segunda-feira, 21 de março de 2011

Os quatro elementos - Parte 1

Olá, amigos. Hoje, Jacó Galtran deixa de lado um pouco o material RPGístico para dar início a uma nova série longa (ou nem tão longa assim...). É a saga "Os quatro reinos".

Espero que apreciem e comentem.



Os quatro reinos - Parte 1

"Há muitos anos atrás existia um mundo feliz. Cidades prósperas entrecortadas por belas florestas, bosques, pomares e riachos. Não havia guerras, pestes, nem nada que comprometesse a paz.
Esse mundo era dividido em quatro grandes reinos: As Montanhas Ignis, o reino de fogo, governado pelo Rei Phyro; Aqua-Mare, o reino da água, governado pela Rainha Marla; Solu, o reino da terra, governado pelo Rei Gaia; e Wyndh, o reino dos ventos, governado pelo Rei Eolus. Cada um desses reinos tinha a responsabilidade de, seguindo os preceitos de seu monarca e do elemento que o regia, manter a paz e auxiliar no delicado equilíbrio do mundo – mesmo ao custo de suas próprias vidas.
Cada um dos monarcas teve um filho, e o educou seguindo os preceitos e tradições de sua cultura. O primeiro príncipe a nascer foi Focus, primogênito do Rei Phyro. Desde pequeno, ele foi treinado para ser um guerreiro. Não apenas treinamento físico e marcial, mas preparo psicológico e emocional para comandar exércitos e governar com sabedoria. Focus nasceu em um dia turbulento, em que o temível Hiago foi banido das Montanhas Ignis por traição. Hiago, conselheiro do rei, tentou através de intriga e de chantagens convencer outros membros do conselho a tomar o trono de Phyro. O plano era simples, embora ambicioso: primeiro tomar o reino Ignis (talvez o mais poderoso de todos), para depois dominar os demais. O traidor por pouco não conseguiu despertar a cobiça dos mais confiáveis súditos do Rei. A lei era clara: traição significava banimento. Ele nunca mais viveria no reino Ignis, nem em nenhum outro. Focus cresceu ouvindo essa história repetidas vezes.
Durante a adolescência, o príncipe foi orientado por ninguém menos que Tauros, general do reino Ignis, e braço-direito do Rei Phyro. Era um gigantesco guerreiro, cuja estatura só se comparava à experiência. Por longos anos foi um dos estrategistas do exército, e comandou caçadas aos “banidos” – forma como eram conhecidos os grupos de traidores como Hiago, que atacavam sistematicamente o reino. Munido de sua gigantesca espada e uma lealdade de ferro, era tido e havido por todo o povo como o mais indicado a ensinar ao inseguro príncipe o que ele precisava aprender.

- Focus! – o mestre se dirige ao pupilo em tom de reprovação – Vai precisar fazer mais do que isso.
- Eu não consigo, mestre! – responde o príncipe.
- Seu povo, sua família... Tudo dependerá de você um dia. Deverá proteger o elemento que rege seu reino com sua própria vida. Precisará de superação e confiança – Tauros encerra a discussão.
Focus que estava caído levanta, e tenta uma nova investida contra o cavalo, que até agora, levava a melhor sem muito esforço. O animal era bonito, forte e selvagem. A tarefa do jovem príncipe era domá-lo. Focus já estava exausto e cheio de hematomas. Machucado e sem expectativa de ser bem-sucedido, desiste da tarefa:

- Impossível. Vou acabar morrendo aqui, mestre!
- Focus, se não consegues domar um cavalo, como pretendes comandar um exército? – questionou Tauros, com austeridade que ignorava o fato de estar falando com seu futuro Rei.
- Quando me tornar o Rei, todos deverão obediência a mim! – a resposta veio imponente.
- Para ser um líder, garoto arrogante, serão necessárias muitas qualidades. A coroa em si não trará nem respeito, nem lealdade – o general retrucou.
- Dome o cavalo você. Prove-me que isso é realmente possível.
- Não sou eu o príncipe, e sim você, seu tolo. Um dia será rei, e para defender seu reino, precisará de fibra. Viverá situações adversas, e não poderá desistir, nem pedir ajuda a ninguém. Seu exército e o seu povo devem lhe respeitar e obedecer por seus méritos. A lealdade quando conquistada, tem maior valor que a obediência imposta por uma coroa. Vá para o castelo e lave-se. Descanse por hoje. E aproveite o tempo para refletir sobre tudo que eu lhe disse.

Focus saiu andando em silêncio, cabisbaixo, pensando em como era desagradável ter que ouvir aquilo. Seu pai decidira antecipar seu treinamento a fim de deixá-lo preparado para governar e comandar os exércitos o quanto antes. Não era essa a vontade Focus, mas ele não foi ouvido quando a decisão fora tomada. Pensando em tudo isso, recolheu-se a seus aposentos no castelo.
Poucos dias depois, após um avanço não mais que razoável nos treinamentos, o príncipe dirige-se ao reino de Aqua-Mare, o mais distante. Junto com Tauros, ele parte para auxiliar o reino em questão a rechaçar uma tropa particularmente poderosa de banidos. Seria a primeira experiência de Focus comandando um exército.

***

Numa gruta perto de Aqua-Mare, um homem vigoroso e de feições agressivas mexe em alguns pergaminhos. Dobra-os e guarda-os bastante satisfeito, ajusta seu elmo e sua armadura negra, firma a bainha da espada no seu cinto, coloca adagas nas suas botas, levanta a cabeça e vê um exercito de incalculável número. A batalha se aproximava e o ferver do sangue de seus guerreiros era quase palpável. Hiago era ganancioso e violento e disciplinou seus comandados a também serem. Terminou seus preparativos, olhou para seu exército e, sem mais cerimônias, começou a falar.

- Faz mais de quinze anos que espero por esse momento. Alguns de vocês, eu sei, aguardam há muito mais. Quero que, se as forças do inimigo os fizerem hesitar, lembrem-se dos anos de humilhação e exclusão, e que a chama do ódio incendeie seus espíritos guerreiros.

Houve um urro em uníssono por parte dos demais banidos. Poder-se-ia dizer que ali não havia mais homens, mas feras sedentas por sangue.

- Agora, sem mais demora, vamos fazer este reino afundar nas águas.

Todo o exército riu e tornou a gritar, em um misto de loucura e ironia. Alguns erguiam as armas, outros entoavam cânticos de guerra e todos, sem exceção deixavam-se dominar pelo ódio. E quando Hiago ia retomar a palavra, um dos guerreiros entrou correndo pela gruta, e, com muita dificuldade, foi desviando dos colegas a fim de chegar com urgência ao seu comandante. Ao ver que este guerreiro havia chegado, Hiago fez silêncio e o aguardou pacientemente. Era Siron, e tinha algo importante a lhe dizer.
Ele era moreno, forte, alto, e de traços faciais nada atraentes. Seu semblante embrutecido era adornado pela presença constante de saliva escorrendo pelos cantos de seus grossos lábios. Sua imagem de “bárbaro estúpido” o fazia ter a inteligência subestimada pelos inimigos, o que lhe permitia conseguir informações preciosas – que muitos grandes espiões teriam dificuldades em obter. A mais recente delas, foi a de que o General Tauros estava tendo dificuldades em treinar Focus, príncipe de Ignis, devido à imaturidade do jovem. Esta não era uma informação que destruiria um reino, mas no ouvido de um estrategista nato, faria estragos irreparáveis.
Após um demorado trajeto até seu comandante, Siron chega a Hiago e o desperta de seus pensamentos. Em uma reverência, como se diante de um Rei, ele demonstra seu respeito. Em seguida, diz algumas palavras rápidas ao seu líder, que se contem para não demonstrar sua satisfação. Com os olhos fixos em seu soldado, o comandante o manda descansar. Seu soldado acata a ordem sem questionar, embora estranhasse não ter recebido uma nova missão. Após uma profunda mesura, Siron retira-se.
Com um berro ensurdecedor, o líder do exército dos banidos sinaliza a seus guerreiros que a hora tinha chegado.

A hora de guerrear."

Dia 4 de abril, Jacó volta com a continuação da história. Mais sobre o trabalho do Jacó, clicando aqui.

3 Blá blá blá!:

Paulo disse...

Muito bom!
Parabéns

Odin disse...

Concordo. O nobre Jaco realmente possui um raro dom.

Dragões do sol Negro disse...

Realmente o cara é fera!

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