quinta-feira, 10 de junho de 2010

Numumba, o Herói

Numumba, o Herói


Abra os olhos, agora! Corre-corre, o monstro vai fugir! Numumba, o herói, parte em disparada pela selva, olhos brilhantes, lança em punho, persegue o horrendo moru-ngou, escapando por entre as árvores, saltando veloz por entre os galhos, corre-corre, a cauda farpada do monstro disparando saraivadas de espinhos envenenados, mas Numumba, o grande herói, desvia de todos com imensa facilidade, tamanha sua rapidez e agilidade; corre-corre, o moru-ngou voador ultrapassando o teto de folhas, para atingir o céu sem nuvens, só que Numumba realiza um salto tão veloz e formidável e espetacular que, quando a criatura se dá conta, o poderoso herói já está sob sua cabeça, pronto para desferir o golpe derradeiro…!

Meu nome é Numumba e eu sou um herói. Na tradição de minha terra sou chamado de chibinda, “aquele que caça com magias” – um mestre caçador, especialista em artes mágicas, armas enfeitiçadas e, feitos extraordinários. Os chibindas são os maiores campeões da tribo Nangana e eu sou um deles.

Às vezes, penso que perseguimos o heroísmo para escaparmos das insignificâncias inerentes às almas de todos nós.

Minutos antes de caçar o moru-ngou, estava eu lá em cima, no ponto mais alto de nossas terras, a Munda Central; abri os olhos para contemplar meu mundo, muito mais vasto do que sou capaz de enxergar – e eu enxergo bem longe, para além dos rios ondulantes, das selvas verdejantes, planícies fervilhantes e colinas flutuantes; enxergo as grandes manadas e as orgulhosas tribos, as caças e os caçadores, as selvagerias e as paixões, todas se confundindo no entrelaço de mútuas dependências e severas divergências; enxergo até a ação constante dos seres invisíveis que sustentam as estruturas físicas e oníricas de nossa terra.

Todos nós sonhamos; dessa forma, alimentamos e somos alimentados pelos espíritos.

Meu sonho sempre começa e termina na Munda Central, de onde vejo tudo.

E vi o moru-ngou comedor de gente descer como uma ave de rapina para atacar Namba, minha aldeia natal; mas a velocidade de Numumba, o herói, é a maior que existe nesta terra – em segundos, eu já estava no njando da aldeia Namba, sob olhar espantado de todos, meninas boquiabertas, como ele faz isso?, como se desloca tão rápido?, meus olhos não acompanham!, são artes mágicas, ele é um chibinda, chibinda!, sou grato pelos elogios, mas não era hora, pois o moru-ngou, espírito maligno em forma de ave horrenda, estava vindo!; desloquei-me novamente em alta velocidade e, no instante seguinte, já estava em pleno ar, a poucos metros acima da criatura, que acertei com minha lança; faíscas brilharam quando a ponta metálica atingiu o tronco do monstro – ele desviara a cabeça no último minuto e assim evitara o golpe fatal; num golpe rápido, uma de suas asas farpadas quase me atingiu, escapei com uma cambalhota no ar; pousei no chão de minha vila, enquanto o monstro se aproveitou para fugir.

Todavia, nem homem, nem bicho, nem monstro, nem espírito maligno é capaz de despistar Numumba, o Grande Caçador da tribo Nangana, maior herói desde os tempos de Nambala, o Lança Relampejante; com um pensamento, desloquei-me instantaneamente para o meio da selva, onde a criatura fugira em desespero; com um pensamento, desviei de todos seus espinhos e golpeei-lhe finalmente o pescoço imundo, decepando-o; com um pensamento, estava novamente de volta à aldeia Namba, erguendo triunfante a cabeça do moru-ngou horrendo.

Aplausos óbvios. Fácil demais.

E no meio da multidão surge Nilimba, minha amada, a mais bela da aldeia Namba; ela não se contém de emoção e me abraça forte, os lindos seios tocando meu peito forte, as genitálias roçando na minha perna – opa!, mas não há tempo para pensar, pois de súbito surge outro monstro, desta vez enorme, inchado e ainda mais horrível! Seguro minha lança e – epa!, Nilimba, o que você está fazendo com a mão aí?, ah, tá gostoso, continua, continua, ah, vai, vai!, mas o monstro gordo está gritando muito alto, acorda, acorda, acorda!…

– Abra os olhos agora, sua besta lerda! Acorda, que merda, acorda! Para com essa pouca-vergonha e vai trabalhar, moleque cretino dos infernos, vagabundo, tá atrasado, acorda infeliz!


– Sim mamãe, desculpe, já estou de pé, já tô indo já tô indo já tô indo!


Numumba amarrou a tanga na cintura e saiu correndo da cubata em que morava, o pênis ainda pingando, sua mãe grande e gorda gritando horrores no seu ouvido, moleque cretino, vagabundo miserável, corre, anda!


Fábio Cabral, especial para o Ao Sugo e autorizado por ele para os Dragões do Sol Negro
Imagem: Kilimanjaro Speedpaint, por Mr. Conceptual, Deviant Art

6 Blá blá blá!:

RPG Forever disse...

Fantástico.

Anônimo disse...

O muleke se masturba enquanto mata monstros hehehe

medunha disse...

fantástico uhauhaua, muito bom muleke punheteiro da porra uhauahauhauaha!

Devo ter conhecido alguns desse tipo em minha carreira de games online huauahauah

E Olha que tem imaginaçÃO bem fertil hein sorte q naum apareceu nenhum monstro pra dar separar nesta sua lança hein ??


Parabéns

Adonis disse...

uhuuuuuuuuuuuuuuuuum!!! A lança do menino é vorpal, cuidado galera!!!

Cara, divertidíssimo o texto... Parabéns Fabio! Ficou muito legal!

taf39 disse...

vorpal... punheteiro... isso ta mais pra conto de rpg porno!

Kabral disse...

Lança Vorpal... isso me deu uma boa ideia, obrigado. E agradeço muito aos elogios, que bom que gostaram. ;D

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