segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Senhor dos Mortos Vivos - 3ª Parte

Olá, pessoal. Hoje nosso amigo Jacó Galtran traz a terceira parte da saga quinzenal "Senhor dos Mortos Vivos". Caso não tenham pego o começo da trama, aqui está a primeira parte e aqui a segunda.

Boa leitura.



Senhor dos Mortos Vivos - Parte 3

"Ruínas de Iszalaryanthan.

- Chegamos tarde – Dahiran sacudiu a cabeça em desaprovação.
- De qualquer forma, não acho que teríamos tido condições de impedir – o Paladino Yan agachou-se para verificar se os corpos estavam realmente sem vida.

Sete cadáveres. Um velho anão, uma jovem elfa, uma mulher humana, um halfling, dois meio-orcs e um meio-elfo. Metros adiante, jazia um colossal dragão azul. No meio deles, armas, pertences, artefatos, vísceras e muito sangue.

- As informações davam conta de que eram três dragões azuis – era o Paladino Yan.
- Esse pessoal deve ter derrotado apenas um deles, e depois ter sido morto pelos outros dois – o guerreiro resmungou em resposta – O pior é que se esses caras conseguiram matar um dragão tão forte, é porque eles também eram muito fortes.
- Mais gente poderosa a serviço daquele miserável.

Dahiran fez menção de vasculhar os pertences das vítimas, mas o Paladino Yan não deixou. Disse que não precisavam daquilo.

***

Estavam todos reunidos em um aposento próximo à Sala do Trono. Sua Majestade, confortavelmente sentada em uma réplica do trono, Yshyanylla, Haylla, Hanyny, Paladino Yan, Dahiran e outros conselheiros de guerra prostrados.
Aqueles que voltaram de viagem não tinham tido tempo de se refazer, pois a Rainha convocara a reunião em caráter de urgência. Naturalmente, ninguém reclamou.

- Estive pensando sobre o curso de ação a ser seguido – a monarca começou – Eu já tinha traçado um plano, mas acontecimentos recentes me fizeram repensar – a Rainha bebericou um pouco de vinho antes de continuar – Lamento não poder dar a vocês tempo para descansarem.
- É com alegria que abriremos mão de nosso descanso para cumprir suas ordens, Majestade – era o Paladino Yan, reverente.
- Pois bem. Vamos direto ao que importa: os magos sairão das fileiras dos exércitos para desempenharem outra função – a Rainha prosseguiu – Inclusive você, Yshyanylla.
- Ouço e obedeço, Majestade – a conjuradora respondeu de cabeça baixa – Pode me explicar qual exatamente será minha missão?
- Muito simples. Vocês criarão um exército de construtos. Alguns feiticeiros já estão iniciando os trabalhos. E você, com seu poder e conhecimento, vai auxiliá-los. Depois que tivermos uma quantidade razoável de autômatos, poderemos realizar um ataque mais eficaz.
- Entendi – foi a vez de Dahiran se manifestar – Construtos não são seres vivos. Se eles forem destruídos, o Senhor dos Mortos Vivos não poderá ressuscitá-los.
- Genial, Majestade – foi Haylla, empolgada.
- Foi idéia de Hanyny – a Rainha sorriu, deixando o bardo constrangido – Mas criar este exército vai levar muitos dias, mais do que podemos esperar. E já há informações de que os exércitos do Senhor dos Mortos Vivos estão em movimento. Provavelmente saindo da ilha onde se encontram com a intenção de avançar sobre terras civilizadas.
- E o que Vossa Majestade pensa em fazer para impedi-los – questionou Hanyny.
- Nossos guerreiros estão ansiosos em ir lutar. Vários generais já imploraram que eu os autorizasse a reunir um contingente de soldados e ir ao ataque.

Silêncio absoluto no recinto. A Rainha bebeu mais vinho.

- Decidi autorizá-los a fazer isso.

Mais silêncio. Todos os presentes eram radicalmente contra um ataque frontal, mas ninguém ousaria se manifestar contrariando uma decisão de sua monarca.

- Esse confronto vai nos dar parte do tempo que precisamos para aprontarmos os construtos. Além disso, se nossos guerreiros querem tanto combater, me parece justo que tenham este direito. Se eles morrerem, terão morrido em minha honra, entregando suas vidas para minha glória. Aprecio isso.
- E nós, Majestade – o Paladino Yan questionou – Tomaremos parte neste confronto?
- Não. O pequeno reino de Dalieh nos pediu ajuda militar. Eles estão sendo atacados por clérigos do deus da morte. Vamos ajudá-los a resolver os problemas deles agora, para depois eles nos ajudarem com os nossos. Além disso, há rumores de que o deus da morte teria se aliado ao Senhor dos Mortos Vivos. Por isso achei melhor intervirmos nesta guerra.
- Podemos iniciar nossos preparativos então?
- Você não, Paladino Yan. Dahiran, Haylla e Hanyny farão isso. Para você tenho outra missão.

***

O castelo real tinha dezenas de aposentos. Alguns eram cômodos para descanso, outros eram salas de recreação, salões para reuniões dos conselheiros, e locais secretos onde parte do incalculável tesouro real ficava. Não se comentava muito, mas também havia no subterrâneo um grande número de masmorras onde eram aprisionados aqueles que desobedeciam a Rainha.
Em meio à infinidade de recintos, havia a Biblioteca Real. Lá, repousavam sobre estantes de ouro puro centenas de livros dos mais variados tipos. Tomos arcanos que não interessavam muito aos fúteis membros da corte, compêndios de mapas antigos, obras de bardos do século passado, e coletâneas com os interessantes relatos dos historiadores do reino.
Não era comum a Rainha Naty ingressar na biblioteca, muito menos acompanhada.

- Encoste a porta – a soberana ordenou ao Paladino Yan assim que este entrou.

A monarca retirou da prateleira um livro cinza. Era grosso, tinha lombada quadrada e sua capa de couro não podia ser aberta, devido a entrelaçados fios de nylon que a circundavam. Letras escritas à mão podiam ser vistas. Mas Sua Majestade não tentou desatar os nós que mantinham o tomo fechado.

- Este livro é conhecido entre meus antepassados como o “Livro dos Mistérios” – a Rainha confidenciou – Conta-se que teria sido enviado ao mundo pelo deus do conhecimento em tempos remotos e que seu conteúdo seria capaz de sanar qualquer dúvida.
- Fascinante – o Paladino respondeu maravilhado.
- Entretanto, ele não pode ser aberto. Não ainda.

O servo fiel arregalou os olhos sem entender o que sua mestra queria dizer.

- Acredito que, se existe um meio de descobrirmos mais sobre nosso inimigo, é abrindo este livro.
- E Vossa Majestade está me dizendo isso porque...
- Você encontrará a chave mágica capaz de abrir este livro. Esta é a sua missão, Paladino Yan."

Continua daqui a quinze dias. Mais sobre o trabalho do Jacó aqui.

0 Blá blá blá!:

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