quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Prévia para uma Aventura by Mestre Urbano



Um passeio noturno

Ele chamou seu amor e ela saiu do leito lentamente. Robert estendeu a mão par ajudá-la. Após limpar a sujeira das vestes de Elga, indicou com a cabeça a estradinha por onde caminhavam desde que se conheceram.

Sem expressar nada, Elga acompanhou o parceiro, ele não queria forçá-la a uma ação, preferia lembrar quando ela fazia charme ficando em silêncio, com um sorriso nascendo no canto dos lábios. A saudade foi tamanha que sem que querer fez ela sorrir, sem o mesmo brilho de outrora, sem a vida que um dia preencheu seu corpo. Chorou, após se recompor, continuaram o passeio que era tão costumeiro nas manhãs na época em que viviam seu paraíso particular. Agora era feito em meio à madrugada. O lago onde se beijaram a primeira vez, a capela da cerimônia que os uniu na vida e a casa onde moraram.

Uma família passou  pelo casal macabro, deviam estar indo para o campo, afinal, faltava pouco para o dia nascer. O filho cumprimentou alegremente, pois reconheceu Dr. Robert, fora ele que fez seu parto, como de tantos outros na vila onde viviam. Porém, quando a mãe o reconheceu,  acelerou o passo da comitiva, acenando nervosamente para eles.

Todos sabiam o que acontecia nas madrugadas nos arredores da casa do Lefate e, ao contrário do que seria normal, aceitavam. Como ir contra aquele amor que todos acompanharam, depois de ver como Robert ficou arrasado? Justo ele que a todos protegia e cuidava, tanto nas doenças, como nas colheitas e ajudava os homens a afastar os lobos no inverno. Mas desde que sua alegria foi tirada,  reduziram suas consultas aos necessitados e participação nas reuniões dos anciões.
Começaram os passeios e um medo se instaurou nas almas de todos.

Por enquanto era sempre a mesma coisa, ele a chamava e passeavam. Uma versão de terror do que acontecia há um ano atrás.
Mas e se um dia ele perdesse o controle? E se mais alguém morresse?

Só depois do dia fatídico ele notou a ironia, a piada mortal por trás de tudo.
Um amor nascido durante um funeral não era de se estranhar tanto que terminasse assim, porém não tão rápido, não daquela maneira.
Um acidente com uma faca, um jeito bobo, talvez vingança dos deuses, os quais ele negava, ou só coincidência, assim como foi o encontro deles naquele cemitério.

Voltando onde tudo começou, ou terminou, ele abraçou seu amor e fez com que ela o abraçasse. O corpo dela frio não tremeu como naquele dia no lago e o beijo na boca seca e com gosto de terra não trouxe o que ele tanto buscava.

Com um “até logo” silencioso e seu comando, ela deitou e a terra começou a cobriu tudo. O Sol já nascia e o corpo dela sofreu um pouco. Nessa noite ele abusou da companheira. Isso não podia se repetir ou nunca mais poderia vê-la. Era algo egoísta, porém não conseguiria ficar sem vê-la, até achar um jeito de trazer seu amor de volta da morte definitivamente.

Voltou para casa, precisava visitar alguns pacientes ou as pessoas começariam a fazer peguntas demais e a se intrometer. E, também, Elga gostaria que ele continuasse o trabalho deles. Descansaria para poder invocá-la na noite seguinte, para ter mais um encontro.

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Contexto

Esse é um pequeno conto que serve como base para uma aventura que eu iria mestrar, mas como não é a minha vez no meu grupo divido-a com vocês. Será apresentado só a idéia, sem regras,  quem for usá-la está livre para aplicar ao sistema favorito.

Robert é um homem culto e de família rica, por isso teve acesso à magia arcana e à medicina, esta última pouquíssimo aplicada na maioria dos cenário de fantasia. Viveu como aventureiro por um tempo. Gostava mais do conforto da mansões da família Lefate do que das masmorras. Abdicou dos deuses por acreditar que só eram seres super poderosos, egoístas e que manipulavam os seres do mundo.

Quando foi ao enterro de um parente distante, só para se distrair, sua vida mudou completamente. Conheceu Elga, uma jovem daquela vila afastada, a qual se tornou um pedaço sonho para ele.
Mudou para vila Mephistis e se casou com aquela que dominou seu coração, mas uma morte, no mínimo estúpida, levou quem ele mais amou para o outro lado do véu. Quando voltou para casa, viu a esposa caída em cima de uma faca que ficara bizarramente presa ao chão, em uma fresta da madeira do piso.

O choque foi tamanho que, após duas semanas de luto, usou todo o seu conhecimento para trazer seu amor de volta dos mortos, porém, como se esse fosse o momento de vingança perfeito dos deuses, ele não conseguiu completar ritual e ela só voltou em uma forma carcomida e com a alma incompleta.

A loucura só piorou em sua mente e sua alma estava abalada demais até para procurar evidências que comprovassem o acidente ou porque ele falhou na magia.

Atualmente ele vive se encontrando com o ser que chama de esposa, um espectro de toda a beleza que ela já teve, algumas vezes a consciência toma-o e ele volta às atividades normais, para na madrugada seguinte passear com sua esposa morta-viva.

Em jogo

Robert é um mago e conhecedor de técnicas avançadas de medicina, em Tormenta ele poderia ser de Salistick. O que ajudaria explicar sua visão dos deuses. Em Forgotten isso também é fácil de usar.
Em cenário sem deuses, simplesmente ignore essa parte.

Dicas para aventura

1 - A morte de Elga não foi um acidente, pessoas do grupo de aventuras de Robert tentaram achar um mapa indicando a posição de um tesouro que tinha ficado com ele. Elga chegou quando eles estavam lá e foi morta. Os PCs podem ter conseguido esse mapa em outra aventura e acabarem envolvidos na morte dela.

2 – Os deuses realmente intervieram e ao menos que Robert faça uma penitência, impediram que Elga volte à vida. Ele pode pedir ajuda aos PCs ou pagar por isso.

3 – Pessoas da vila suspeitam que outros moradores tenham matado Elga para afastar Robert e conseguir manipular mais fácil seus interesses. Os PCs podem ser pagos para tentar decifrar esse mistério.

4 – Pessoa começaram a desaparecer e as acusações caíram sobre o viúvo, ele ou alguém complacente com  situação contrata os heróis (talvez eles mesmo se envolvam, se houver alguém muito bom no grupo, como um Paladino) para descobrir onde estão as pessoas e/ou se Robert finalmente sucumbiu à loucura.


5 – Elga era uma ladra conhecida como Libélula Negra e sempre que viajava para as grandes cidades realizava seus trabalhos. Escondia tudo no sótão dos pais e depois em uma pequena sala abaixo da cozinha. Muitos foram aqueles que tem taram descobrir quem ela era.
E se alguém descobriu pode ter indo atrás daquele pequeno tesouro. Teria ela se defendido de um ladrão?
Os heróis pode está atrás de uma ladra famosa e se envolvem num caso macabro quando seu esposo acredita que eles são os culpados.

6 – E mais obvia, Robert enlouquece completamente e começa a usar pessoas da vila em experimentos para tentar trazer a amada de volta, cabe aos pcs impedirem que ele mate todos e crie um exercito de morto-vivos.


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Acesse:
http://mestreurbano.wordpress.com

4 Blá blá blá!:

Malkavian disse...

Parabens Vurbs!!!! Mais um texto muito bom da sua parte!!!
Continue assim... e quem sabe em breve isso ai não me incentive a terminar meus contos!!!

Boa sorte!

Abs

Dragões do sol Negro disse...

Opa e quando terminar, ficaremos felizes em publicar pra você aqui no nosso blog.

mestreurbano disse...

Valeu Malk. Espero que você volte logo a escrever.

Abs

Alessandro disse...

Parabens :D

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