sexta-feira, 11 de junho de 2010

Contos inacabados do Marechal Mallek Pendragon (Parte 1)


Era inverno...

"_Era início de inverno e o frio devastava a inóspita região de Thundera.

No mínimo mais cinco meses se passariam antes da chegada da primavera.

O ano? Não é importante, meu príncipe, mas saiba que foi antes dos pais de seus pais terem conhecimento da existência do deus Inominável... E antes que se pergunte a razão por eu ainda estar vivo, deixe que eu vos responda com a razão pela qual vossa majestade respira: Porque essa é a vontade dos deuses, meu príncipe.

_Quando vou ser rei, Mallek?

_Ouça, e aprenda, garoto... Porque assim como eu não nasci um escolhido dos deuses, vossa majestade também não nasceu rei. Mas como sois príncipe herdeiro É SEU DEVER tornar-se rei um dia, e MEU DEVER, fazer com que aprenda a ser justo e nobre para com os que necessitarão de tua compaixão... Pois o poder corrompe até mesmo a alma mais pura de uma criança, como sois vós. E para que aprenda a lidar com o poder é necessário que aprenda a ser forte, sendo primeiro fraco."

PRELÚDIO - Conto I

O orvalho congelado pela noite crepitava no chão enquanto minhas pegadas marcavam o solo semi-recoberto de neve, dentro dos sulcos podia ver que a grama já estava quebradiça debaixo do gelo e que o solado gasto de meus calçados precisava urgentemente de uma nova camada de couro. Desta necessidade eu já sabia muito antes de constatar pela dedução daquilo que estava vendo ao olhar para as pegadas que eu deixava para trás, eu sentia o frio se entranhar em meus ossos e cravar meus pés como se fossem pregos do mais puro e gélido ferro, do qual até mesmo os mais temidos demônios temem o toque.

Eu precisava de lenha seca e a minha vida dependeria disso nos próximos seis meses... Não... Mais importante do que o meu bem estar... Minha mãe não aguentaria até o fim do inverno se a temperatura continuasse como está. Minha mãe... A figura mais doce que conheci em todo o meu viver. Como não se apaixonar à primeira vista todos os dias pela figura que o gerou em seu ventre, o amamentou, criou, educou... Tudo sozinha. A unica criatura na terrena que me amou verdadeira e sinceramente de todo o coração, mesmo depois de ter sido abandonada em plena gestação pelo meu progenitor. Ela nunca falava nele, talvez porque as farpas que ela sentia fossem ainda mais dolorosas que o frio a perfurar minha alma naquele momento.


"_Oh deuses de Pondengran, por quê criaram o inverno? Seria alguma piada de mal gosto para contrapor o inferno ao qual estão todos os impuros condenados? Aos maus o calor intenso, aos bons... Que morram no frio de Nifleheim!?"


"_Oh deuses de Pondengran, por quê criaram o inverno? Seria alguma piada de mal gosto para contrapor o inferno ao qual estão todos os impuros condenados? Aos maus o calor intenso, aos bons... Que morram no frio de Nifleheim!?"

Preciso me concentrar, manter a mente no que se faz necessário para a sobrevivência daqueles que amo, preciso encontrar caça de qualquer maneira... Minha mãe conseguirá passar pelo inverno doente, mas doente e faminta... Nem eu certamente sei se passarei... Mas o fantasma de perder minha mãe me assombrava ainda mais que a lamina do ceifo da própria morte rasgando minhas entranhas.

"_Preciso de comida, estou fraco pela fome... Concentre-se, Mallek, concentre-se..."

Adiante já posso ver a margem oposta do lago, por entre a copa das àrvores, descendo a colina. Eu sei que o lago deve estar mais rígido que rocha no momento e não vou encontrar nenhum animal procurando àgua para saciar a sede, mas a minha esperança é de que eu possa achar qualquer coisa, como aquele cervo do ano passado que minha mãe cozinhou com batatas e nos manteve vivos e felizes até a chegada da primavera daquele ano, me rendeu as botas que estou usando agora e minha adaga com cabo de osso... Terei sorte se encontrar qualquer coisa viva num raio de três luas de viagem daqui, com esse maldito frio.

"_Maldito inverno, minha vida se resume à isso, lutar contra você ano após ano? Tudo o que eu quero é sobreviver... Por quê não nos deixa em paz? Já não basta termos de nos esconder como ratos para que os bárbaros do norte não nos encontrem e se alimentem de nossa carne?"

Vejo algo se iluminando ao longe, por entre as nuvens, mas não parece ser mais uma tempestade e está difícil de identificar qualquer coisa por causa da luz da aurora misturada à recém dissipada neblina da noite. E com este maltito tempo não conseguiria nem mesmo distinguir um relâmpago de um trovão. Ou seria pela fraqueza imposta pela fome?...

"_Você precisa continuar, Mallek, você deve continuar!"

E ainda que cambaleando, faminto e com frio eu continuei a descer a colina. Porém em um leve descuido ou por um mero momento de vertigem causado pela fome tropecei em uma raíz exposta ao ar, mas escondida da visão pela neve acumulada no leito de uma àrvore. Eu caí. Rolei muitos metros à baixo naquela colina, tal como um boneco meu corpo foi jogado, batendo de tronco em tronco e ganhando velocidade conforme o fim da colina chegava. Eu consegui me manter consiente durante a descida, e a única coisa na qual conseguia pensar era em quem alimentaria minha mãe quando eu morresse... Mais um tronco... Senti duas costelas do lado esquerdo dobrarem com o impacto, e quase simultaneamente ouvi o estalo. Uma dor inenarrável pela qual nunca tinha passado antes. Outro tronco... Minha homoplata direita ainda dói toda vez que faz frio por causa daquele tronco. Aos poucos fui perdendo as contas de quantas vezes eu batia em alguma coisa... até que parou.
Eu estava na base da colina, numa margem congelada do lago. Não sentia mais meu corpo, nem dor, nem frio, nada... Minhas costas jaziam na superfície congelada, naquele espelho de vidro que seria minha tumba e descanso final. Meu corpo estava tranquilo mas minha mente estava inquieta com uma única vontade aflorando em meu âmago, re-ver alguém... E essa vontade foi o que me fez balbuciar uma última palavra, como num esforço em vão saiu de minha boca com o resquício de ar que ainda havia em meus pulmões:
"_Mamãe..."

Foi então que perdi a consiência por algum tempo, e o que me recordo a seguir foi de abrir os olhos e ser invadido por um pavor descomunal. Eram aquelas mesmas luzes que vira iluminarem o céu ao longe, só que agora estavam pairando exatamente sobre minha cabeça... Mas o mais assustador não eram as luzes, e sim suas fontes...



CONTINUA...

em breve...
Mais uma "cidade" para Pondengran: Thundera, a terra das montanhas da tempestade.
Continuarei contando a história de Mallek para vocês também, dependendo dos comentários! =)
Mallek é um personagem que ainda estou criando, quem adivinhar a classe do figura ganha um doce!
Abraços meus amigos...
sıuopɐ

12 Blá blá blá!:

RPG Forever disse...

Gostei da história e fiquei curioso para saber o que vai acontecer. Parabéns ao autor!

Anônimo disse...

Pô muito legal esse ai.
Ass. sem Blog

medunha disse...

O cabelo dele eh natural ou ele faz chapinha???

hauahauahuahauhauah

Lord das Trevas disse...

Eu sempre acompanho o seu blog, e posso afirma que de todos que eu li até hj esse é o que mais visito com frequencia, um dia gostaria de participar de alguma aventura na mesa de vcs! Meus parabens e posta logo a parte 2 heheheheheheheheh
Abraço

Dragões do sol Negro disse...

Que bom que gosta do nosso blog, aproveite e nos siga.
Seria um prazer te-lo aqui como jogador, quem sabe não marcamos em um evento qualquer em fim.
Abraços e Obrigado.

Adonis disse...

Obrigado pelos comentários ao meu humilde texto... O personagem nem existe em ficha, são somente as histórias de um velho paladino... Aguardem a parte 2.

Grande abraço aos leitores.

Igor disse...

Ficou bem fera mesmo...
sou mais um curioso agora haha

Odin disse...

Um conto deveras interessante e muito bem escrito! Minhas congratulações ao autor!

Dragões do sol Negro disse...

Saldações o Grande Odin!

taf39 disse...

Grande odin.....
Adonis ta escrevendo legal, boa mano, as imagens copiadas de w3 mas legal tb... keep up

Dragões do sol Negro disse...

que bom que você gostou e seja bem vindo para novos comentários!

Adonis disse...

Como o personagem nem existe "na mesa", ele não tem desenho... Só a idéia de como ele se pareceria na época em que ele relata os acontecimentos (quando ele era beeem novo ainda, como o Arthas novo) e como ele estaria atualmente, enquanto ele narra as histórias ao príncipe (como a última imagem do Arthas ou algo parecido com aquele líder dos vickings no filme 13º Guerreiro, ainda um pouco mais velho)

Muito obrigado pelos comentários pessoal!

Tô trabalhando na continuação, a segunda parte promete...

Abração aos leitores!

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