segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Jornada ao inferno - 4ª Parte

Olá pessoal. Hoje, nosso colega Jacó Galtran (do blog http://contosderpg.blogspot.com), traz a continuação da história "Jornada ao Inferno". Para quem não pegou o começo, a primeira parte está aqui, a segunda aqui, e a terceira aqui.

Boa leitura.

Jornada ao inferno - Parte 4

"Chegaram ao inferno.

Os semblantes curiosos de quem buscava visualizar e conhecer o novo local foram substituídos por expressões de surpresa e horror. Vandavhy sentiu um calafrio que não conseguiu disfarçar, e virou o rosto. Tartayy procurava normalizar a respiração após o esforço que foi necessário para levá-los até lá. Quebra-Ossos virou o rosto e cuspiu, embora preferisse não admitir que fizera aquilo para não olhar para o que todos viam.
Incontáveis montanhas de fogo, pontiagudas como lanças, perfuravam o horizonte, circundando tudo aquilo que os olhos alcançavam. O chão era revestido de brasas ardentes, mescladas a crânios e ossos em chamas. Nuvens de fumaça impregnavam o ar impuro e sufocante das correntes de ar escaldantes que ocasionalmente apareciam. Colunas de fogo emergiam de poças de lava chegando quase a tocar o céu com suas brasas crepitantes. Mas a paisagem árida e o calor infernal não eram a visão mais desagradável.
Idosos e mulheres caminhavam descalços no piso em chamas carregando rochas pesadas de um lado para o outro. Pessoas aleijadas trabalhavam sob chicotadas em tarefas mundanas cujo único propósito era proporcionar sofrimento aos trabalhadores. Crianças e animais eram fustigados por armas exóticas e submetidos a horrores capazes de sensibilizar até o aventureiro mais embrutecido.

- Esse é o inferno – Tartayy tratou de se manifestar para não ficar paralisado pelo horror.
- Então, é para cá que eu mando os inimigos que eu mato – Quebra-Ossos cuspiu no chão – Interessante.
- Na verdade, este é um dos Nove Infernos, se não estou enganado. Acho que este é o reino de Baator.

Contrastando com o calor enfastiante, um gélido calafrio percorreu as espinhas dos “Três”.

- O que foi isso, Tartayy?
- Estejam preparados para tudo – o mago respondeu fechando os olhos e deixando a magia fluir dentro de si – Nossa presença já foi notada.
- Estão vindo em boa hora – Quebra-Ossos retirou os curativos que haviam em seu punho – Espero que esses aí não usem truques sujos.

Vandavhy empunhou uma modesta cimitarra com a mão esquerda, e com a direita retirou parte do suor que escorria em sua testa. Tartayy concentrou-se em seus murmúrios arcanos, deixando as magias em sua mente prontas para serem lançadas a um gesto. Quebra-Ossos esticava e contraía os dedos de sua mão esquerda em movimentos contínuos. No começo devagar, e aos poucos mais rápido, até certificar-se que estava curado. Depois, desembainhou sua espada bastarda e cuspiu sonoramente no chão.
Não tardou para que “Os Três” vissem, ao longe, a aproximação de vinte criaturas malditas – que só podiam ser classificadas como diabos.
Gigantescos, faziam Quebra-Ossos parecer um halfling recém-nascido. Seus corpos eram recobertos de repugnantes escamas avermelhadas entrecortadas por veias que saltavam de músculos desproporcionais. Protuberâncias improváveis brotavam das caixas torácicas avantajadas e mesclavam-se a horrendas cicatrizes. Braços e pernas eram grossos, como troncos de árvore.
Suas feições bestiais eram pura ferocidade. Tinham chifres diminutos adornando as cabeçorras sinistras, dentes assimétricos apodrecidos ao redor da baba asquerosa que escorria dos lábios grossos, e dois glóbulos brilhantes que reluziam nas cavidades oculares ensangüentadas. As criaturas possuíam também caudas sinuosas imensas. Em seu final, uma terminação pontiaguda com aspecto de ferrão gotejava uma gosma ácida esverdeada.
E fediam. Exalavam um cheiro mefítico de enxofre, sangue, e óleo queimado. Mas, mais que isso, traziam consigo um aroma de morte e sofrimento. Ao redor destes seres, uma luz negra semi-translúcida impunha respeito e temor. Nas mãos flamejantes, chicotes imensos recobertos de couro e sangue.
Circundados por sua aura de malevolência, os diabos caminhavam lentamente, em passos cadenciados e convictos, não querendo apressar o combate. À medida que se aproximavam, os miasmas que exalavam intensificavam o mal-estar de seus oponentes. Vandavhy escarrou no chão.

- Vermes fedorentos – Tartayy juntou as palmas de suas mãos em frente a seu nariz. Piscou descontroladamente, sentiu os olhos esbugalharem, e começou a afastar as palmas das mãos o mais lentamente possível.
- Como vão se sentir quando levarem uma surra em seu próprio território? – Quebra-Ossos deu dois passos atrás esperando seu colega concluir a magia.
- Tenha cuidado – o mago respondeu, olhos inchados, pálpebras ardendo, palmas das mãos se distanciando pouco a pouco.
- Matem-me, esquartejem-me, joguem minhas tripas aos porcos, mas não me peçam para ter cuidado.

Quando as mãos já estavam suficientemente distantes, elas tornaram a se juntar em um movimento brusco. Uma grande área foi tomada por uma luz azulada. Todos os olhos foram invadidos por um formigamento, seguido de uma sensação indescritível. E todos puderam ver as coisas em sua forma real.
Só haviam seis diabos, e não vinte.

- Pronto, Quebra-Ossos. Não precisa mais ter cuidado."

2 Blá blá blá!:

Paulo disse...

Muito bom !

Dragões do sol Negro disse...

Como assim não precisa mais ter cuidado, tão no inferno , com seis diabos como agressores.
-Corre Quebra Ossos, corre meu filho!

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