sábado, 11 de dezembro de 2010

Aspectos educacionais da construção do personagem


Aspectos educacionais da construção do personagem


Há algum tempo estive conversando com uma pedagoga colega minha sobre o uso do RPG na Educação – tanto em sala de aula quanto como atividade extra, no contra turno. Ela me revelou que era uma fã incondicional do RPG, sobretudo pela criação do personagem. Acreditem, essa pedagoga existe! (rs)

Eu, que sempre gostava de dar enfoque para a interpretação, a pesquisa, o trabalho em equipe, me surpreendi ao ouvi-la comentar de como a construção do perfil do personagem é rica.

Sempre considerei a elaboração do personagem um momento crucial, até porque, como psicólogo, acredito que os personagens são de alguma forma projeções do próprio jogador; mas ouvi-la falar parecia como se as cortinas estivessem sendo abertas. Os argumentos se sucederam rapidamente.

Primeiramente sobre o tipo de personagem mais adequado para o ambiente! Por exemplo: um arqueiro arcano numa aventura de Star Wars seria no mínimo estranho. Ou ainda num cientista, pesquisador de tecnologia de ponta, numa aventura do velho-oeste. Ou seja, o jovem ao descobrir o ambiente do jogo possivelmente vai pesquisá-lo para descobrir que tipo de personagem é mais apto, ou tem determinadas vantagens ou desvantagens.

Alguém que não goste de jogar no papel de perseguido, não seria um mago ou feiticeiro numa aventura sobre a Inquisição; ao passo que, alguém que goste da sensação de ser perseguido de ser uma minoria contra o mundo, pode se sentir muito à vontade com esse personagem.

Após decidir que tipo de personagem é melhor para se interpretar no determinado ambiente, é feito o histórico ou o background do mesmo. Esse histórico é importante não só para o mestre inserir ganchos para detalhes da história de cada personagem, como também para o próprio jovem se deparar com seus próprios valores e anseios. Não que a criação dessa história seja uma terapia, mas muitas vezes tem efeitos terapêuticos. Um jovem que considera o máximo ser o bandido, o temido, o bad boy e cria um personagem seguindo esses preceitos muitas vezes revê seus valores por perceber que esse personagem é temido, mas não tem amigos e quando alguém puder, vai traí-lo. Ou seja, ao ler toda a criação da vida do personagem o jovem, de alguma forma, “se vê”, como num espelho, e dessa forma pode potencializar ou mudar alguma atitude ou valor específico.

Por último e não menos importante temos a distribuição dos pontos de habilidades e perícias. Quem gosta de criar um bom personagem, sabe que a distribuição de pontos não é simples. É impossível ser bom em tudo. É importante conseguir administrar em que deve ser bom e o quanto deve ser bom. Essa habilidade com números ainda acrescenta com a coerência do histórico.

Para não acontecer como um conhecido meu uma vez, que espalhava aos quatro ventos que era um exímio jogador de RPG. Numa aventura ele criou um pesquisador que tinha como hobbie colecionar artefatos históricos relacionados à magia. Entretanto, na habilidade chave para isso (não lembro qual era... algo relacionado a ocultismo ou religião) ele considerou incríveis ZERO pontos. Ou seja, um mercador esperto vendeu para o personagem dele um pedaço de pano e uma lasca de madeira dizendo que era tecido do santo sudário e a lasca da cruz de Jesus. Não preciso nem dizer que ele é motivo de risadas até hoje!

Não mencionei, mas ainda existe a questão visual ou artística que muitos jovens gostam, que é o desenho do personagem, a forma como ele se apresenta para a sociedade. Não que todos se sintam a vontade em desenhar, mas a maioria tenta expressar todo o poderio ou características do personagem que estão em sua mente para o papel para que todos tenham a mesma visão que ele.

Após a fala de pedagoga não me restou muito a não ser concordar em gênero, número e grau e falar para mim mesmo que postaria o resultado da conversa aqui.



Muito sucesso decisivo a todos!


Escrito por :

Matheus Vieira
Psicologia
Mestre em Educação
Trabalha com RPG em sala de aula desde 2006

2 Blá blá blá!:

Fábio Silva disse...

Muito bom, e melhor ainda por saber que o RPG ganha espaço entre os profissionais da área.

Bastante interessante a abordagem do texto, e todos os sentidos.

Obrigado pelo post, me ajudou muito - acrescendo conhecimento útil. Vocês sempre matêm a exelente qualidade nos post's.

Parabéns pela bela iniciativa Matheus e a essa pedagoga.

Abraços a todos

Max Sawaya disse...

Bem interessante mesmo a matéria.

Parabéns.

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