segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Senhor dos Mortos Vivos - 1ª Parte

Olá. Hoje nosso amigo Jacó Galtran (do blog http://contosderpg.blogspot.com) inicia uma nova história longa. Espero que apreciem e comentem.



Senhor dos Mortos Vivos - 1ª Parte

"O destacamento de arqueiros estava pronto.

Enfileirados, perfilados e preparados, todos eles mantinham as armas a postos, expressões sérias nos rostos, aguardando apenas uma palavra de comando – que não tardou a chegar. Começaram a marchar resolutos, disciplinados e conscientes da responsabilidade que tinham. Infiltrados entre eles, guerreiros de elite armados, magos de batalha e monges especialistas em combate desarmado.

- Não acha que é um exército poderoso demais para ser lançado contra inimigos tão fracos?
- Com certeza. O inimigo é fraco. Mas, mesmo assim, a missão é extremamente difícil.

Eram, de acordo com o relato dos batedores, pouco mais de quinze bugbears e alguns kobolds. Munidos de armas enferrujadas, protegidos por armaduras precárias, e liderados por jovens sem experiência, eles eram “os inimigos”. Contra eles, avançava um destacamento de quase seiscentos soldados. Os melhores. Pois naquela missão, apenas vencer não era suficiente.

- Eles já foram orientados. Já sabem o que devem fazer. Mas, sinceramente, eu duvido que consigam.
- Que tal falar de uma vez o que está acontecendo? Que missão é essa?
- Eles devem vencer. Mas não podem matar os inimigos.

O verdadeiro inimigo a ser vencido não era o pequeno grupo de bugbears e kobolds. Eles eram apenas um incômodo. Não tinham poder suficiente para se constituírem ameaça. Apesar disso, não deveriam ser mortos. Sob hipótese alguma.

- São ordens da Rainha.
- Então não questionaremos.

Ambos viraram-se. Em silêncio, desejaram boa sorte aos arqueiros.

***

Na falta de um nome, ele passou a ser conhecido como o Senhor dos Mortos Vivos.

Meses atrás, os habitantes de Yanzakar viram uma revoada de dragões brancos dirigindo-se furiosos a uma das muitas ilhas do arquipélago de Himavann. Pela impressionante quantidade das criaturas, acreditou-se que eram todos os representantes vivos da espécie. Os habitantes do reino que não morreram com a visão assustadora alegam que foi possível ver uma faísca de ódio tremeluzindo nos olhos dos monstros alados. Certamente, o que estava unindo-os era um poderoso inimigo em comum.

Foi o maior massacre da história documentada de nosso mundo.

Até onde se sabe, os dragões brancos foram totalmente extintos. Alguns dos gigantescos cadáveres foram jogados no mar, congelando centenas de quilômetros de oceano. Outros foram empalados em ciclópicas colunas de ferro e deixados como troféu por longos dias.
Tempos depois, um grupo de poderosos aventureiros rumou ao arquipélago disposto a descobrir quem era o estranho invasor. Munidos das mais poderosas armas já forjadas, fortalecidos pelas mais impressionantes magias arcanas disponíveis, e abençoados pela mais fervorosa energia divina existente, eles avançavam corajosamente. E foram atacados por um grande grupo de... dragões brancos! Um violento confronto aconteceu. Os heróis triunfaram.

E então, conseguiram ficar frente a frente com o verdadeiro inimigo. Enigmático, de aparência humanóide, totalmente coberto por uma capa negra. Nada de seu rosto pôde ser visto. Nem mesmo um brilho distante de seus olhos podia ser vislumbrado. Ao seu redor circundava uma aura negra, que tremeluzia – como se tivesse vida própria.
Antes que os aventureiros pudessem atacá-lo, ou mesmo perguntar-lhe qualquer coisa, foram surpreendidos por uma legião de adversários. Entre eles, feiticeiros da Ordem do Inferno Negro, tribos de hobgoblins dos Mil Vales de Thandelar e dois monges poderosos oriundos dos reinos élficos do oeste. Todos eles, inimigos que já haviam sido mortos há tempos.
Ataques posteriores ao invasor deixaram claro que ele, quem quer que seja, tem a capacidade inexplicável de ressuscitar qualquer criatura, deixando-a sob seu comando. Em outras palavras, os gigantes, beholders e demônios que matamos hoje, podem voltar a vida sob o poder dele amanhã.

Por isso ele passou a ser chamado de Senhor dos Mortos Vivos.

***

- Segundo informações não confirmadas – o Paladino Yan, reunido com seus colegas, confabulava – ele só é capaz de reviver uma criatura uma única vez.
- O problema – Haylla, clériga da justiça, respondeu, bebericando vinho – é que cada descoberta dessas tem um custo muito alto em vidas.
- E esses que morrem podem ser ressuscitados pelo miserável – Dahiran, o guerreiro, ponderava – e voltar-se contra nós.
- Será que existe um jeito de impedir que ele possa controlar quem morre? – a elfa Yshyanylla folheava seu livro de magias – Algum tipo de ritual de sepultamento, ou algo que assegure que a alma vá para o outro mundo sem interferência desse maldito?
- Só podemos conjecturar, doce Yshyanylla – o bardo Hanyny polia sua ocarina – Só podemos conjecturar.

A chegada inesperada da Rainha Naty fez todos se ajoelharem imediatamente.

- Temos problemas – Sua Majestade foi direta.
- Estamos a suas ordens, Majestade. O que houve? – Paladino Yan questionou.
- Os gigantes. Voltaram a guerrear.
- Os gigantes das Montanhas Kur-Kor-Khan?
- Sim. Aqueles que nós comemoramos quando começaram a se matar entre si. Independente de qual tribo saia vencedora, o número de mortos tende a ser alto...
- O que fortalecerá o exército do Senhor dos Mortos Vivos – Yshyanylla completou.

Houve um momento de silêncio. Os cinco, aguardando ordens de sua Rainha, e agradecendo aos deuses por não terem que decidir o que fazer. Sua Majestade, esperando que seus súditos tivessem alguma idéia.

Como impedir que duas tribos inimigas guerreiem?

***

Nas dimensões insondáveis que servem de lar aos deuses, havia impaciência. Kyshynoheraghan, deus dos dragões; Sandy, deusa da bondade; Moreito, deus da justiça; e Gizv-lar, deus da vingança, estavam reunidos em conselho.

- Esse é um assunto dos mortais – Gizv-lar quis deixar claro sua opinião – É o mundo deles que está ameaçado. Eles é que devem resolver.
- Alguém que tem controle sobre a vida e a morte é perigoso demais para ser subestimado – Moreito franziu a sobrancelha – Melhor não o subestimarmos, Gizv-lar.
- Aquele desgraçado assassinou meus servos – Kyshynoheraghan fazia as paredes do salão sacro-santo tremerem com sua fúria – Ele terá que pagar. Ele ousa usar meus servos como seus comandados após tê-los matado. Não importa quem seja, nem de onde venha, nem qual a extensão de seu poder. Ele deve morrer.
- É cedo para interferir – Sandy manifestou-se – Mas devemos estar preparados para lidar com a possibilidade de nem nós sermos capazes de derrotá-lo..."

Essa história continua dia 18 de outubro.

3 Blá blá blá!:

Fábio Silva disse...

Gostei mas, continuação dia 18? AH! O conto é baseado em camapnha em andamento? Parabéns ao Jacó Galtran pela iniciativa, fui lá no blog dele e tou seguindo. Abraços a todos vocês..

Dragões do sol Negro disse...

Os contos do Jaco são ambientados no mundo, mas não são contos de aventuras.

Paulo disse...

Muito bom, estou ansioso pelas continuações.

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