segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Jovens jogadores de RPG



Para quem acompanha meus textos, deve ter notado que meu foco de trabalho com RPG e escolas se dá quase que exclusivamente com jovens do Ensino Médio. Embora capacite professores de diferentes níveis de ensino para o uso do RPG em suas aulas, meu contato com o RPG e Educação Infantil, Ensino Fundamental ou Superior se dá pelos relatos dos professores por mim capacitados. Até pouco tempo atrás eu não sabia como era “mestrar” para um público mais jovem – alunos de 7ª série do Ensino Fundamental para ser mais específico.
Em minhas palestras eu afirmo que o RPG, assim como qualquer outra ferramenta de ensino, pode ser usada para qualquer idade sobre qualquer assunto. Costumo comparar o RPG com exibição de slides:
ü  Você insere qualquer conteúdo ali;
ü  Pode utilizá-lo para qualquer público;
ü  Pode tornar a aula muito atraente e interessante;
ü  Pode tornar a aula enfadonha, como se não houvesse o recurso.
Sempre tive essa certeza: de que o RPG poderia ser usado para ensinar diferentes conteúdos para níveis diferentes de da Educação. O que muda é a forma que o professor vai utilizar o conteúdo. Um professor despreparado, desmotivado ou que espera que o recurso “salve sua aula” não vai conseguir extrair todas as possibilidades de qualquer recurso que seja, ao passo que, um professor que domine a tecnologia a ser utilizada, esteja motivado e saiba que o sucesso ou fracasso da aula depende só dele e não da tecnologia, esse professor tende a conseguir bons resultados com sua prática.
Certa vez uma pedagoga, numa palestra que fiz, me questionou sobre o uso do RPG para crianças menores. Como não tenho experiência e desconhecia relatos sobre, apenas repeti meu ponto de vista, que depende apenas de quem maneja a tecnologia. Então, pouco tempo depois, tive acesso à uma criação da Wizards (publicadora de jogos, entre eles um dos RPGs mais conhecidos, o Dungeon & Dragons ou D&D) que se tratava de um pequeno manual ou apostila para crianças de 6 anos ou mais jogarem D&D, visto que as regras do D&D oficial são complexas para crianças dessa idade. Concordo que a Wizards deve ter feito isso para conseguir desde cedo futuros consumidores de seus produtos, mas por outro lado, ela estava provando que RPG pode ser jogado desde cedo. Para quem quiser conferir essa apostila, é só fazer o download gratuito aqui.
Pois bem, o fato é que, ao firmar parceria com o AEL (Arranjo Educativo Local) para inserir o RPG em escolas públicas no contra-turno, surgiram alunos que não eram os que eu estava acostumado: os que estavam no Ensino Médio.
No início foi bem difícil para mim, pois quase fiquei louco no dia em que fomos montar as fichas dos personagens. Eles não paravam, era um tal de pegar o boné de um, esconder o caderno do outro. Já havia me esquecido de como é ter essa idade. Creio que o excesso de energia faz com que eles tenham menos concentração. Enfim... eu sei que meu primeiro contato foi quase que assustador.
Quando voltei para o segundo encontro, imaginei que poucos iriam. Para minha surpresa, todos estavam lá; animados com a possibilidade de jogar com seus heróis. Durante a aventura, percebi que eles tinham um pouco de dificuldade em visualizar a cena ou entenderem de fato que o RPG se passa na imaginação. Só sei que estava tão feliz de vê-los ali, compenetrados, prestando atenção em cada detalhe da aventura, tentando de todos os modos solucionar os problemas que me dei conta que ao mestrar eu estava desenvolvendo meu lado “ator”.
Me explico. À medida que a trama fluía eu explicava o que acontecia. Muitas vezes, de tanto repetir, repetir e repetir, acabava por encenar o ocorrido, o que gerou uma grande percepção dos alunos envolvidos. Aprendi que ao receberem estímulos visuais, seja eu encenando ou as miniaturas nos mapas, os alunos da 7ª série tem maior facilidade para entender o que se passa e buscar soluções juntos.
É certo que todos têm mais facilidade quando se assiste algo pronto; mas não será verdade que o livro é bem mais interessante que o filme? Tenho fé que não precisarei utilizar dos meus pseudo-dotes dramatúrgicos em breve. Tenho fé que logo eles aprenderão a “ler o livro” e não precisarão mais “ver o filme”.
Pretendo voltar a escrever sobre esses novos jogadores em breve. Até lá, fica a dica para quem trabalha com essa faixa etária.
Muito sucesso decisivo para todos! Boa semana! Bom Natal!

3 Blá blá blá!:

Fábio Silva disse...

Muito show. Espero poder usar todas as dicas que você fornece, quem sabe, em sala de aula (se conseguir me formar e pegar um emprego na área).

Abraços

MaiconAV disse...

bah!! vo usa muito o rpg em aula o dia q eu for professor XD

Anônimo disse...

e como pagamento vc quer miniaturas de graça ou R$100,00 se nao já era nunca mais vai joga com vc

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