quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Nas Fronteiras de Yel V


Quinta semana
Baixas: 644


Saudações majestade.
Senti pureza e heroísmo se aproximando. Eles caminharam para nós, para me convencer de que a mera defesa desta grande travessia nunca nos trará a vitória.
Preciso de você aqui. Espero ansiosamente.


Dia 1
Nesta madrugada os guerreiros do norte trouxeram-me 64 escravos, 12 cabeças de gado, cerveja e duas carroças. Trouxeram-me também a notícia de que nas imediações exploradas não foi avistado nenhum movimento militar. O reforço da grande ponte está progredindo rapidamente na margem inimiga. Estamos com excedente de alimentos e sem muitos feridos, então é tempo de sabotar o inimigo e aumentar ainda mais as nossas reservas.
Por volta do meio dia, sob céu nublado, separei 25 cavaleiros experientes e deixei o bruxo no comando da ponte. Partimos para o sul buscando diversão. Os homens de Välgrind costumam pintar os rostos e adornar as armaduras com ossos e eu gosto disso; um deles até pôs a cabeça de um homem-serpente sobre a sua própria, arrancando a mandíbula e usando-a como elmo. Durante nosso avanço senti um desafio divino se aproximando, alguns quilômetros pela estrada e encaramos um contingente de cerca de 500 homens. Voltamos para a ponte após gritarmos profecias de morte. Dois estandartes estendiam uma simbologia heráldica de poder e pensei se era mesmo um dos ataques principais que teríamos de agüentar. A nossa formação de defesa se montou rapidamente enquanto os arautos do inimigo se colocavam à meia distância. Desta vez fui ao encontro, acima de minha montaria demoníaca. Eram os próprios senhores dos estandartes que eu vi em minha frente. Por todas as partes de suas armaduras estava o símbolo do “deus-único”: a serpente. Eram paladinos, eu senti auras de poder e glória divina. Eles pareciam assustados comigo, mas mesmo assim ameaçaram me mandar de volta ao poço infernal de onde vim. Disseram-me que eu pagaria por ter levado uma de suas líderes espirituais (a mulher que lhe mandei). Respondi com o som de mil almas castigadas ao levantar abismo sobre minha cabeça. E com o som de metal contra metal sobre as cabeças deles. Mas não foi tão simples. Eles suportaram firmemente o golpear da espada engolidora de almas e suas tropas avançaram com ímpeto. Meu exército demorou muito a chegar. Morax, minha montaria, era um turbilhão de coices e mordidas, enquanto abismo atravessava e cortava. Fui cercado por cada centímetro e tive de enfrentar todos por um grande tempo. Até pensei que estava sendo traído, pois nem meu servo se adiantou com alguma providência. Era somente eu e 500 corações rancorosos e fervorosos. Os dois senhores do estandarte eram paladinos, e espadas de paladinos me causam muita dor. A montaria estava sendo atacada também, mas aparentava estar bem, bufando sua névoa de enxofre e súlfur. Me engrandeci com os gritos de dor e medo, mas não podia deixar de notar que estava numa situação complicada e desfavorável aos extremos. Adotei a tática de desaparecer deste plano, viajar pelo plano de Morax, a montaria, e retornar em locais diferentes, para escapar dos golpes dos paladinos. Devo ter me empolgado demais com a matança, pois aquele longo tempo de carnificina pareceu-me com curtos momentos entre um jorro de sangue e outro, entre o rachar de uma armadura, do som agudo dos gritos de morte e os coices de fogo de Morax. Lá estava eu em esplendor, vestido de vermelho, aterrador, perfumado de morte. Todos pareciam estar lentos enquanto o ar quente das chamas de Morax tremeluzia minha imagem de senhor de guerras. O céu pálido, as arvores nuas, a sinfonia da batalha, gritos e guinchos bestiais de agonia. Tudo o que preciso, tudo o que sempre quero. E naquele momento eu desejava que os inimigos não acabassem mais. E ainda neste momento, por descuido e vaidade, um dos paladinos acabou cravando sua espada nas ancas de Morax enquanto ele atravessava os planos. Sorri, pois soube que o descuido na verdade estava a meu favor. Foi difícil tirá-lo de Morax, mas depois vi que tinha me livrado dele para sempre. Para mim, e para Morax, o plano era comum e agradável, mas os olhos do inimigo contemplaram um inferno muito pior do que ele ouviu falar durante toda a vida pelas igrejas; ele me viu em minha forma natural, e a forma natual de Morax também.
Então soube que o descuido na verdade estava a meu favor. Ele ajoelhou-se e orou por seu deus. E o deixamos lá para que os outros brincassem com ele. Voltamos no momento exato em que parte de meu exército se chocou contra o inimigo. Eu precisava encontrar o outro paladino, o exercito inimigo já estava confuso e desordenado, alguns fugiam. Estava tudo tão fácil, não é? Mas quem me encontrou foi o paladino, com a espada em movimento. Me derrubou de cima de Morax com aquele único corte, que foi o suficiente para eu relembrar o quão fraca é minha carcaça humana. Solucei sangue, atônito, incapaz de me levantar. Desta vez era o meu sangue que escorria pela terra.
Isto foi o que aconteceu ontem, pois acordei apenas hoje (2° dia), sem abismo ao meu lado. Ergui meu bruxo do chão e o coloquei contra uma pilastra de sustentação de minha tenda, questionando sua utilidade, ameaçando sua morte. Ele me explicou que uma magia poderosa de paralisar o tempo foi lançada sobre eles quando a batalha se iniciou, o que os impediu de agir por muito tempo. Explicou que mataram o mago a altos custos, mas que abismo ficou em campo de batalha depois que fomos derrotados, e que lá o paladino a guardava, com reforços. Quis imediatamente seguir para recuperá-la, mas vi que nossas defesas estavam defasadas, e que um segundo combate resultaria em um possível... problema.
Você já deve saber por que não morri no dia anterior. Graças a Nerull. Ele me dera uma armadura feita sob magia, que além de aterrorizar meus inimigos, ainda me faz voltar da morte um dia após o incidente. Sem ela eu teria de aguardar mais 10 anos em meu plano natural, antes de voltar ao mundo mortal; o tempo que levaria para reunir forças novamente e 10 anos neste mundo representa muito tempo para os humanos. Tenho de me lembrar disso ao escolher o próximo “hóspede”. Este corpo tem o nome de Kalahan Avangard, e foi aberto à mim em uma noite há alguns anos, enquanto ele procurava por um pacto. Então me aliei em servidão a Nerull para obter poder neste mundo. Ainda sou fraco e desajeitado.
Então, neste dia preocupei-me em lhe solicitar a presença, pois preciso da abismo.

Dia 3
Vi que tentaram pegar abismo mas as mãos do soldado caíram, seguidas de um grito de pavor. Tentaram magia, orações. Mas nada pode destruir, só o paladino, e eu espero que ele não saiba disso. Durante esse dia não houve combate. Te espero. Preciso de você aqui na fronteira.

Dia 4
Estou achando que você não vem. Meu servo contou-me que sua mensagem mágica pode chegar tão rápida quanto o pensamento. Não vejo mais motivos pra lhe escrever este informe semanal. Será o ultimo.

Dia 5
Eles bloquearam nossa visão com carroças e paredes improvisadas com placas de madeiras pregadas umas nas outras. Não podemos sair, mas não podemos nos acuar. Estou preparando um ataque. Com ou sem você.
Os vikings acham que eu sou um deus e fizeram juramentos a mim, mas será mesmo que eles não avistaram nenhuma aproximação naquela madrugada do primeiro dia? O restante dos homens de Yel temem ficar e temem fugir, temem batalhar mas temem ainda mais não me servir.
Lhe mando o relatório hoje, no quinto dia. E espero que pelo menos tenha lido o que eu fiz por ti em um período tão curto.


Kalahan Avangard

1 Blá blá blá!:

Jorge disse...

Faz tempo que não dou uma visitada no Blog. Não entendi ele morreu? Essas eram cartas pra rainha dele que ele estava apaixonado por ela?
Vai continuar ?

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