustentando nossas vidas. Devemos construir para ela um lugar em que possa se fortalecer antes que o próximo inverno chegue. Ela irá indicar o local e nós, seus filhos a presentearemos com um templo, o Templo da Floresta, lá ela poderá se abrigar e de lá emanar seu poder que fortalecerá o nosso trabalho e nossas vidas.

Um a um deram seus votos de apoio aclamando a ideia. As mulheres formaram uma roda e começaram a cantar e dançaram pela força que preenche a semente a torna alimento para todos os seres viventes.

Quando o primeiro broto apareceu no campo, George descobriu o local para o templo. Era uma clareira que ficava a pouco mais de uma hora de caminhada para dentro da floresta. Todos foram ajudar no trabalho, intercalando sua dedicação entre o cuidado com a plantação e a construção. Primeiro fizeram um monte de terra circular. Devia ter a altura de um homem e media setenta passos de um lado a outro. O druida encontrou as oito árvores mais antigas da floresta e elas foram utilizadas para energizar o Templo.

Os troncos escolhidos foram dispostos de modo a desenhar os limites do trajeto da lua e o alinhamento do nascente inicial e poente final do sol da primavera. Quando enterrados novamente, essas hastes lançavam-se como se fossem dedos apontando aos céus. Eles tinham a altura de quatro homens. Ou pelo menos davam essa impressão.

Assim, George revelou a Narzat, a energia da Deusa da Lua e do Deus Sol seriam apreendidas e utilizadas por Êhlonná em seu período mais forte. Na verdade, foi aplicado o conhecimento antigo da sabedoria druídica considerando a forma circular, a ausência de teto ou de paredes. Esse é um modo de fazer as forças da natureza e dos astros se harmonizarem e se acumularem no templo.

Narzat aprendeu o significado de toda simbologia em torno do templo e foi iniciado no conhecimento dos druidas. Em poucos meses quase dominava o idioma druídico e já conseguia realizar algumas magias mais simples. Também aprendeu diversas orações e canções em honra a deuses menores, seguidores da Senhora da Floresta, e principalmente à própria Êhlonná.

Seu aprendizado era pura felicidade para o garoto e o druida. Diante de tantas atribulações, a rapidez com que Narzat aprendia era um conforto para George.

A inexorabilidade da vida, no entanto, traga muitos indivíduos sem dar satisfação.

Em uma investida ao centro do Morro do Tormento, George foi morto. Narzat ficou angustiado e aterrorizado. Sua fé balançou. – Por quê, por quê? – Indagava ele aos berros no Templo para sua Deusa. Não sabia o que estava por acontecer. Seu ensinamento, o Templo, os campos, a empreitada pelo restauro de Êhlonná, tudo estava em risco agora. Total desespero.

Ninguém, entre os deuses, contudo, tem o coração mais compassivo que a Senhora da Floresta. Enquanto se lamentava, Silvéster, o tigre de George, apareceu junto a ele e se deitou. O garoto observou o animal e estava prestes a direcionar seu lamento a ele, mas percebeu que o olhar de Silvéster era desafiador. Estremeceu inteiro e ficou imóvel. O tigre rugiu, levantou e foi para a floresta. Antes de desaparecer entre as árvores, voltou-se e encarou Nazrat mais uma vez. Mal sabia o garoto que aquele animal não o deixaria abandonado tão cedo.

E foi nesse momento que aquele jovem, escolhido pela Deusa, tomou sua decisão. Protegeria aqueles campos e a floresta. Manteria o Templo da Floresta e sua fé a Êhlonná buscando um meio de ajudá-la a restaurar suas forças.

6 Blá blá blá!:

Rick disse...

Ótimo post! Muito bem feito!! Parabéns!!!
@LuizH_Rick

Dragões do sol Negro disse...

Que bom que gostou. Nós agradeçemos.

Igor disse...

Cheira a backgroud novo! hehe
Ficou bom Eder, mais druídico, arcoiristico e naturalista que isso, só se vc fosse hippie =)

reforçou mto bem as crenças e a cultura druídica! tenho certeza que muitos ai jogam com essa "classe" mas os conceitos são tão pequenos e limitados que chega a ser chato de ver o cara jogando.


Ainda quero ver vc montando um Palada hein!

Kalahan disse...

Eu também quero isso =D

Igor disse...

fui incoerente com o comentario anterior hehe (ignore o "certeza")

Eder disse...

Vlw! Que bom que gostaram. Forte inspiração dos livros de Bernard Cornwell aí. Principalmente "Stonehenge".

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