terça-feira, 16 de novembro de 2010

Senhor dos Mortos Vivos - 4ª Parte

Olá pessoal. Com alegria trazemos a vocês a quarta parte da saga desenvolvida pelo nosso colega Jacó Galtran. Caso não tenham acompanhado o começo, a primeira parte está aqui, a segunda aqui e a terceira aqui.

Boa leitura, e não deixem de comentar.


Senhor dos Mortos Vivos - Parte 4

"Paredes de escudos. Armas envenenadas. Flechas de fogo. Reféns presos a máquinas de guerra. Sinistros tambores tribais ressoando durante o dia. Feras uivando melodias infernais à noite.
O exército do deus da morte já fazia os preparativos finais para atacar Gyandarhak, capital do reino de Dalieh. A cidade já estava cercada, as fundações das muralhas que a protegiam já estavam sendo miradas pelas armas de cerco e mais guerreiros já estavam vindo juntar-se ao contingente já posicionado.
E um desses pequenos grupos de soldados, locomovendo-se rumo à batalha, acabou cruzando com Dahiran, Haylla e Hanyny nas proximidades da zona de conflito. Os lutadores eram seres humanos, mas não mereciam o termo. Os corpos, desprotegidos pela ausência de armaduras, exibiam um amontoado de símbolos profanos gravados a ferro e fogo. Os rostos, há muito metamorfoseados em animalescas feições de bestas selvagens. Sangue escorria incessante em braços e pernas, mesmo sem haver ferimentos que justiçassem isso, em um contraste rubro com a vermelhidão doentia dos olhares. Não eram mais seres vivos: eram máquinas de guerra movidas por mórbidos desejos de decapitação.
Eram quinze e traziam consigo espadas bastardas e sede de morte. Encararam os oponentes com um misto de desprezo e satisfação. Encontraram vítimas que surgiram do nada, que não eram nada, mas que proporcionariam uma breve distração antes de sua verdadeira batalha começar.

- Eles são um monte de lixo – Haylla segurou com ainda mais força sua maça-estrela – Mas quanto mais deles morrerem, mais o exército daquele miserável será fortalecido.
- Não se preocupe – Dahiran retesou o arco, duas flechas preparadas para o disparo – Esse é o tipo do lixo que eu não me importo em ter que matar duas vezes.
- Se importam se eu providenciar a trilha sonora da morte deles? – Hanyny intrometeu-se na conversa, ocarina em mãos.

O bardo começou. Uma cantilena sombria, na qual os agudos dissonantes eram pontuados por graves sorumbáticos nos contratempos. Cada nota era uma agressão aos ouvidos. A melodia fúnebre que se formava era a magia bárdica interferindo no curso natural dos sons, transformando melopéia em réquiem, tornando a métrica uma contagem regressiva para a destruição dos sistemas nervosos dos oponentes.
Os quinze caíram. Uns sem vida, outros se debatendo em convulsões, e uns tantos mais catatônicos, conscientes o bastante apenas para tentar arrancar seus próprios ouvidos.

- Morram, escória sem valor. Morram para a glória da Rainha Naty.
- Então agora vamos nos apressar um pouco, porque – Dahiran apontou para longe, onde um imenso exército estava formado – se quisermos salvar aquela cidade, não podemos mais esperar.

***

Poucos quilômetros à frente, a contenda já havia começado. Os altos-sacerdotes do deus da morte vociferavam ordens de ataque. As flechas de fogo eram lançadas às centenas em direção aos portões de ferro maciço, cravando-se nele sem conseguir derrubá-lo. Catapultas, balestras e máquinas rústicas similares a canhão provocavam explosões nas fundações das muralhas que circundavam a cidade, mas pareciam não fazer muito estrago.

- Cessem o ataque – berrou um dos altos-sacerdotes.

Magia. O reino de Dalieh era famoso por sua notável habilidade em fazer uso de artimanhas mágicas em situações de guerra. Certamente, alguma proteção arcana estava salvaguardando a cidade. Por isso os ataques não surtiam efeito.
Um indivíduo que não mais merecia ser chamado de humano adiantou-se. Rodeado por moscas, cerrou as pálpebras sujas de sangue e gordura e começou a proferir uma desencontrada seqüência de palavras desconhecidas. Pequenos gestos foram executados. O tecido da realidade começou a se alterar, e todos sentiram os estômagos borboletearem. Alguns perderam o equilíbrio. Um lampejo ofuscou os presentes por um breve instante. A barreira mística fora quebrada.

E então, a guerra verdadeiramente começou.

***

A Rainha Naty estava agitada. Chegara há pouco a informação de que o Senhor dos Mortos Vivos e seu exército moviam-se rumo ao extremo norte do continente. Em outras palavras, tinham abandonado sua base de operações para iniciar uma investida em larga escala.
A monarca já tinha um bom número de soldados de todos os tipos preparados para a contra-ofensiva, mas, no fundo, preferia que o combate só ocorresse depois que seus maiores servos tivessem voltado da batalha em Dalieh. Não tendo escolha, fez o possível para motivar os que ali estavam.

- Hoje será um dia de glória! – a Rainha discursava da sacada do Castelo, perante seus milhares de comandados – Hoje vocês lutarão contra um inimigo terrível. Mas não lutarão por vocês, nem por suas famílias, nem tampouco por mim. Lutarão pelo futuro do mundo. Lutarão para garantir que tudo que conhecemos não seja arrasado por uma força sobrenatural desconhecida. Vão meus guerreiros! Lutem com coragem. Lutem em defesa de nosso mundo. Que os deuses lhes dêem a força necessária, pois bravura eu sei que vocês possuem.

Quando a marcha rumo ao inimigo começou, a Rainha sentiu um calafrio. “Paladino Yan, apresse-se”.

***

Subitamente, guaritas escondidas por magia surgiram do alto dos muros de Gyandarhak, revelando feiticeiros canalizando energia arcana. Por longos minutos relâmpagos, bolas de fogo e raios de gelo foram disparados, chocando-se no ar com as flechas e bestas envenenadas lançadas na direção contrária.
Portões caíram e um mar de soldados vindos de ambos os lados começaram o embate. Uma massa cacofônica de gritos de bravura, dor e loucura somavam-se ao clangor do aço encontrando o aço. Armas de todos os tipos iam sendo brandidas e corpos de ambos os lados já iam conhecendo a morte.
As máquinas de batalha fustigavam as muralhas, fazendo-as ruir pouco a pouco. Os defensores da cidade sitiada pararam de chegar, deixando claro que aquele era o tamanho do exército – e estavam em inferioridade numérica.

Quilômetros atrás do confronto, ocultos por subterfúgios mágicos, corriam três servos da Rainha Naty, ávidos por tomar parte na carnificina.

- Pelas minhas contas, devem ser uns dois ou três mil inimigos – Dahiran sorriu de canto de boca, com a empolgação adolescente que por vezes o dominava.
- Você tem canções suficientes para fazer tanta gente assim dormir? – Haylla perguntou a Hanyny.
- Não – o bardo respondeu – Mas tenho um par de adagas. E pouca paciência.

Continua dia 29 de novembro. Mais sobre o trabalho do Jacó, você no blog dele.

1 Blá blá blá!:

Jorge disse...

Bom d+

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