segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Senhor dos Mortos Vivos - 7ª Parte

Olá pessoal. Nosso amigo Jacó abre mão de suas férias para nos trazer a continuação da saga do Senhor dos Mortos Vivos. A intenção era que a história acabasse nessa postagem, mas o final ficou muito grande e foi preciso dividí-lo.

Apreciem e comentem.

Parte 1 Parte 2 Parte 3 Parte 4 Parte 5 Parte 6





Senhor dos Mortos Vivos - Parte 7



"O monstro tinha inúmeras cabeças, simbolizando as diferentes subespécies de dragão que existia: uma de dragão vermelho, azul, negro, verde, branco, dourado, prateado, de bronze, de cobre, de latão, púrpura, prismático, dragão fantasma, dragão lich, dragão do inferno, dragão etéreo e outros subtipos desconhecidos pelos mortais. As garras eram afiadas a ponto de rasgarem montanhas ao meio com o mais sutil ataque. O corpanzil devia ter quilômetros de altura. As asas eram gigantescas e a infindável cauda gotejava sangue.
Era Golvgarahn. O avatar de Kyshynoheraghan, deus dos dragões.

A jovem era linda e ameaçadora. Tinha asas emplumadas, uma pequena coroa sobre a cabeça, e trajava uma armadura de couro sinuosa. Nas mãos, um chicote capaz de partir um continente ao meio com um simples estalo. A natureza angelical contrastava com a aparência voluptuosa. Os bardos a chamavam de “Anjo do Prazer”.
Era Raghtalysys. O avatar de Sandy, a deusa da bondade.

O guerreiro era imenso. Músculos deixados à mostra pela armadura imponente cor marrom, empunhava uma espada dourada circundada por uma aura de violência. Tinha expressão de ferocidade contida, tronco avantajado, e uma capa esvoaçante presa à sua nuca.
Era Goreh. O avatar de Moreito, o deus da justiça.

Os deuses iriam interferir no conflito.

***

Quando, em tempos imemoriais, ocorreu o evento cósmico que originou o universo, os deuses passaram a existir, governando céus, terra e tudo que neles havia. Na época, não havia seres vivos, nem mortos. Apenas deuses.
Por motivos insondáveis e de difícil especulação, as divindades decidiram criar povos de diferentes raças. Acredita-se que tenha sido para que estas os adorassem, mas isto ainda é incerto. Quaisquer que fossem os motivos, foi por isso que surgiram humanos, elfos, anões, halflings, dragões, minotauros, centauros e tantas outras raças que conhecemos.
Novamente por motivos que escapam à compreensão, os deuses tomaram uma decisão: se isolar em dimensões que eles haviam criado. Essas dimensões só poderiam ser alcançadas por alguma criatura quando esta morresse. Para que isto ocorresse, os deuses tiveram que criar o conceito de vida e morte: diferentes fases da existência de um ser. Um período de vida física, outro de vida espiritual.
Assim, os deuses determinaram que, enquanto presos a uma vida carnal, as raças seriam consideradas “vivas” e habitariam o “mundo material” – uma dimensão específica determinada para este fim. Quando algum evento as libertasse dessa existência carnal, as raças seriam consideradas “mortas” e sua essência vital seria transportada para uma das múltiplas dimensões espirituais existentes.
Durante milênios, tudo ocorreu desta forma, dando origem aos conceitos de vida e morte como hoje os conhecemos.

Até que algo surpreendeu os deuses. Uma divindade menor conseguiu ingressar no espaço dimensional onde as almas transitam quando viajam do mundo dos vivos ao mundo dos mortos. Lá, através de um ritual complexo, ele conseguiu absorver parte da essência do portal que separava as dimensões. Assim, quando um ser vivo morria, essa divindade passou a ser capaz de reproduzir o portal que separa as dimensões. Dessa forma, as almas mortas eram atraídas até ele, que ao invés de encaminhar as almas até o outro mundo, as revivia e controlava.
Não satisfeita com essa habilidade controlar vida e morte, essa divindade voltou ao mundo dos vivos e quis aumentar seu próprio poder, a fim de tornar-se uma divindade maior. Passou décadas executando rituais, realizando sacrifícios e alimentando-se da adoração de alguns servos.
Ao perceber que seu poder já estava quase rivalizando com os deuses maiores, essa criatura (hoje conhecida como Senhor dos Mortos Vivos) “guardou” parte de seu poder em um receptáculo, uma pedra enigmática conhecida como “Pérola Amaldiçoada”. Assim, menos poderoso, ele não poderia ser detectado pelos deuses. Pelo menos, antes da hora certa.

Hoje, o Senhor dos Mortos Vivos tem o poder de uma divindade menor. Caso, Escárpius, seu aliado, lhe traga a Pérola Amaldiçoada, o Senhor dos Mortos Vivos recuperará seu poder total. O poder de um deus maior.
Derrotá-lo não é impossível. Supondo que seus exércitos sejam destruídos, o Senhor dos Mortos Vivos pode ser morto em combate, como qualquer inimigo. Basta ter poder suficiente para isso.

***

Ao custo de sua alma, Yan havia conseguido as informações necessárias sobre o inimigo. Com o que restava de suas habilidades, passou a sua Rainha todo o conhecimento. Agora, a Rainha Naty sabia até onde ia (e até onde poderia ir) o poder do adversário. Em silêncio, a monarca agradeceu a seu súdito por ter sacrificado sua própria existência para a obtenção dessas informações.
Yan, o paladino sem alma, passou a vagar sem rumo pelo Vale das Revelações. Para sempre.

***

A sombra emitiu um sorriso irônico, ainda que isso não pudesse ser visto. Nenhum dos golpes de Escárpius tinha sido eficaz. A criatura era imaterial, intangível. Ataques físicos não a atingiriam.
O sacerdote do deus da morte continuou atacando. Com sua cauda, com as garras e cuspindo ácido. Movimentos velozes, incessantes e comprovadamente inúteis. A sombra sorria, feliz com a impotência do inimigo. Não se daria o trabalho de contra atacar ainda, pois se divertia sinceramente com a situação.
Mas quem começou a sorrir foi Escárpius. Como sumo-sacerdote, tinha poderes muito acima do que seus inimigos costumavam supor. A besta afastou as pernas e ergueu as mãos para o céu. Os olhos de vermelho doentio fecharam-se. E tudo ficou em silêncio por um longo tempo. Nem a respiração descompassada da fera podia ser mais ouvida.

E então algo foi ouvido. O som mais terrível, mais assustador. Uma mistura ensandecida de uivo, urro e rosnado. Um grito infernal tão demoníaco, que era capaz de matar de medo quem o ouvisse.
E foi o que aconteceu. A sombra caiu morta. “Palavra de morte” era o nome da magia. O mais mortífero recurso de um sacerdote do deus da morte. Escárpius vencera e estava prestes a pegar a Pérola Amaldiçoada.

***

O reino de Yrlahn foi heróico, valente. Resistiu com bravura tanto quanto pôde. Mas caiu arrasado pelo exército do Senhor dos Mortos Vivos. E agora este mesmo exército estava frente a frente com as tropas da Rainha Naty.
O confronto estava prestes a se iniciar quando os deuses agiram. Golvgarahn, Raghtalysys e Goreh, os avatares, chegaram.

- Que ninguém diga que os deuses não se preocupam conosco – Haylla, a clériga, berrou do meio da multidão.

Os ânimos se inflamaram. E os primeiros ataques foram desferidos.

***

Se Escárpius conseguisse levar a Pérola Amaldiçoada até o Senhor dos Mortos Vivos, tudo estaria perdido. O maldito recuperaria seu poder máximo, poder capaz de rivalizar com um deus maior. Nem mesmo os avatares poderiam detê-lo.
Por isso, Escárpius, já com a Pérola Amaldiçoada em mãos, teria que ser detido.

- Pare agora mesmo, ser infernal. Eu serei a sua adversária.

A voz era da Rainha Naty."

A história termina dia 10 de janeiro. Mais sobre o trabalho do Jacó Galtran aqui.

0 Blá blá blá!:

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