sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Nas fronteiras de Yel II

Segunda semana

Baixas: 26
Objetivo: carnificina com os exércitos do deus serpente.
Metas periódicas: neutralizar o ultimo general dos 4 designados anteriormente; Interceptar o avanço do grande exército.
Status meta: ...

Estou de mau humor, sinto vontade de matar. Quero atravessar esse rio e cortar cabeças para Nerull, mas tudo o que posso fazer é ficar esperando que eles venham para nós.
Contamos 154 fogueiras na margem oposta, sem mencionar as que se ocultam atrás das árvores, arbustos, pedras e declives no terreno. Escolheram esta parte do rio, porque a travessia é mais longa com cerca de quinhentos passos, e com isso o volume das águas fica disperso, o nível fica raso e a correnteza mais amena. Nossas fortificações escondem nosso numero escasso e a falta de imponência de nossos homens, e penso ser este o motivo porque não insistem na travessia, e ao invés disso fazem suas próprias trincheiras e montam uma débil paliçada. Não sei o que pode acontecer de hoje em diante, mas espero que a nossa frente de combate do oeste termine logo o serviço na grande travessia e os cerquem pelo sul. Se não acontecer, firmarei alianças com tribos no norte e no leste.


Dia 1
Após retornarmos ao ponto 1 que nos serve como base, descobrimos que os homens estavam bêbados e alegres. Então me juntei ao vinho deles, ri e depois matei um soldado que se achava intimo o bastante para me dirigir a palavra em vão.
Dispúnhamos de 76 "soldados" e 19 fazendeiros e pescadores que se uniram durante a primeira semana. Sinceramente, se eu os oferecesse ao meu senhor Nerull, seriam mais uteis do que são em seus postos.
Pela primeira vez em uma semana eu dormi. Dormi para acordar com o alvoroço dos soldados atrapalhados e vacilantes.
Eram as criaturas que havíamos deixado para trás, e com eles o líder que antes não havíamos capturado e um exercito de proporções aparentemente desafiadoras às forças de Yel, porém as arvores impediram que fizéssemos uma contagem precisa.
Empunhei abismo, o presente vorpal que recebi de meu deus e caminhei sem armadura até a margem do rio. Pude ouvir os passos de meu serviçal bruxo mas não o impedi de me seguir. Ao fitar meu inimigo, descobri que era uma mulher com vestimentas de homem, e ela usa bruxaria também, pois pude ouvir em minha mente uma voz entrecortada dizendo que eu iria morrer afogado no sangue de minha tropa. Em resposta, disse que ela morreria afogada no gozo de mil homens. Claro que ela não sabia de nosso numero, mas pareceu muito ofendida, pois gritou para que um arqueiro me derrubasse e que seus homens atravessassem. Ela falava em uma linguagem infernal, mas eu entendi tão bem quanto poderia. O soldado retesou o arco e seu braço tremeu por um instante. Então pude ouvir o silvo malicioso da flecha que vinha do alto, eu sabia que ela me acertaria, mas esperei, até o ultimo instante porque sabia que meu servo havia cantado um feitiço em mim. A flecha acertou em meu peito tal como se tivesse se chocado contra pedra. As vezes acho que confio demais em meu servo...
Mas pude contemplar a perplexidade de todos os inimigos e esse é o favor dos deuses para os homens que os entretêm.
Vi-os acotovelando-se e cochichando, e soube que havia balançado a confiança deles pois um tiro como aquele poderia ter derrubado qualquer homem sem proteção, qualquer um, mas ao longe não poderiam ver o bruxo por trás da mata preta-e-branca do alvorecer. Então, eu deveria agir para me certificar de que a moral do inimigo ficaria em farelos: disse à meia voz para que o servo lançasse seus poderosos trovões na água, pois eles haviam cometido um erro mortal ao começar a travessia. Ergui abismo com altivez e esperei o ribombar da rasgadura dos céus. Demorou longos momentos, e achei que teria de entrar em combate sem minha armadura. Eles brotavam de dentro da floresta como um enxame de insetos enraivecidos, e não paravam mais de sair, deviam ser mais de trezentos e cinquenta. Permaneci confiante e solene até que uma forte luz cegou a todos, e fez nossos ouvidos zunirem. Quando finalmente pude enxergar, gargalhei:
Estava chovendo carne.
Pela água boiavam corpos retorcidos, em algumas arvores, tinham mais alguns corpos pelos galhos e a água rubra mordia os inimigos ainda vivos, fazendo-os babar e sangrar pelos olhos. Lá estavam os homens-serpente, humanos, orcs e goblinóides, adentrando a escuridão sem fim. Nem me importei quando percebi que alguns dos meus guerreiros também haviam entrado na água para formar uma parede de escudos também estavam boiando. Pouquíssimos dos que entraram em água sobreviveram, e isso quer dizer a metade do exercito inimigo em numero de quase quatrocentos corpos boiando ou despencando em várias partes.
O inimigo se retirou da pequena fortificação e recuou para o sudeste, conforme um dos integrantes de nossa elite confirmou. Então dei minha palavra ao bruxo de que ele teria ainda mais poder, o que parece tê-lo contentado, pois se curvou e depois se adiantou alguns passos para ver a destruição que causara. Eu sei como ele se sentiu. O prazer do cheiro de sangue, do aspecto da morte tomando os arredores, do pavor dos inimigos... Algo magnífico corre em nossas veias, e é isso que o liga a mim.
Contamos os mortos, empalamos e enforcamos os corpos que não haviam sido levados pela correnteza e encerramos o dia com vinho.

Dia 2
Mandei espiões aparentemente confiáveis ao inimigo e Balthazar os acompanhou por vontade própria. Aguardei o dia todo na fortificação e nada fiz além de meu culto a Nerull: mais um soldado morreu. Outros, aterrorizados com meus atos, tentaram desertar, mas os lembrei que estavam prometidos as defesas de Eöruwel, com abismo desembainhada.

Dia 3
Caçamos para suprir nossa alimentação. E só, eu acho.

Dia 4
Balthazar voltou ferido, trazendo noticias de que mais tropas marchavam para a passagem, carregando catapultas. Disse que usaram magia para surpreendê-lo e eu desconfiei, mas não demonstrei. Mapeei as informações que me foram passadas por ele e calculei que teríamos dificuldade caso todos viessem para este ponto. Então Perguntei a meu servo se ele conseguiria fazer chover e aumentar o nível da água. Ele negou a possibilidade, mas então um dos bárbaros se revelou como um shamã guerreiro de sua tribo, disse que precisaria de bois e barris de cerveja para um de seus deuses. Penso ter ouvido Thor, e fiquei curioso. Parte de nós retornou alguns quilômetros ao norte para conseguir a prenda, o dia foi curto e não conseguimos tudo.

Dia 5
Nossa busca terminou na madrugada de hoje, então o shamã traçou runas no chão, empilhamos os barris e os três bois dentro do círculo e ele pediu que todos se afastassem enquanto ele começava uma espécie de ritual com uma fogueira, uma bacia com água e alguns incensos de ervas que guardava consigo. Não entendi uma sequer palavra, mas meu servo me alertou de que ele estava abrindo uma área de interligação entre os mundos, e que então poderia ter contato com o deus.
Não vimos nada, mas ele estava de joelhos, ofegante, porém com firmeza na voz. Exausto após o término do ritual, o homem deitou-se ao chão de grama verde e alta e repousou, neste ínterim, corvos vieram bicar os bois, e os barris vazaram. O céu escureceu e trovões clareavam as nuvens. Terminamos o dia bebendo vinho e meu culto do dia, especialmente, envolveu o Thor dos guerreiros tribais.
Não mais chamarei este povo de bárbaro, pois somos semelhantes.

Dia 6
A chuva torrencial não deixou que dormíssemos muito mais do que um breve cochilo. Estamos encharcados, atarefados em reforçar as trincheiras para impedir o avanço da água para a nossa fortificação. É tudo barro, pedras e madeiras na formação do pequeno dique que nos protege ao longo do dia. A correnteza do rio está raivosa e implacável. Notamos homens na outra margem, não mais do que batedores, mas sabemos que logo chegarão os demais. Neste dia resolvi repetir uma oferta a Thor em meu culto a Nerull.

Dia 7
Sobre nossas cabeças cai uma tempestade destrutiva. O vento sopra e algumas arvores caem. Relâmpagos fraturam o céu negro enquanto a chuva parece ser derramada de dentro de barris. O nível da água subiu tanto que levou parte de nossa paliçada e inundou as trincheiras, alguns equipamentos foram danificados, outros levados pela correnteza indomável. Durante a manhã podíamos ver vultos chegando e se abrigando no outro lado do rio, mas não mais do que breves movimentações porque mal podíamos enxergar. Segundo Balthazar, eles não tinham como manter tropas tão vastas do outro lado do rio sem recuarem constantemente para suprir as necessidades das tropas fronteiriças. Meu servo que é de uma raça estranha de homens-lagarto ficou repentinamente doente com o frio intenso e então soube que os homens-serpente também estariam complicados, pois também tem sangue frio e sofreriam tal como meu servo. Não há por onde atravessar um exército gigantesco por este rio além de onde estamos e na travessia do Ork, e lá na travessia acompanho noticias de que estão rechaçando os atacantes.
Na margem oposta pudemos ouvir gritos de comando, em seguida, grandes blocos de rocha foram lançados por catapultas, e nesses blocos estavam presas correntes. A principio achamos que eles usariam as correntes como passagem, e não estávamos errados quanto a isso, mas eles estavam. Qual seria a dificuldade de cortar correntes? Nenhuma, afirmo, mas deixamos que acreditassem que estava sendo um trabalho difícil e que não tínhamos ferramentas para isso. Eles estavam em jangadas e barcas improvisadas, determinados a eliminar nossas defesas e estabilizar uma passagem segura, que serviria como atalho para Eöruwel. Em resumo, não pudemos contar com a bruxaria de meu servo, mas contávamos com a força da tempestade, com a força de Thor. Estava apreensivo, vestindo as ultimas partes de minha armadura, quando ouvi correntes tilintar e as vi sacudir, eles estavam vindo. Alguns de meus arqueiros lançaram uma alvejada, e recebemos duas em troca. Eu ainda não conseguia ver os olhos do inimigo, queria confirmar se os homens-serpente estavam firmes na batalha, e quando as barcas se aproximaram, só vi orcs e escravos humanos, o lixo deles. Como puderam acreditar que poderiam nos vencer com o lixo? Com a escória? Com métodos tão incrivelmente inúteis e precipitados?
Por fim, depois de me indignar, ordenei o corte das correntes e as barcas sucumbiram na correnteza.
Suspeito que a lider esteja em outro lugar, e que este seja um ataque de um outro lider absurdamente ineficaz para nos manter "preocupados" com esta área. Suspeito que do outro lado só exista o lixo inimigo, só o excremento da bunda do deus cobra. Conseguiram me irritar.
Mas hoje o dia foi longo demais, ainda não realizei meu culto, preciso pensar, então encerro minha carta por aqui. Na proxima semana, minha senhora, receberás outro informe.
E quando isso acabar lembre-se da cria que me prometeu, enquanto me lembro da intensidade qual iremos gerá-la.
Kalahan Avangard

0 Blá blá blá!:

Postar um comentário

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Facebook Themes