Manifesto Libertário.
Caros Dragões.
Desde que atravessei a fronteira entre o real e o virtual, aqui, sob a lupa dos mais antigos princípios que regem meu ofício, tenho notado grandes discrepâncias entre os valores que integram as normas básicas da própria convivência entre aventureiros, esses seres que alteram o destino dessa terra que amo, hoje conhecida como Porthi.
Em uma esquina desse mundo virtual, que ainda tento me acostumar, escutei da boca do próprio bardo cego:
- Hoje, meu caro ..., nas esquinas de Porthi, a retórica sangra perante a espada, nossa realidade se resume a um dogma.
Discordo “solenemente” (em respeito ao sábio bardo), trata-se de tarefa simples - mediante o uso da força - mudar a ordem, as normas e os próprios valores vigentes, porém, não se muda a cabeça do intérprete com tanta facilidade, e para vós eu escrevo, vez que os considero intérpretes dessa conturbada realidade que nos rodeia, exemplifico:
A última vez que vivenciei o cotidiano Portiniano tive o contido prazer de presenciar a vitória do discurso sobre a força.
“Alameda Valramesh, noite fria, um grupo de servos da lei, bem armado, desses que ostentam o símbolo do Deus que alega ser “a verdade” interpelam um simples trabalhador, suponho eu que por mera diversão, perguntando imponentemente:
-Cidadão de Porthi, quem permite, em toda sua bondade, que ande em segurança pelas ruas, que possua um trabalho digno e que, frente a segurança de nossa cidade possa viver em paz?
O senhor de avançada idade, pensa um pouco, olha nos olhos do sacerdote que acompanha o grupo e responde:
-O bom Deus único.
Sorrisos de satisfação da pequena milícia, o velho homem continua:
-O mesmo bom Deus que acabou com a nossa câmara dos Lordes, aqueles egoístas que criaram o porto, diga-se, o maior de toda Poldengran, e aquelas chatíssimas audiências públicas, ah sim, desnecessário. Ainda, os galpões de ofício, onde aprendi minha primeira profissão, escriba, mas para que serve um escriba?Hoje estou muito bem fazendo a manutenção de vossas armas. A nossa antiga biblioteca pública, pra que? Hoje temos o grande Tomo do “Deus único”, muito melhor! Hoje, graças ao grande soberano dos céus, não preciso me preocupar com política e segurança, ele diz onde devo trabalhar, me divertir e orar. Inúmeras as melhorias que nosso “Deus” nos trouxe, poderia ficar a noite inteira exaltando seus feitos, mas está tarde e amanhã preciso limpar vossas botas. Estou dispensado ou precisam de algo mais?”
Os sorrisos secaram, uma expressão de dúvida pairava sobre a pequena milícia, o sacerdote percebendo o constrangimento e despreparado para enfrentar um discurso irônico dispensa o transeunte.
Apesar do discurso do antigo escriba ter me intrigado, o que me causou furor foi a expressão dos soldados, senti naquele momento que uma semente estava sendo plantada em suas mentes, e é essa semente que espero plantar em vossas cabeças, nunca tivemos uma capital e um sistema político perfeitos, nem perto disso, mas eram nossos, nascidos e evoluídos segundo nossos costumes, hoje, nossos filhos são reféns da educação limitada imposta, nosso exército defende interesses que não conhecemos, nós, apenas fazemos o que nos mandam e nossos verdadeiros deuses estão mortos, porque?
A resposta é óbvia: Por MEDO.
Portanto, aqueles que querem ser governados pelo medo, e permitem que seu povo o seja, não merecem pertencer a esta casta que chamamos de HERÓIS, que formam a estrutura basilar dessa honrada “casa” compostas pelos bravos Dragões do Sol Negro.
DRAGÕES, uni-vos, a verdadeira guerra está para começar e a vitória não dependerá apenas de armas.
Como um grande mestre escreveu na contra capa de um livro-jogo que ganhei há muito tempo.
“A pena é mais poderosa que a espada, pequeno gafanhoto.”



12:34

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4 Blá blá blá!:
Bravo!
Essas palavras ecoarão pelos ouvidos vazios dos fracos, contudo, farão os fortes usarem a lança com astúcia.
A pena é o início.
A espada, um meio.
Um meio para que possamos escolher o fim, bem como o recomeço.
Saúdem aos Dragões do Sol Negro!
Batalhas vão acontecer. Mais sangue será derramado pelo campo da guerra.
Campos onde a fria donzela à todos espera.
Noiva de cada homem, certa vez cravará suas temíveis unhas em suas costas, no momento em que a parede de escudos nos trará para a ravina...
... Para o casamento negro.
Sentimentos plangentes farão as lágrimas de ódio rolar sobre o rosto glorioso direto para o abismo do destino.
Orgulhoso será o grito.
A fúria ficará em chamas.
A sinfonia do aço ecoará nos ventos macabros.
O chifre será soprado.
E a onda de espadas virá para retalhar suas limitações.
Este bruxo, que vive pela glória no campo de batalha, vos afirma que na teia escura da vida -- que o "deus" considera uma piada -- o gosto do seu próprio sangue o homem provará e em um vermelho angustiante engasgará.
Não haverá vencedores sem remorso.
E não haverá derrotados sem rancor.
Essa é a profecia do grande eclipse.
Não temam! Sorriam!
Apesa de omitir sua alcunha, o autor clama pelo nosso levante, bom ver que a alma de alguns heróis já se inflama por mudanças.
É chegada a hora de retornar a Porthi e honrar nossos verdadeiros Deuses, reeguer nossos templos e instituições em seu devido lugar, por medida de JUSTIÇA.
Salve Argull.
Salve os Dragões do Sol Negro.
Que Elleinad conceda-nos a graça da vitória.
Bravo, caro companheiro.
Que as bençãos do Grande Deus Dragões seja com todos que lutem por vossa causa.
Que aquele que se omitir a batalha, e recuar à guerra, seja morto e exibido como traidor da boa e velha liberdade.
Avante, caro companheiro.
Salve!
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