segunda-feira, 16 de agosto de 2010

RPG e Educação: uma nova visão


RPG e Educação: uma nova visão



Há algum tempo comecei a escrever sobre RPG e Educação para outro site. A aceitação foi muito boa, mas só depois percebi que desde sempre eu tive o espaço aqui na Casa dos Dragões do Sol Negro para falar desse assunto e acabava não aproveitando. Pretendo corrigir esse erro. Falar de RPG e Educação pra mim é muito fácil. É como pedir para uma criança brincar: ela brinca. Sem rodeios ou enrolação. Ela brinca e se diverte no seu mundo infantil.

Escrevo com o intuito de atingir RPGistas que tem interesse na educação e educadores que querem saber mais sobre o RPG e sua prática educacional.

É preciso que os educadores saibam que utilizar o jogo de papéis em um ambiente educacional, possibilita inúmeras descobertas e potencialidades tanto para alunos quanto para eles próprios. Entretanto é uma prática que pode ser barrada por superiores (coordenação, diretores e pedagogas) pela falta de “cunho pedagógico”. Me explico.

É importante entender alguns entraves que normalmente aparecem quando se propõe o jogo de papéis em uma escola. Notem como muitos “superiores” normalmente pensam sobre o uso de jogos na educação: quando a criança está na educação infantil, é permitido que ela brinque e se divirta. É mais que natural que ela faça isso nessa época da vida. Porém, quando cresce, ela deve ser séria, se concentrar em coisas que são importantes, coisas que os levarão a ser alguém na vida; diferentes de jogos e brincadeiras.

Ou seja, o RPG para a Educação Infantil é trabalhado normalmente numa boa, sem uma enxurrada de perguntas de superiores. Já para jovens do Ensino Fundamental ou Médio a coisa muda de figura!

Pergunto: Por que? Por que eles devem aprender coisas sérias, conteúdos para vestibular e o RPG é um jogo? É isso? Jogo é coisa de criança ou coisa de desocupado? São perguntas que me faço quando me deparo com algumas rejeições.

Imaginário, fantasia, emoção, ludicidade farão parte de nossas vidas até morrermos. Não há como fugir delas. Então, porque não aproveitarmos uma prática que além de trabalhar a fantasia e imaginário de cada aluno, também colabora no desenvolvimento do trabalho em equipe, senso crítico, argumentação, diálogo, pesquisa e o comprometimento deles? Duvido que algum professor que esteja lendo isso nunca tenha tido problemas com indisciplina ou falta de interesse na sala de aula.

Sim, o RPG é um jogo, mas não descarta a possibilidade de aprendizado. Pelo contrário, é comum potencializá-lo. Não que ele seja a salvação para a educação nacional, mas é mais uma ferramenta que temos para melhorar.

Por falar em ferramenta, num outro momento comentarei sobre as ferramentas e brinquedos: o RPG se encaixa onde será? Mas deixemos isso pra depois.

Por enquanto, muito sucesso decisivo para todos vocês!



Escrito por :
Matheus Vieira
Psicologia
Mestre em Educação
Trabalha com RPG em sala de aula desde 2006

10 Blá blá blá!:

Sery disse...

Muito interessante suas colocações, Matheus. ^^

o Clérigo disse...

Eu tenho pensado muito nisso, tenho até tentado organizar um projeto de pesquisa em cima desse tema. Espero que mais posts como esse sejam em breve publicados.

Dragões do sol Negro disse...

Sim, Haverá mais, não se preocupe!

Astreya disse...

Ótimo post, já até participei de um curso que envolvia RPG e educação, pois o tema muito me interessa, mas ainda não tive oportunidade de tentar fazer algo assim. Estarei esperando pelos outros posts...

Debora disse...

Muito boa idéia, como estudante de Letras - Licenciatura e jogadora compulsiva certamente estudarei essa proposta.

Camus disse...

Boas colocações.

Eu trabalhava com RPG com alguns alunos que tinham interesse principalmente "Entradas e Bandeiras".

Mas os preconceitos tanto de outros professores quanto dos pais, fizeram com o que eu parasse.

Porém pretendo continuar.

Valeu Matheus.

Camus

Matheus disse...

Fico feliz em saber da receptividade do texto!

A coluna de RPG e Educação será quinzenal se não em engano. Espero que preciem os próximos textos também!

Obrigado a todos os comentários!

Matheus disse...

Se eu disser que o teclado aqui do colégio não ajuda vocês não vão acreditar né?!?

Pois bem:
... se não ME engano. Espero que APRECIEM os...

ALVARO O BARDO disse...

um ótimo post meus parabens ! concordo plenamente com o que foi falado e eu espero que essa nova geração de professores invista no jogo e no seu conteúdo pedagogico!

Gilson disse...

Boa, Matheus! Algumas sugestões, baseado em teus depoimentos e no que andei ouvindo de professores:
para quem quiser apresentar/aplicar o RPG, explicar como o jogo funciona e fazer a ponte com as práticas de leitura e escrita, elevados pelo interesse no jogo. Se a pessoa insistir que não vai rolar (diretores, coordenadores, etc.), argumentar que há muitas pesquisas que COMPROVAM a eficácia.

No meu blog tem aquela lista que aumenta cada vez mais, além de uma explicação em PDF do que é RPG.

Gilson

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