segunda-feira, 28 de junho de 2010

Jornada ao inferno - 1ª Parte

Olá. Hoje iniciamos uma série de postagens que juntas formarão uma história fechada. Escritas pelo nosso amigo Jacó, do blog http://contosderpg.blogspot.com/ essas postagens serão quinzenais - abaixo a primeira parte, daqui a quinze dias a continuação.

Apreciem:


Jornada ao inferno - 1ª Parte

"- As pessoas me chamam de Quebra-Ossos. Por motivos óbvios. As mães de meus inimigos me chamam de outra forma, mas não vem ao caso.

O jovem ensangüentado gaguejava.

- Salve meu reino... Por favor.
- Diga-me logo em que direção fica seu reino.
- Atrás daquele vale – o garoto apontou com os poucos dedos que ainda tinha em sua mão – Antes de irem... Por favor, me curem. Vocês são poderosos, sei que podem fazer isso.
- Sinto muito, rapaz. Mas eu apenas combato o mal – cuspiu no chão – Isso não significa que eu faça o bem.

Quebra-Ossos e Tartayy cruzaram o vale voando na águia gigante comandada por seu colega Vandavhy. Voltaram ao chão e visualizaram o mal que afligia aquele reino.

Eram cinco dragões, um de cada cor.

O dragão branco tinha três cabeças. Soprava seu gelo maldito em todas as direções, e parecia não haver limites para seu poder destrutivo. Suas vítimas não conseguiam correr, imobilizadas pelo frio, paralisadas pelo medo e desencorajadas pela certeza de não ter salvação. As bocas ferozes se intercalavam em emitir suas baforadas, tornando a carnificina ininterrupta.
O dragão negro era cavalgado por vários demônios. Repletos de chifres, caudas e de labaredas em seus punhos, traziam o pânico, a dor e o inferno. A cada mergulho do dragão em direção ao chão, asas destruíam vilarejos inteiros, garras destroçavam florestas e demônios decapitavam mulheres e crianças.
O dragão verde era imenso. Suas patas tocavam o chão soterrando dezenas de casas. Suas asas ficavam acima das montanhas e parte de seu pescoço ficava muito acima das nuvens. Cada passo titânico destroçava montanhas com a mesma facilidade de uma criança derrubando um castelinho de areia.
O dragão azul era o único que estava sendo atacado. Fogo, gelo, vento e chuvas de rochas eram lançados por magos elementalistas. Espadas sagradas se chocavam contra a couraça titânica. O dragão se contorcia em dor, para, poucos segundos depois, ter os ferimentos regenerados. E assim se seguiram longos minutos de ataques e cicatrizações imediatas.
O dragão vermelho era apenas um dragão vermelho – e isso bastava. Paladinos e servos dos deuses hesitaram e correram, abandonando famílias, deveres e suas crenças mais íntimas. Magos teleportavam-se para longe. Guerreiros das mais graduadas ordens de cavaleiros recuavam. Ninguém ousava enfrentar um dragão vermelho.

Então eles chegaram. Conhecidos pela alcunha óbvia e pouco criativa de “Os três”, Quebra-Ossos, Tartayy e Vandavhy eram respeitados pelo seu poder, admirados por seus feitos e temidos por sua inconstância.
Não tinham destino certo, não respeitavam autoridades, e não se importavam em matar inocentes se isso assegurasse a morte dos culpados. Seguiam guiados por suas convicções incertas e não podiam ser detidos.

Nem pelo bem, nem pelo mal.

- Guarde suas ilusões para sua mãe – Tartayy gritou, gesticulando freneticamente antes de um brilho azulado sair de sua mão espalmada – Ela vai precisar delas quando tiver que impressionar algum homem.

E os dragões sumiram. Junto, sumiram as pessoas morrendo, os aventureiros lutando e os vilarejos ardendo em chamas.

- Como percebeu tão rápido que era uma ilusão? – Quebra-Ossos ergueu a sobrancelha, cuspiu, e deu um sorriso amarelado.
- Ilusão de verdade é isso aqui – Tartayy estalou os dedos diante dos olhos de seu colega e o fez ver um turbilhão de imagens. Surgiram em sua mente o céu, o inferno, e uma infinidade de planos da existência.

Quebra-Ossos balançou a cabeça freneticamente para se recompor da miríade de sensações que o invadiu.

- Ilusões são para os fracos – Tartayy continuou – Vou mostrar o que é magia de verdade para esse canalha.
- Ainda não sabemos exatamente quem estamos enfrentando – Quebra-Ossos cuspiu mais uma vez antes de prosseguir – mas espero que não seja um covarde desses que recorrem a subterfúgios mágicos. Quero alguém que lute corpo-a-corpo comigo. Alguém que eu possa desossar.

Havia muito pouco além de um imenso nada. Nem casas, nem estradas, árvores ou pessoas. Nem sequer cadáveres, ou qualquer pista do que havia acontecido ali.

- Devíamos ter perguntado para aquele jovem que nos pediu ajuda o que estava acontecendo – Quebra-Ossos cuspiu de novo. Quase acertou sua própria perna.

Houve um momento de hesitação e uns poucos minutos de espera por uma repentina idéia do que podia ter acontecido. Vandavhy se impacientou, e, sem dizer nada, subiu em sua águia gigante e foi em busca de algum rastro de vida na região.

- Preciso que se acalme – Tartayy disse, já sabendo da ansiedade de seu colega por ficar muito tempo sem entrar em combate – Vou tentar identificar se há magia por trás disso.
- Matem-me, estuprem minha mãe e cuspam no caixão dela, mas não me peçam para ficar calmo. Quero espancar alguém.
- A impressão que eu tenho é que havia uma cidade, talvez várias aqui, mas simplesmente sumiram.

Tartayy fechou os olhos. Sua cabeça foi tomada por uma infinidade de sons e imagens desconexas. Respirou fundo a ponto de ser alvo da preocupação do colega, mas logo recuperou o controle sobre a situação. Teve dificuldade em distinguir o que era passado e o que era futuro no turbilhão de cenas que vislumbrava, aumentou a concentração e intercalou as respirações aceleradas com palavras estranhas. Um tipo de aura dourada circundou sua cabeça. Abriu os olhos novamente. Suava frio e tremia.

- Havia um reino – demorou a recuperar o fôlego – aqui. Várias cidades, vilarejos, aldeias... Enfim. Mas foi transportado por magia. O reino inteiro – continuava ofegante – foi levado daqui para outro plano.
- Pelo menos sabemos que vamos enfrentar alguém forte – Quebra-Ossos cuspiu novamente. Duas vezes – O que fazemos agora?
- Vamos esperar Vandavhy voltar. Uma parte da energia arcana usada para fazer o transporte ainda pode ser sentida. Tenho quase certeza que existe um portal dimensional por aqui. E se existir, eu tenho como encontrá-lo.

Houve um sorriso recíproco entre os amigos seguido de um novo cuspe.

- Será como nos velhos tempos?
- Talvez ainda mais divertido – Tartayy viu, ao longe, Vandavhy voltando com sua águia – Está preparado para ir, literalmente, para o inferno?
- Desde que lá tenha gente para eu espancar.
- Aqueça seus músculos. Enfrentaremos uma das maiores ameaças deste e do outro mundo.

Vandavhy desceu de sua águia. Quebra-Ossos, com o punho da mão direita, socou a esquerda. Tartayy apontou a direção de onde vinha a magia arcana que tinha sentido.

E “os três” foram em direção ao Inferno."

Jacó Galtran escreve no blog http://contosderpg.blogspot.com/ e ocasionalmente escreve contos a outros blogs - como é o caso aqui. Dia 12de julho, ele volta com a continuação dessa história.

2 Blá blá blá!:

Marcos disse...

Muito bom, gostei.

Paulinho disse...

Aguardo a continuação.

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