segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Senhor dos Mortos Vivos - 5ª Parte

Olá, galera. Trazemos a vocês hoje a quinta parte da saga "Senhor dos Mortos Vivos". Esperamos que apreciem e comentem. A primeira parte está aqui, a segunda aqui, a terceira aqui e a quarta aqui.





Senhor dos Mortos Vivos - Parte 5

"Extremo leste do continente.

Na estreita faixa de terra que ligava o continente de Adalahar às ilhas Tenarkiron, caminhava um paladino. Trajava uma respeitosa armadura polida e reluzente, empunhava uma imensa espada bastarda. Era, na verdade, “o paladino”. O escolhido da Rainha Naty. Incumbido de uma missão que não se comparava às demais.
Aquele lugar era conhecido como o Vale das Revelações, ainda que, geograficamente, não fosse um vale propriamente dito. As lendas diziam que todos os mistérios do mundo encontravam uma solução naquele lugar. Uns diziam habitar ali um monge de cinco mil anos de idade que tudo sabia. Outros supunham que um avatar do deus do conhecimento aparecia para saciar dúvidas dos que lá ingressavam. E ainda havia quem dissesse que o simples fato de penetrar naquela região já enchia a mente com as respostas para qualquer pergunta.
Se havia um local onde a chave que abria o Livro dos Mistérios pudesse estar, era lá. Pena o local ser tão imenso.
Um nevoeiro enigmático cobria a linha de visão, não permitindo saber até onde ia a faixa de terra, muito menos o que estava a mais de uns poucos metros de distância. Paladino Yan sabia que seus colegas estavam em guerra enquanto ele caminhava, por isso tinha consciência de que tinha o tempo contra si.
Súbito, uma força invisível apossou-se de seu corpo, enrijecendo membros, transformando cada passo, cada movimento em uma batalha contra seus próprios músculos. A névoa cinzenta intensificou-se, um aroma soporífero impregnou o ar, e sua visão ficou turva. A cabeça não sabia para onde levar as pernas, que por sua vez não eram obedecidas pelos pés, enquanto os sentidos iam um a um querendo se apagar.
O Paladino Yan já imaginava desafios impensáveis quando se aproximou do Vale, e não se surpreendeu. Deixou que a fraqueza o fizesse cair de joelhos e que as pálpebras cedessem ao impulso de se fechar, e orou. Imediatamente, surgiu em sua mente, coração e alma a imagem magnificente de Sandy, deusa da bondade, rainha suprema dos céus e da terra, e soberana absoluta das divindades. Cada fibra de seu ser se prostrou em reverência. Suplicou por força, e sentiu a força. Suplicou por resistência, e a resistência veio. Suplicou por bravura, e a bravura o invadiu. Suplicou que houvesse justiça, e ouviu o silêncio ser quebrado.

- Não devia ter vindo aqui – a voz tinha uma estranheza quase alienígena – Ter a proteção dos deuses, ainda que dos mais poderosos, não será suficiente para que saia daqui vivo.

Toda a força, resistência e bravura seriam postas à prova.

***

Já havia mais corpos sem vida do que se podia contar. O interior e as cercanias de Gyandarhak ardiam em chamas naturais e mágicas.

- Morram, escória do universo. Percam suas vidas em honra à grande Rainha Naty – Hanyny berrava a plenos pulmões.

O bardo girou a adaga em um longo perímetro ofensivo levando consigo a cabeça de um oponente. Outros teriam o mesmo destino nos minutos seguintes, vítimas do mesmo movimento, após ouvirem uma bravata semelhante.
Dahiran retesava o arco carregado de flechas dotadas das mais variadas capacidades destrutivas, e efetuava disparos instintivos. Recarregava, vislumbrava inimigos, atirava sem fazer mira, e vibrava discretamente com a queda dos rivais, e repetia os passos até começar a ser alvo de ataques e ter que recuar. Virotes de besta envenenados voavam almejando sua garganta sem sucesso. O arqueiro mirou no chão, a poucos centímetros de seus pés. O contato da flecha com o solo gerou uma explosão, e dela surgiu uma fumaça esbranquiçada que envolveu o corpo de Dahiran. Os ataques começaram a desviar dele sem que precisasse se mexer.
Não muito longe dali, uma maça estrela esmagava crânios e ajudava a quebrantar a formação defensiva de uma parede de escudos. Haylla saltou sobre o corpo moribundo de um servo do deus da morte e ganhou impulso para subir em cima de uma das máquinas de guerra e nocautear quem a operava. Lanças envenenadas rasgaram parte de sua pele quando as tentativas de esquiva falharam, e o sangue começou a umedecer seus braços.

- Para quem já provou o veneno da desonra, isso que suas armas carregam não é nada.

Rodopiando pelo campo de batalha, os três súditos da Rainha Naty alteravam suas posições no campo de batalha a fim de destruir as formações ofensiva e defensiva do oponente. As tropas do reino Dalieh atacavam pelo lado oposto, mas já tinham sofrido baixas suficientes para não conseguirem mais rivalizar com os invasores.

- Pela honra, pela glória e pela soberania eterna da Rainha Naty – Hanyny recuou uns poucos metros. Dahiran olhou para ele e entendeu – Haylla, abra caminho até onde atuam as fileiras dos soldados aliados e ordene que recuem.
- O que pretende fazer? – a clériga berrou de longe.
- Nós vamos apelar – Dahiran sorriu, e começou a se preparar.

Tanto quanto pôde, Haylla aproximou-se do outro lado do confronto, onde combatiam os soldados do reino de Dalieh e berrou para que recuassem. Os que entenderam não foram muitos, mas o recuo de alguns motivou muitos outros a fazer o mesmo. Haylla meteu-se entre eles e improvisou uma formação defensiva, na espera que seus colegas compensassem a perda de terreno com alguma idéia brilhante.

- Ok, deixe-me recomeçar – Hanyny colocou os dedos sobre o sangue de seus ombros, e umedeceu nele seus dedos. Dedilhou com sangue uma nova melodia. Todos que tinham maldade no coração sentiram o tecido da realidade se distorcer e retorcer – Pela honra, pela glória e pela soberania eterna da Rainha Naty. Eu os sentencio a morte, por terem desafiado minha monarca e seus aliados.

E a melodia teve início fazendo os seres malignos serem envolvidos por uma redoma de faíscas negras.

- Eu os condeno a arder no fogo mágico do maior guerreiro – Dahiran colocou em seu arco a mais imponente flecha que possuía – Eu invoco o poder destrutivo que pune os que não se ajoelham diante da Rainha Naty. Eu invoco a chuva de meteoros.

A flecha sumiu no horizonte e impregnou os céus de magia, gerando o poder arcano que invocava a magia mais poderosa do mundo conhecido.
Choveram meteoros de fogo sobre todos os inimigos, que imóveis pela mágica do bardo, só puderam morrer.

- Assim terminam as guerras – Hanyny sorriu – Com a vitória de Sua Majestade."

Continua dia 13 de dezembro. Mais sobre o trabalho do autor Jacó Galtran no blog dele aqui.

0 Blá blá blá!:

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