segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Jornada ao inferno - 6ª Parte

Então, galera. Trazemos a vocês a sexta parte de "Jornada ao inferno", trazida pelo Jaco Galtran (confira mais do trabalho dele em http://contosderpg.blogspot.com). Caso ainda não tenha visto, veja a primeira parte aqui, a segunda aqui, a terceira aqui, a quarta aqui e a quinta aqui.

Boa leitura.


Jornada ao inferno - Parte 6

"O medo fez Vandavhy correr, embora não houvesse para onde. Os chicotes estalaram ferozes e impiedosos, rasgando armadura, carne e ossos. Ele teria gritado, se pudesse. O corpo se desequilibrou e foi lançado para trás pelo impacto dos golpes de que fora alvo. A cimitarra voou longe, e seu caminho até ela foi bloqueado pelos inimigos. Estava cercado.
A fração de segundo necessária para que Quebra-Ossos pegasse sua arma foi suficiente para que três violentos açoites fustigassem seus ombros. Dor lancinante, seguida de cusparadas sonoras e bravata adolescente.

- Matem-me, esquartejem-me, joguem meus ossos no cocô dos goblinóides, mas não achem que eu vou perder para vocês.

Não houve tempo para que proteções mágicas fossem conjuradas, mas nem foi preciso. Tartayy esquivou-se movido por uma agilidade incomum, e contra-atacou tão rápido quanto pôde. Um imenso feixe de energia arcana multicolorido explodiu no peito de um dos diabos fazendo-o voar para trás. Os demais não recuaram. Os chicotes esbarraram em um campo de força prateado que circundou o mago. Um pequeno momento de concentração de um dos seres infernais fez uma luz negra surgir desfazendo o feitiço de Tartayy.

- Não vamos resistir muito tempo – Tartayy gritou.
- Matem-me, enfeiticem-me, me transformem em um morto vivo molenga, mas não me peça para fugir do combate.

Uma espada, menor e mais polida que a de Quebra-Ossos, se interpôs entre os diabos e Vandavhy. O recém-chegado trajava uma armadura completa branca cheia de símbolos divinos. Seu elmo semi-aberto revelava uma olhar de extrema confiança vindo dos brilhantes olhos azuis, além de permitir que escorressem pescoço abaixo parte dos longos cabelos azulados.

- Meu nome é Argar e vim trazer justiça – disse enquanto decapitava um dos diabos. Vandavhy recuou, ao mesmo tempo em que um novo golpe de espada arrancou a mão de um dos oponentes, fazendo a arma dele cair.
- Meu nome é Quebra-Ossos, e não lembro de ter pedido a sua ajuda – respondeu, e em seguida cuspiu, após cortar a fronte de um adversário.
- Meu nome é Tartayy – o mago foi chicoteado antes de completar sua magia e caiu para trás – e não tenho mais forças para continuar.

Vandavhy teria dito seu nome, se pudesse. Mas um chicote atingiu sua nuca com força, fazendo-o cair desacordado.

***

Naquela estrutura o mal era infinito, eterno e invencível. As paredes eram adornadas com crânios de seres ainda vivos vivenciando pesadelos cruéis em uma expressão de horror constante. Havia o cheiro da morte, da guerra e do enxofre corroendo as narinas, havia o som dos gritos do desespero e do pavor insuportável, e havia o ódio e o desejo de levar sofrimento a tudo que existe dos habitantes do local. O chão era coberto de magma abrasivo, misturado a urina, catarro e sangue em uma combinação nauseante. Elevadas estruturas eram adornadas com cadáveres desfigurados mesclados ao ferro sujo, sobre a qual repousavam talismãs com brasões representando as diferentes castas de diabos ali existentes. Gárgulas presos ao teto cuspiam algo parecido com ácido em pias colocadas nas laterais. Lá, adagas profanas – possivelmente usadas em rituais de sacrifício – ficavam lado a lado com outras armas menores, todas banhadas em um veneno desconhecido. No extremo norte do aposento, um altar, onde grossas correntes enferrujadas pendiam de um tronco onde vítimas eram torturadas e submetidas a atrocidades impensáveis. O símbolo místico de um pentagrama feita de pedras brilhantes reluzia em intervalos de tempo definidos.
Em meio ao silêncio sepulcral de três seres prostrados a seu senhor, podia-se ouvir o barulho interminável de agonia de prisioneiros sendo arrastados e castigados de maneiras sádicas. O som do sofrimento eterno das pobres almas era música para os ouvidos malignos daquele lorde. As boas notícias que seus servos vieram trazer soariam ainda mais melodiosas.

- Meu lorde. Trazemos informações sobre a segunda fase de seu plano. Uma imensa porção do plano material foi arrastada até seus domínios. Parece ser algum tipo de reino dos mortais. Uma região altamente povoada.
- Ótimo – sorriso diabólico de satisfação – Quando vão repetir o ritual e fazer isso pela terceira vez?
- Viemos para pedir sua autorização para fazê-lo imediatamente, pois já temos tudo preparado.
- Então, não percam tempo.
- Meu lorde, também é meu dever te deixar ciente que invasores adentraram nosso território a fim de resgatar seus prisioneiros. Naturalmente, já enviamos soldados para eliminá-los.
- Certifique-se de que eles não atrapalharão!
- Sim, meu lorde.

***

Tartayy conjurou uma enorme redoma mágica para proteger seus colegas. Os três, mais o recém-chegado, sangravam abundantemente. Cicatrizes profundas em quase todas as partes do corpo ardiam mais que mil venenos. Os semblantes de otimismo abandonaram os rostos. Vandavhy havia recuperado parcialmente a consciência após os safanões que recebeu de Quebra-Ossos.

- Vou ser direto. Não temos como vencê-los – Tartayy estava ofegante – Ou algum de vocês tem alguma idéia salvadora, ou teremos que voltar para nosso mundo nos recuperarmos.

Silêncio. Antes que qualquer decisão fosse tomada, a magia se desfez."

Continua dia 20 de setembro.

1 Blá blá blá!:

Dragões do sol Negro disse...

A casa caiu! Meu filho, uma super idéia agora é a hora do 20-20 ou babou... Espero ansioso, o dia 20.
Muito bom o conto, ficou meio triste eles levarem porrada, mas faz parte. Afinal é o inferno, hehehe

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