terça-feira, 3 de agosto de 2010

Um conto curto

Para completar os poste da lança trazemos agora um adendo de um usuário de lança, enviado por Igor, confira:


Myrkväar



A mata está silenciosa, é noite de outono. Há correria, um homem invadiu meu território sem permissão e agora ele corre perdido por entre as árvores; O único som que ele ouve agora é o de seus passos amedrontados pela relva molhada, na sua face estão olhos de pavor e por ela escorre o suor frio de uma mente perturbada. O coitado corre desajeitado, olhando para os lados, procurando-me sem jamais querer ter que me encontrar, talvez, para ele, teria sido melhor ter dado ouvidos as histórias da tribo do lobo. Estou me divertindo enquanto ele corre de mim, mas não posso mais esperar. A graça acabou.

Minha lança o acertou pelo lado esquerdo, prendendo uma perna na outra. Dei sorte, pois não sou tão bom quanto meu pai era, eu apenas atirei esperando derrubá-lo para então ver seus olhos de perto. Agora ele berra e se contorce em agonia. Eu não gosto disso, mas ele invadiu meu território; e assim mandam os velhos costumes da antiga tribo do lobo.

O deixei viver, mas apenas para que contasse o que viu, e o que sentiu.





Egil

Sou caçador desde meus 12 anos, quando matei meu primeiro javali, e por sinal ainda carrego uma de suas presas neste colar. Juro a você, por todos os dentes que ainda me restam, que mesmo com a experiência que tenho em caça, em primeiro momento eu não o enxergava, mas pensei ter ouvido passos.

Retesei meu arco. Meus olhos dardejavam para todos os cantos. Tentei ouvir algo, mas o próprio vento parecia estar zombando de mim, perscrutando a situação. Havia chovido durante a tarde, a relva estava úmida e o chão enlodado... Era uma noite boa para caçar, pois os gamos patinam e caem na terra lamacenta: ironicamente me senti um filhote desmamado nos momentos que seguiriam.

Quando finalmente o vi, quando fitei seus olhos, era como se eu estivesse encarando uma matilha inteira de lobos rosnando! Então senti o calafrio de se olhar a morte. Quis correr o máximo que podia, mas não consegui. Fiquei ali, parado, com o cu bem apertado.

O sangue enregelou por minhas veias, eu suava demais, mas então resolvi perguntar quem estava ali. Eu gaguejei muito e pude ouvir um riso de escárnio, curto, porém macabro, em forma de resposta.

Com os braços trêmulos como se estivesse recém saído da água do mar branco aqui do norte, ergui meu arco e disparei debilmente entre as arvores secas. Então ele sumiu.

Quando comecei a correr, vi uma pintura branca em uma arvore, ilustrando uma pata de lobo (ou de um cachorro grande, mas eu tinha certeza que era de lobo) e enfim minha memória dizia que eu estava no lugar onde meus dias teriam fim: certa vez o curtidor de peles da vila, um homem velho e sábio, me contou que os caçadores das antigas tribos estavam voltando do mundo dos mortos, que Hel os havia rejeitado. E que antigamente estes “predadores” marcavam seu território de caça com algo que lembrasse o totem da tribo. Achei tudo uma grande besteira, mais uma lenda entre as outras mil. Mas claro que quando o vi, estremeci e acreditei em tudo como fazem os fiéis das igrejas. Eu não costumava ter medo de nada, já havia caçado ursos, mas aquele homem é o mais aterrador entre os animais.

Atirei novamente, e sem o mínimo de sucesso, guardei o arco e resolvi correr. O chão estava escorregadio, o que me fez cair algumas vezes e enquanto limpava a lama dos olhos, ouvi pássaros alçando vôo. Então o horror tomou conta de meus pensamentos, estava vivendo um pesadelo. Eu devia estar gemendo de medo feito uma menina, mas não lembro muito bem.

Pulei troncos, desviei de alguns galhos e bati a cabeça em alguns outros, me escondi atrás de uma arvore larga, espreitei para os lados e quando comecei a correr novamente... Vi o algoz de dois metros de vinte a uns dez passos a minha esquerda, arremessando uma lança como se fosse uma pequena vareta. O desgraçado é muito bom no que faz, acertou minhas duas pernas, prendendo uma na outra lateralmente. Reconheci que minha vida é frágil.

Ele se aproximou devagar, com passos orgulhosos. Havia algo terrível em seu olhar. Segurava mais três dessas lanças menores em uma mão, e na outra uma lança enorme com ponta de osso. Eu acredito que era um dente na ponta, mas não posso ter certeza pelo tamanho absurdamente grande que tinha.

Quando achei que ele arrancaria minhas tripas e comeria meus olhos – pois era isso que ele parecia desejar – abaixou-se, com sua grande mão que agora estava livre agarrou a lança que estava cravada em minhas pernas e me pendurou em um galho. Não entendi nada à partir daquele momento. Talvez ele quisesse que eu contasse para todos o que aconteceu, como estou fazendo agora.

Disseram-me que me acharam desmaiado de cabeça-para-baixo e com uma pata pintada toscamente em meu rosto. Acho que fiquei lá por dois dias.

Desde então, não durmo à noite, e também não sei mais o que é andar.

6 Blá blá blá!:

RPG Forever disse...

Muito, muito bom.

Igor disse...

valeu

Matheus disse...

Opa... show de bola Igor!
Mostrou mais uma vez que escreve muito bem!!!

medunha disse...

Gostei muito Igor, principalmente do segundo, mas com certeza mudaria a parte do "cu bem apertado", hehe achei que poderia descrever de outras formas, mas tirando essa partezinha hehe achei ótimo. Parabéns, por essa introdução daria um conto fantástico!
Abraço.

Igor disse...

que bom que curtiram, foi bem aleatório mas acabou agradando pelo jeito hehe

Imaginei que chocaria essa parte do "cu bem apertado", achei que daria um pouco de humor. Garanto que qualquer um esboçou no minimo um sorriso de canto de boca hehe...

medunha disse...

Pode ate ser, mas preferia que fosse usado uma outra linguagem tal como constipado, nauseado, ou até mesmo senti minha tanga mastigada por meus músculos glúteos, hehe, seguindo a forma como foi escrita o resto do conto hehe, mas isso eh opinião minha somente... mas como disse achei o resto fantástico. Abraço.

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