segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Senhor dos Mortos Vivos - 2ª Parte

Olá pessoal. Nosso amigo Jacó Galtran (do blog http://contosderpg.blogspot.com/) traz a segunda parte de sua história. Caso tenha perdido a primeira parte, confira aqui.

Apreciem e comentem.





Senhor dos Mortos Vivos - 2ª Parte

"A Rainha Naty estava sentada em seu trono. Sem dúvidas, aquele era o lugar em que ela merecia estar.
O vermelho de seus longos cabelos ruivos parecia a materialização do fogo da paixão. Ela tinha olhos de um castanho profundo e brilhante, traços faciais sublimes, corpo sinuoso e lábios levemente rosados. Trajava um majestoso vestido vermelho, e portava nas delicadas mãos anéis de diamantes (mágicos, comentavam alguns). Sobretudo, tinha uma postura altiva, e um olhar dominador capaz de subjugar a força de vontade de quem quer que fosse. Já havia ganhado duas guerras apenas ficando frente a frente com o rei inimigo e fazendo-o cair de joelhos ante sua beleza.
Aos seus pés, prostrado, Hanyny entoava canções típicas da cultura do reino. Usava uma ocarina especial, esculpida a mão por ele, e posteriormente abençoada por altos-sacerdotes da deusa das artes. Embora seu instrumento tivesse propriedades mágicas, ninguém duvidava que foi sua habilidade como músico que o fez ser escolhido como bardo pessoal da Rainha.

- Glória e louvor lhe sejam dados hoje e sempre, Majestade – Hanyny beijou os pés de sua monarca, após terminar uma música.
- Antes da próxima canção – a Rainha ajeitou-se no trono – gostaria que me dissesse como acha que terminará esta guerra – um súdito trouxe um cálice de vinho para a monarca. Fez uma mesura profunda, beijou-lhes os pés, e retirou-se.
- Com sua vitória, minha soberana. Vossa Majestade já está tomando todas as providências. Está sendo ousada quando precisa ser, e sendo prudente quando precisa ser.
- Tem razão – a Rainha gostou da adulação – Mandei Haylla e Yshyanylla até as montanhas Kur-Kor-Khan para tentar evitar o conflito entre os gigantes. Paladino Yan e Dahiran foram ao extremo sul do continente averiguar boatos de que um grupo de aventureiros estaria prestes a desafiar três dragões azuis anciões. Quando todos voltarem, vamos nos reunir e decidir o que fazer.
- Se me permite uma sugestão, minha Rainha, acho que deveríamos atacar o inimigo de uma vez. Assim descobrimos logo qual a real extensão do poder dele.

Houve um momento de silêncio. A Rainha gesticulou ao outro súdito para que enchesse novamente o cálice com vinho.

- Não quero arriscar suas vidas desta forma – a monarca foi enfática.
- Entendo, Majestade – havia uma empolgação adolescente na voz de Hanyny – Mas quero que saiba que por Vossa Majestade eu seria capaz de morrer, sem hesitação, quantas vezes fossem necessárias.
- Agradeço pela lealdade – sorriu – Mas seria pior se vocês morressem e fossem ressuscitados por aquele miserável, não acha?

O bardo assentiu com a cabeça. Tocou mais duas canções depois disso. Coração preocupado por não ver mais a confiança habitual no rosto da Rainha, parte inferior do corpo doendo por estar ajoelhado há horas. A monarca fez sinal para que mais dois eunucos viessem abaná-la com imensas plumas, e ordenou a outros dois que preparassem seu banho.

- Majestade – Hanyny decidiu falar, antes que sua soberana saísse da Sala do Trono – Já que sua preocupação é com as vidas que podem se perder... Por que não ataca o inimigo usando construtos. Golens, por exemplo... São seres sem vida, não poderão ser ressuscitados.

A Rainha Naty sorriu em aprovação. Dirigiu-se a seus aposentos, onde águas termais lhe aguardavam para amainar o enfastiante calor veranil. Idéias começaram a fervilhar em sua mente.

***

Haylla era uma clériga fanática do deus da justiça, e dizia estar cumprindo uma penitência. Em um episódio sobre o qual não gosta de comentar, ela desagradou seu patrono, e agora buscava a redenção impondo a si mesma estranhas punições. Raspou totalmente os cabelos, tatuou parte da cabeça e rosto com símbolos divinos, e fez um juramento de castidade eterna. Abrir mão de sua feminilidade foi a forma que encontrou de se certificar que não falharia de novo.
Yshyanylla, sua voluptuosa colega maga, era uma antítese daquilo tudo. Parte de sua anatomia era deixada intencionalmente à mostra por suas roupas reveladoras. Seus traços élficos lhe conferiam um rosto encantador, normalmente ampliado pelo constante sorriso que trazia em seus lábios vermelhos. Sem se apegar a dogmas, amarras morais, ou qualquer tipo de código de conduta que restringisse sua maneira de agir, a elfa vivia apenas para aperfeiçoar sua magia.
Apesar das diferenças, ambas tinham em comum a devoção incondicional à Rainha – e uma missão recebida por ela.

- Daqui vai ser difícil visualizar muita coisa – era Yshyanylla, compenetrada, tentando se situar, após chegarem através de magia ao território dos gigantes – Vamos ter que caminhar muito até chegar a um lugar que nos permita ver bem a geografia da região. Melhor seria levitarmos.
- Também acho – Haylla respondeu secamente, maça-estrela em punho, ávida por cumprir logo a missão.

Um gesto arcano precedido por um curto instante de concentração foi suficiente para que ambas levitassem por dezenas de metros. Sentiram um sutil medo de altura – que tentaram a todo custo esconder uma da outra – e perceberam com desapontamento que a guerra já havia começado.
Duas tribos de gigantes de fogo, cujas terras eram separadas por um colossal desfiladeiro, confrontavam-se violentamente. Rochas imensas eram arremessadas de todos os lados, atingindo casas, construções, inimigos, e até aliados. Flechas eram arremessadas desordenadamente e em todas as direções, clavas chocavam-se contra clavas, socos eram desferidos, e magia era lançada. O cânion que dividia os territórios já abrigava um número considerável de cadáveres. Lares estavam incendiados, os rústicos castelos que abrigavam os líderes tribais haviam ruído. O confronto não parecia próximo de acabar.

- Você tem poder para manipular as emoções? – Yshyanylla questionou.
- Sim. Tenho uma benção que posso lançar que é capaz de acalmar corações agressivos. Mas só consigo dominar as emoções de uma única pessoa por vez.
- Droga!
- Você não consegue teletransportar uma das tribos para algum lugar distante?
- Talvez até conseguisse – a maga elfa pôs-se a pensar – Mas como saber quem é de uma tribo, quem é de outra – gesticulou em direção aos combatentes que já estavam todos misturados no campo de batalha.

Antes de a guerra começar, estimava-se que cada tribo tinha em média cento e cinqüenta indivíduos – a maioria guerreiros. Levando em conta o baixo número de gigantes ainda lutando, era possível estimar mais de duzentas mortes.

- Há algo que eu posso fazer – Yshyanylla concentrou-se. Cerrou os olhos, um estranho pó dourado surgiu em suas mãos. Balbuciou algo que Haylla não compreendeu, e soprou o pó, deixando que as correntes de ar se encarregassem de espalhá-lo.
- Que truque é este – a clériga tapou o nariz ao perguntar.
- Você já vai entender – apontou para baixo. O pó caiu sobre as tribos em batalha fazendo todos os guerreiros adormecerem.
- Quanto tempo isso vai durar?
- Alguns dias – a maga elfa já fazia os preparativos arcanos para voltarem ao castelo através de magia.

***

A criatura conhecida como Senhor dos Mortos Vivos estava frente a frente com um “convidado”.

- Bem-vindo aos meus domínios, sumo-sacerdote do deus da morte.

A criatura bestial, incapaz de se comunicar com palavras, saudou seu anfitrião com um leve movimento de sua cabeça.

- Serei breve. Preciso que encontre para mim um artefato poderoso que está perdido em algum lugar deste mundo. Em troca, fortalecerei seus exércitos com criaturas minhas. Acho que com isso, você poderá conquistar o continente que tanto deseja, não?

A aberração chamada Escárpius tornou a balançar a cabeça em sinal de positivo.

- Motivos importantes impedem que eu mesmo faça a busca deste artefato. Mas darei a você os meios para que possa procurá-lo e identificá-lo no momento em que o encontrar.

A aliança estava forjada. O verdadeiro terror estava prestes a começar."

Continua no dia 1 de novembro...

1 Blá blá blá!:

Astreya disse...

Excelente, novamente o senhor Galtran nos deixa curiosos e ansiosos com suas sagas!

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