segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Senhor dos Mortos Vivos - 6ª Parte

Olá pessoal. Hoje trazemos a continuação da saga Senhor dos Mortos Vivos, escrita por Jacó Galtran (mais sobre o trabalho dele clicando aqui).

Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Parte 4 - Parte 5

Espero que apreciem e comentem.





Senhor dos Mortos Vivos - Parte 6

"Os exércitos do deus da morte haviam caído. Os poucos que sobreviveram ao confronto foram facilmente dominados e levados a interrogatório – para depois serem assassinados.
Mas, apesar do aparente triunfo, não havia tanto assim a se comemorar. A principal cidade do reino de Dalieh era um amontoado de escombros, cadáveres e cinzas. Os muros e o portão da capital haviam caído. Os maiores guerreiros, as maiores lideranças, os mais bravos heróis, todos tombaram sem vida. Ficaram apenas memórias de uma época de paz que o fogo que consumia as casas não seria capaz de apagar.
Vivos, restavam algo em torno de sessenta soldados. Em condições de continuar lutando, quinze. Aos demais, a triste tarefa de enterrar os mortos e chorar de saudades.
Haylla, Dahiran e Hanyny também não exibiam mais a mesma jactância juvenil de outrora. Sentiam-se feridos, enfraquecidos e preocupavam-se ao pensar que o verdadeiro inimigo tinha um exército ainda maior e mais ameaçador. Os três, somados aos quinze, fizeram o possível para recuperar-se dos ferimentos e partiram para a verdadeira batalha. Haveria tempo para descansarem depois, supondo que sobrevivessem.

- Centenas de guerreiros morreram aqui, hoje – Dahiran comentou – Milhares, talvez.
- E se morreram... Podem ser ressuscitados e controlados pelo Senhor dos Mortos Vivos – Haylla concluiu o preocupante raciocínio.

Partiram.

***

O Paladino Yan se viu cercado. Eram três criaturas envoltas em um tipo de névoa esbranquiçada que as protegia da nudez. Emitiam uma desencontrada seqüência de sons que não podiam ser chamadas de “voz”. Era uma onda sonora “não-viva”. Difícil supor quem, ou o que, eram aquelas criaturas.

- Somos conhecimento! – um dos seres respondeu, antes mesmo de ser questionado – Não estamos vivos, nem mortos, não somos anjos, nem demônios, nem nada que esteja ao alcance de sua limitada compreensão. Somos a encarnação viva do conhecimento. E você não é bem-vindo aqui.

Segundos de silêncio. Paladino Yan vasculhou sua mente em busca de argumentos persuasivos, mas imaginou que seus anfitriões – o que quer que fossem eles – já sabiam o que ele diria. Mesmo assim, deveria tentar.

- Vim aqui com intenções nobres. Busco informações por uma boa causa. Se vocês são conhecimento, então só vocês podem me ajudar. E se não sou bem-vindo aqui, terei prazer em livrá-los da minha presença assim que eu tiver as respostas de que preciso.
- Suas intenções não nos importam. Aqui não existe bem ou mal, justiça ou injustiça. Só há o conhecimento.
- Compartilhem comigo este conhecimento – O Paladino já tinha sua espada desembainhada – Façam isso por bem, ou vou forçá-los a fazer por mal.
- Somos conhecimento. Não somos um ser vivo que você possa atingir com sua espada. Não somos um ser vivo que você possa intimidar com ameaças.

Paladino Yan sentia o tempo passar sem conseguir encontrar uma solução. Sua Rainha o aguardava, ela havia confiado nele. Seus amigos estavam arriscando suas vidas frente a um inimigo terrível. Vidas estavam se perdendo enquanto ele estava ali. Sabedor de que o sacrifício é o destino dos paladinos, lançou mão daquilo que julgava ser seu último recurso.

- O que querem em troca do conhecimento? – perguntou.
- Sua alma – foi a resposta.

***

Seu corpo era revestido por uma carapaça amarronzada, um tipo de crosta invulnerável. Os grossos braços e pernas terminavam em garras animalescas que gotejavam uma mistura de sangue e ácido. Das costas brotava uma cauda imensa com um ferrão afiado na extremidade. As feições faciais eram pura ferocidade e sanguinolência. Presas à mostra, olhos de um vermelho doentio e ausência de nariz.
Era Escárpius, o sacerdote supremo do deus da morte. Frente a frente com ele, sem medo, e com sede de sangue, uma sombra enigmática. Não se sabia quem era, de onde vinha, nem quais seus propósitos. Não carregava armas, não vestia armadura, parecia não falar.
Mas tinha consigo o artefato que o Senhor dos Mortos Vivos queria. E por isso, Escárpius iria matá-lo.

***

Aos milhares que ali estavam, mais milhares iam se somando. Eram guerreiros humanos, élficos e anões mortos em guerra, hordas goblinóides, tribos de gigantes, trolls, orcs, revoadas de dragões, beholders, liches, magos e criaturas nunca antes vistas. Algumas valendo-se da superioridade numérica, outras peritas em atacar voando, algumas invisíveis, e umas tantas outras prontas a atacar por baixo da terra. Em bloco, perfiladas, ocultas por subterfúgios mágicos, ou posicionadas de maneira específica, eram centenas de milhares. E estavam submissas a um único comando.
Abandonaram o arquipélago onde estavam, e adentraram o continente. Yanzakar, o reino mais ao norte do mapa foi o primeiro alvo. Antes que as cidades e vilas pudessem ser evacuadas, as tropas do Senhor dos Mortos Vivos chegaram. Pouco restou, e o que morreu ressuscitou horas depois, engrossando as fileiras de soldados do exército maldito.

- Onde estão os deuses agora? – O Senhor dos Mortos Vivos olhava para o céu e vociferava – Venham me deter! Se puderem.

Em poucas horas, já havia um novo alvo. O reino dourado de Yrlahn. O lar da magia. O único local no mundo conhecido que tinha uma conexão planar com a Morada dos deuses da magia.
Feiticeiros da região estavam à postos. Yrlahn não se entregaria tão facilmente.

***

As tropas da Rainha Naty iam crescendo, à medida que marchavam em direção ao inimigo. Novos soldados, oriundos de diversos pontos do continente, anexavam-se ao contingente já formado. Magos, sacerdotes, monges e guerreiros especialistas em técnicas exóticas de batalha também se apresentavam, inflamando os ânimos dos ali presentes.
Duzentos golens haviam sido criados. Além deles, criaturas conjuradas e aliados extraplanares. Yshyanylla já estava ali, ainda que com seus recursos arcanos quase esgotados. Ela aguardava Haylla, Hanyny, Dahiran e os aliados do reino Dalieh. E ninguém sabia quando (ou se) o Paladino Yan voltaria com o conhecimento que trazia à vitória.
Mais horas de marcha forçada, e já era possível ver o reino de Yrlahn em chamas. O inimigo estava a poucos quilômetros dali.

O confronto final era questão de minutos."

A história se conclui dia 27 de dezembro.

2 Blá blá blá!:

Igor disse...

Finalmente terminei de ler as 6 partes... sobrou um tempo aqui no trampo. É um material bom do Jacó, inspirador pra quem curte uma boa história mórbila à la Arthas.

Igor disse...

Uma escrita impecável também

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