segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Senhor dos Mortos Vivos - FINAL

Olá, pessoal. Hoje, nosso amigo Jacó Galtran traz o fim da saga do Senhor dos Mortos Vivos. Espero que apreciem e comentem.

Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Parte 4 - Parte 5 - Parte 6 - Parte 7 - Parte 8



Senhor dos Mortos Vivos - FINAL

"A Rainha Naty empunhou seu Cetro Real. Usou-o como espada, visando estocar e cortar o oponente. Escárpius desviava-se com dificuldade, pois os ataques eram velozes e incessantes. Girava o corpo em todas as direções e ia recuando, concentrado demais para contra atacar. A monarca seguia agredindo sem conseguir golpear o inimigo. Aos poucos, foi diminuindo o ritmo.

A fera maldita atacou com garras, encontrando bloqueio no Cetro. O impacto dos golpes fazia a Rainha recuar desequilibrada, e os ataques continuavam. As duas garras, depois acompanhadas pela grossa cauda, faziam movimentos transversais visando rasgar carne. Sua Majestade evitava as investidas, ora desviando, ora aparando os golpes, mas sempre recuando. Sendo cada vez mais acuada.
Entre uma e outra esquiva, conseguiu esmurrar o sacerdote da morte com a mão esquerda e com a direita atingiu o pescoço com o Cetro. Enquanto a criatura cambaleava, a Rainha, com um pensamento, fez a jóia incrustada no Cetro reluzir. Uma rajada de energia arcana gigantesca explodiu contra o tórax de Escárpius, jogando-o a metros de distância. Antes que se levantasse, recebeu dois chutes violentos no rosto e uma estocada do Cetro. A arma perfurou o abdômen, revelando vísceras, tripas e sangue farto.

- Você conspurcou meu Cetro com seu sangue imundo – a Rainha Naty esbravejou – Vou lhe dar uma última chance. Entregue-me a pérola.

Não houve resposta. Escárpius esbugalhou ainda mais os olhos sanguinolentos e fechou os punhos, fazendo sangue escorrer das palmas das mãos. Rosnou algo, e fez surgirem guerreiros zumbis ao seu redor. Eram oito criaturas imensas de aspecto humanóide, corpo revestido por armaduras respeitáveis. Pelos vãos das couraças metálicas escorria sangue, formando uma cachoeira rubra ininterrupta. Nas mãos, machados, espadas, alabardas e lanças, todas trazendo morte escarlate à Rainha. Os seres malignos avançaram e iniciaram o ataque.

***

Não restavam muitos dos dois lados, mas os que ainda batalhavam o faziam com voracidade espantosa.
O exército do Senhor dos Mortos Vivos tornou-se um reduzido grupo de combatentes de todas as espécies imagináveis. Dragões azuis, minotauros, arqueiros bugbears, lutadores anões, elfos, magos humanos, mortos vivos, elementais do ar e extraplanares nunca antes vistos. Um contingente pequeno, porém poderoso e de habilidades diversificadas.
Do lado da Rainha, restavam vinte construtos, Haylla, Yshyanylla, Dahiran, Hanyny, uns poucos remanescentes de uma ordem de paladinos, monges, e seis ou sete guerreiros do exército do reino de Dalieh. Todos esgotados, sem recursos mundanos ou mágicos, movidos pela devoção ferrenha à sua Rainha. Corpos exauridos, alma incansável, dominados pela vontade de triunfar pela glória de sua monarca.
Os golens saltaram em direção aos dragões, que planavam e desviaram-se esforço. Os azuis giraram os corpanzis gerando correntes de ar que arremessaram os inimigos longe. Os construtos levantaram-se rapidamente e partiram para nova investida, mas seus oponentes estavam longe demais.
Haylla discursava sobre a glória de seu deus, mostrando seu símbolo sagrado para os esqueletos e os zumbis. As criaturas resistiram, mas hesitaram, tornando-se alvos fáceis para a maça-estrela da clériga. Dois esqueletos, um tanto maiores que os demais, atacaram com as garras, iniciando um violento combate corpo-a-corpo. A arma de Haylla chocou-se contra os ossos expostos sem conseguir parti-los, ainda que tivesse desequilibrado os oponentes. As investidas inimigas rasgaram parte do corpo da sacerdotisa, abrindo talhos imensos. A maça continua atingindo ossos sem sucesso, até uma prece sussurrada por sua portadora aumentar o poder destrutivo da arma. Os esqueletos foram dizimados.
Yshyanylla não tinha mais poder para lançar seus feitiços e já tinha sido alvo de muitos golpes. Trilhas de sangue delineavam seu corpo ferido. A maga apanhou da cintura um pequeno colar com quatro contas e o arremessou em direção ao bugbears. O contato de cada conta o chão gerou explosões de fogo. Os arqueiros goblinóides foram perecendo à medida que isto acontecia, mas tiveram tempo de disparar flechas de fogo em Yshyanylla. Um contingente de guerreiros anões com machados em punho a cercou. A elfa maga sentia o corpo perfurado, o fogo fustigando seus ferimentos e multiplicando a dor. As lâminas anãs atingiram órgãos vitais sem esforço. Mas era uma ilusão. O último recurso arcano de Yshyanylla, que reapareceu metros dali, igualmente ferida. De longe, direcionou seu anel aos anões e chacinou-os com relâmpagos mágicos. Uma última flecha bugbear tirou a vida da elfa.
Hanyny valia-se de subterfúgios. No início da batalha, teve seu instrumento destruído pelos chifres de dois minotauros. As criaturas atacavam com machados gigantescos, forçando o bardo a usar seus truques apenas para se proteger. Assoviou melodias mágicas para teleportar-se para longe, criou uma barreira mágica só com o som do estalar de seus dedos e bateu palmas em uma confusa divisão rítmica, desorientando os inimigos. Mas não tinha nenhuma tática ofensiva. E os machados vinham incessantes em sua direção, rasgando o ar em velocidade impressionante. Até que a insistência dos minotauros foi recompensada. As lâminas foram partindo ombros, abdômen, pernas e todo o corpo do bardo.
Dahiran e os sobreviventes do reino Dalieh avançavam em carga, como se fossem uma cavalaria. Formaram uma “parede” ofensiva de lâminas e foram agredindo em uníssono. Os demônios, junto a um pequeno grupo de elfos, respondiam com a mesma selvageria e o mesmo aço. As armas se encontravam, ora atacando, ora defendendo seus usuários. O confronto não encontrava vencedor, nem apontava favoritismo a nenhum dos lados, quando algo estremeceu o campo de batalha.

O Senhor dos Mortos Vivos levantou do trono mágico onde assistia ao confronto e desceu para ter com seus antagonistas.

***

As criaturas jorravam sangue sem serem feridas, como se o plasma as recobrisse por fora, ao invés de preenchê-las por dentro. Sua Majestade direcionou o Cetro Real às criaturas e viu uma das jóias brilhar em resposta. Uma apocalíptica liberação de energia devastou três dos guerreiros ensangüentados. Os demais avançaram com suas armas. A monarca se esquivava e aproveitava para girar os cabelos e chicotear os oponentes. Três outros monstros caíram.
Os dois que restavam recuaram. Escárpius olhava para a “Pérola Amaldiçoada” e relembrava que não tinha muito tempo. O Cetro rutilou e os dois restantes caíram. A Rainha Naty também não tinha muito tempo.
O sacerdote da morte guardou o artefato e partiu para o confronto derradeiro. Abriu a boca, cuspiu miasmas nauseabundos, limpou-se da mistura de muco e saliva e disparou da garganta um raio de energia negra. O Cetro de Sua Majestade brilhou como nunca, e a energia foi rebatida. Por segundos que pareciam séculos, as energias se chocaram e mediram forças.

Até que uma explosão colossal definiu a luta. Um corpo caiu sem vida. O outro partiu com a “Pérola Amaldiçoada” rumo ao campo de batalha.

***

A presença do Senhor dos Mortos Vivos fez todos estremecerem. Não apenas o chão, mas as emoções e esperanças de todos foram afetadas. Uma aura negra circundava o corpo do enigmático ser. O desequilíbrio de todos foi maior que a devoção: as pernas tremiam tanto que os joelhos não se dobraram. Alguns morreram de puro medo.
Haylla, Dahiran, quatro guerreiros e cinco construtos eram tudo que havia restado. A clériga gritou o nome do deus da justiça e morreu enquanto matava os três minotauros que restavam. Do lado inimigo, o Senhor dos Mortos Vivos, com um gesto, dizimou seus próprios servos. Não precisava mais deles.

- Os deuses tentaram me deter – a voz embargada fez-se ouvir por quilômetros – Os mortais tentaram me deter. Ambos uniram suas forças e falharam. Tenho poder sobre a morte e sobre a vida. Governarei o mundo. Todos os mundos. Tudo que existe ficará sob meu poder. Para sempre.

Um gesto, e os construtos arderam em chamas. Outro gesto, e Dahiran e os guerreiros cuspiram sangue até caírem mortos. Um terceiro gesto iria acontecer, mas foi interrompido.

A Rainha Naty chegava.

***

- Você dizimou meu povo. Matou meus súditos. Ajoelhe-se diante de mim e implore o meu perdão. Talvez, eu lhe ofereça misericórdia – era a monarca.
- Você assassinou meus soldados. Ousou levantar-se contra meus planos de conquista. Entregue-me a “Pérola Amaldiçoada” e eu prometo estuprá-la só um pouco antes de matá-la.

Silêncio. Não havia mais sobreviventes para ouvirem, nem para se manifestarem. Ninguém para temer, tremer ou cair de joelhos. Ninguém para interferir, ninguém para assistir.

- A Pérola que você carrega contém parte do poder que eu tive outrora. Poder que precisei esconder para não ser detectado pelos deuses. Esse poder é imenso, mas não é maior do que o poder que conservei comigo – o Senhor dos Mortos Vivos discursava.
- Está esquecendo que, somado ao poder da Pérola, tenho meu próprio poder.

Foram liberadas energias além do poder de descrição das palavras. O pouco que restava do campo de batalha e dos reinos adjacentes ardeu em fogo. Dizia-se, na época, que o fogo destruía tudo. Inclusive as lembranças. E, da fato, nada restou.

***

A Rainha Naty venceu o confronto. A Pérola Amaldiçoada foi incrustada em seu cetro. O poder do inimigo foi absorvido pela monarca.

E ela tornou-se uma deusa.

Com seu novo poder, ressuscitou os mortos em batalha, reconstruiu cidades e a civilização. Um pacto entre os demais deuses determinava que o poder adquirido pela Deusa Naty era justo, pois ela o obtivera com seu próprio esforço. Assim, ela governou todo o plano material eternamente.

Dahiran, Haylla, Hanyny, Yshyanylla e os demais bravos combatentes ganharam posições de honra no novo reino. Yan, o paladino sem alma, recebeu a proposta de voltar a ser o que era, mas recusou. Preferiu vagar por toda a eternidade num estado de não-vida como demonstração suprema de devoção à sua Deusa.

E os céus e a terra prostraram-se eternamente aos pés da Deusa Naty."

Dia 7 de fevereiro, Jacó volta com alguma coisa interessante. Até lá, confira o trabalho dele aqui.

1 Blá blá blá!:

Paulo disse...

Muito bom!
Só o final que achei meio resumido.

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