segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Bardos e Goblins V




Ysalv, o Elfo Bardo:

Pouco se sabia sobre o destino vil que se debruçara sobre a Fortaleza de Tumbdor. Bastião de grandes reis do passado, Tumbdor sofreu os mais devastadores ataques que se pode imaginar. Da magia ao terror, dos feitiços aos demônios. Todos, um a um, cravaram suas lâminas e presas nas inexpugnáveis muralhas da Fortaleza. E pelos veios entre as pedras escorreu sangue por dias inteiros. Sangue dos bons. Sangue dos maus.
Nosso caminho havia nos levado até o solo sacroprofano onde milhares haviam tombado. E a marca dos antigos combates estava em todas as partes. Nas muralhas, ao longe, manchas de sangue coloriam as pedras cinzentas de tons escuros. No chão, restos de ossadas e lâminas se misturavam à terra revolvida pelas explosões que ceifaram tantas almas.
O silêncio imperava e o menor dos estalos entre as ruínas produzia um eco assustador em nossos corações. Caminhávamos silenciosos, cobertos pelo desejo de passar sem ser percebidos. E até íamos bem, até que ouvimos o estalar das rochas logo acima de nossas cabeças.
Caminhando sobre nós, observando-nos, vinha uma gárgula de olhos de sombra e garras de ferro. Parecia pouco interessada em tudo mais que não fosse nosso terror seguido de nossas mortes. E assim que apressamos o passo para driblá-la, ela saltou, bateu as pesadas asas de pedra e caiu à nossa frente. Urrando, intimidando-nos.
Udror e Solska fizeram a linha de frente. Vixen tentou flanqueá-la mas foi atingido pela criatura, sendo arremessado para longe. Jeanx afastou-se e começou a preparar um feitiço.
A criatura alçou rápido vôo e, em uma rasante, acertou Solska e Udror com força suficiente para partir um homem comum ao meio.
Em extensão à mesma rasante veio em disparada em nossa direção, desinteressada acerca dos nossos propósitos naquelas terras, abriu a boca cheia de dentes de ferro e as garras laminadas em um urro intimidador. Congelou-nos de pavor.
Seria nosso fim, mas, de repente, Jeanx se posicionou à nossa frente, em um rompante de loucura e coragem e, com um único gesto, acertou a face da criatura com um golpe elétrico que a fez perder o rumo e explodir em cheio numa torre que logo desabou.
Udror e Solska levantavam-se sendo ajudados por Vixen. Enquanto eu e Gum verificávamos o estado das coisas. Era melhor partir.

Gum, o Goblin Realista:

Já havia ouvido falar de Tumbdor. Entre meu povo as lendas que mencionavam essa fortaleza sempre acabavam com lendas de heróis mortos injustamente e mestres do mal enlouquecidos. Diziam que houve tanta magia gasta naquela área que podia-se plantar uma tocha de chama eterna e colher uma árvore de bolas de fogo.
Fato era que quando se falava em Tumbdor as reações variavam da incredulidade ao pavor. De histórias de bravura a tragédias do amor. (Sinto-me um Ysalv. ERKKKK!)
Mas nossa passagem pelo local seria praticamente um sussurro, se Ysalv não tivesse começado a falar da bravura de seus irmãos que morreram defendendo Tumbdor do Dragão das Sombras, um clã de feiticeiros imbecis que pensavam em dominar o mundo todo.
A falação do bardo acordou um dos guardiões das ruínas, uma gárgula imensa, duns 2 metros e tantos de altura. Pura pedra e ferro interessada apenas em rasgar-nos e espalhar nossos pedaços pelos ares.
E foi com isso em mente que a diaba atacou o clérigo e derrubou Solska e Udror. (Parece que o Solska não gosta muito de lutar contra coisas que não sejam mortos-vivos e inimigos de seu deus. Que merda!).
Desengoçada, ela pulou sobre os dois e quase arrancou as respectivas cabeças se Jeanx não tivesse lançado mísseis mágicos em cheio na fuça da desgraça alada. E isso a enfureceu.
Num outro salto abriu novamente as asas e veio rápido. Eu e o “intelectualmente prejudicado” do Ysalv estávamos praticamente dentro de sua boca quando o Jeanx pulou para a frente e, com as mãos em choque, pregou um tapa na cara do bicho que o estalo poderia até ser oferecido ao Deus da Tempestade.
O bicho zuniu feito abelha imersa em arroto de orc e pregou a cabeça numa torre velha, cuja estrutura desabou completamente, enterrando-a quase por inteiro.
Era o que Udror esperava. Aproximou-se da gárgula que tentava se levantar, fez a marreta brilhar em fúria e, num único golpe, explodiu a cabeça dela contra a muralha. Deu pena da gárgula, deu pena da torre, deu pena da muralha.
Só não consigo sentir pena do Ysalv, esse cantante que, mais cedo ou mais tarde, vai ser chamado pelo Udror para um “passeio pelo pântano”.
Eu sofro… eu choro… mas, na verdade, adoro meu trabalho! HA HA HA HA!!!




Pedro Penido é jornalista (www.meiodigital.wordpress.com), escritor (www.tempusfugere.blogspot.com), poeta (www.versofractal.blogspot.com) e alucinado jogador de RPG e tudo quanto é tipo de jogo (www.horizonteparalelo.net). Escreve Bardos & Goblins semanalmente para o Hora da XP e o Dragões do Sol Negro.

1 Blá blá blá!:

Paulo disse...

rsrsrs

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