segunda-feira, 12 de julho de 2010

Jornada ao inferno - 2ª Parte

Olá pessoal. Hoje, nosso amigo Jacó, do blog http://contosderpg.blogspot.com nos traz a continuação da história "Jornada ao inferno". Espero que apreciem e comentem. Para quem perdeu a primeira parte, ela pode ser lida aqui .


Jornada ao inferno - 2ª Parte

"Em meio ao imenso vazio de um reino que não estava onde mais onde já esteve, uma passagem subterrânea encontrada com muita dificuldade. Vandavhy orientou sua águia a ficar sobrevoando ao redor da entrada da passagem enquanto eles faziam sua exploração. Na volta, quando talvez não houvesse mais recursos mágicos para sair da região, a ave gigante os levaria.
Escuridão. Uma longa escada de madeira barulhenta a ser percorrida na penumbra, e um silêncio intercalado por cuspes e pelo ranger de tábuas apodrecidas. Um leve toque naquilo que se supunha ser o corrimão levou a um ardor, e a um grito.

- Está ardendo – Quebra-Ossos sacudia a mão esquerda – Só poder ser algum tipo de veneno.

Vandavhy passou alguns segundos tateando desorientado até achar a mão de seu colega. Tinha consigo um estranho frasco. Despejou algumas gotas em estranhas folhas de árvores que também tinha em seus pertences. Amassou tudo até ganhar a forma e consistência que queria. Silêncio. Mais gotas.

- Vai demorar muito? Continua ardendo bastante.

Aplicou na mão ferida (após mais alguns instantes tateando para encontrá-la novamente) o medicamento que criara e quase caiu para trás de susto com o grito de alívio.

- Ah! – qualquer tentativa de discrição por parte do grupo se acabava com a voz trovejante de Quebra-Ossos – É normal sentir a mão formigando desse jeito?

Vandavhy assentiu com a cabeça, embora ninguém pudesse ver. Mais caminhada, mais escuridão e cada vez menos silêncio.

- Tudo seria mais fácil se tivéssemos luz. Aliás, Tartayy, você não tem como providenciar luz com sua magia?
- Tentei fazer isso assim que chegamos. Mas tem um poder muito grande aqui que reduz minha magia. Por isso achei melhor guardá-la para quando ela for mais necessária.

Silêncio ocasional, metros intermináveis de uma caminhada sem um norte definido, e a súbita aparição de uma luz tímida. Eram tochas na parede ardendo em um fogo que teimava em não se apagar. As escadas haviam acabado.
O local lembrava um altar a um deus maligno, ou algo do tipo. Grossas correntes onde prisioneiros eram torturados antes do sacrifício pendiam das paredes imundas e repletas de símbolos arcanos que Tartayy não conseguiu decifrar. Havia nas laterais duas mesas. Sobre elas, castiçais negros suportavam velas apagadas, e tigelas onde ainda tinha um pouco do sangue das últimas vítimas sacrificadas. Ao lado de cada mesa, duas fontes transbordando uma água continuamente cuspida por dois gárgulas de pedra.

- Lugarzinho desagradável – Quebra-Ossos cuspiu, enquanto movimentava a mão esquerda.
- Vai ficar pior. Pode ter certeza que vai ficar pior quando chegarmos ao nosso destino.

Uma porta de ferro. Imensa. Ao invés de maçaneta, a cabeça de um demônio. De onde seria o nariz da criatura, pendia uma argola para se puxar a porta.

- Magia – Tartayy logo percebeu – Não na porta. Atrás dela.

Quebra-Ossos se adiantou.

- Espere. Mesmo não havendo magia, pode haver uma armadilha.

Desta vez foi Vandavhy que se adiantou. Fez um gesto para que todos se afastassem para trás. Concentrou-se, levantou as mãos e buscou sintonia com a força sobrenatural que lhe dava poder. Franziu a testa, suou frio, mas nada aconteceu.

- A magia dele não é como a minha que vem da energia mística presente no universo – Tartayy explicava a Quebra-Ossos – A magia dele é resultado da comunhão dele com a natureza. E aqui, longe dela, sua magia fica comprometida.

Mais concentração, mais suor, tremor e uma estranha brisa invadindo o ambiente. As mãos de Vandavhy se ergueram em concha, e um pó semi-translúcido caiu sobre elas. O que parecia uma alucinação materializou-se. O druida mudo sorriu, ainda suando, e abaixou as mãos cheias daquelas pequenas sementes amarronzadas. Cada uma delas tinha o tamanho de um grão de arroz, e ele as tinha em quantidade o suficiente para quase não conseguir segurá-las. Com a cabeça, sinalizou a seus amigos que se afastassem.
E atirou as sementes na porta. Uma sucessão de violentas explosões fez os três recuarem, e mesmo assim Tartayy foi atingido. Quando a poeira baixou, a maçaneta estava completamente destruída. Próximo a ela, um virote de besta envenenado. “Se um de nós tocasse a maçaneta, o virote perfuraria nossa mão”, Tartayy pensou.

- Bem. A armadilha já foi desativada. Agora, Quebra-Ossos, o que restou da porta precisa ser derrubado – o mago sorria – E você é a pessoa certa para fazer isso.
- Matem-me, queimem-me, dêem minhas cinzas aos orcs, mas não me digam o que eu tenho que fazer.

A porta foi derrubada violentamente. Antes das partes destroçadas encontrarem o chão, uma garra esbranquiçada rasgou o rosto de Quebra-Ossos. Pareciam esqueletos, mas tinham uma horrenda pele presa aos ossos. As cavidades oculares não tinham órbitas: apenas uma malévola luz vermelha reluzindo. Mãos eram garras desproporcionais ao tamanho do corpo. E havia uma enorme cauda com um tipo de ferrão na ponta.

- São osyluths – Tartayy gritou, enquanto já buscava em sua mente as palavras mágicas necessárias para tomar parte no confronto.
- Para mim, são diversão – Quebra-Ossos recuperou-se do golpe que fora alvo. Revidou com um violento soco. O inimigo encontrou o chão velozmente.

“Entendi”, o mago pensou. “Agora percebo a gravidade da situação”. "

Essa história continua dia 26 de julho.

3 Blá blá blá!:

Odin disse...

Como sempre, o nobre Jaco Galtran nos traz histórias deveras interessantes e bem escritas. Parabéns ao nobre bardo e oas poderosos Dragões do Sol Negro!

Eder disse...

Nada melhor para dar um tcham na aventura que o efeito surpresa. Ainda que seja meio Sérgio Malandro: "Em qual porta estará o vídeo game" hasuausuhas
No caso, para o Quebra Ossos: "Em qual porta estará a diversão".

Dragões do sol Negro disse...

Cara ta d+ cada vez melhor!
E obrigado Odin, o seu blog tbm não deixa nada a desejar.
E bem os contos do Jaco falam por si só muito bom estamos felizes que faça parte dos Dragões do Sol Negro!

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