terça-feira, 11 de maio de 2010


Krepe – crônica sobre um meio-humano

Por Esquerdinha


Porque os humanos tendem a se pôr acima das demais espécies? E quem disse que mistura de homens com outras raças faz com que tais seres percam sua humanidade? Sim, muitas vezes esquecemos o que de fato significa ser humano.

Lembro-me de minha adolescência recente em que pude conhecer o meio-orc Krepe, na ocasião em passei pelas minas Elfor. Sujeito interessante e de coração nada dividido. Com um amor incondicional por uma mãe que tinha pavor da própria cria. Esse mineiro de jeitos quase grosseiros nunca foi descontrolado. Ao contrário, vivia amedrontado pela insensibilidade de um anão desumano e cruel que via nele apenas o sangue orc.

...nunca ele conseguiu ser visto por seu lado humano. Eternamente orc...



Sim, mineiro. Por muitos anos carregou pedras, arrastou carrinhos e escorou desabamentos. Muitos colegas (ainda que eles não se considerem assim) foram salvos por ele. E nunca ele conseguiu ser visto por seu lado humano. Eternamente orc.

Lembro de uma história das mais repetidas em Elfor. Um desmoronamento com mais de 10 mineiros presos. Krepe abriu caminho e os resgatou. Um deles, contudo, ficou preso sobre uma pedra gigantesca. Devia pesar o equivalente a uns vinte homens. Uma das surras mais terríveis que já sofreu essa pobre criatura, tão sensível e tão enigmática, ao menos para mim. Com uma longa vara de bambu, Suahfussa fazia arder aquela pele esverdeada. Nada, nenhum efeito sobre a pedra, por mais que o rapaz tentasse removê-la.

Então, Ysburaku fez o que pior poderia para ofender aquela criatura. Chamou de monstro pestilento e inumano. Ah! Pobre ser. Um ente de tamanho coração poderia ter um destino diferente. Seus olhos ficar rublos de sangue, seus músculos explodiram e ele empurrou a pedra mais uma fez. Depois de alguns instantes, feliz por ter podido ajudar, tinha certeza de ter removido o fragmento mais de dois metros, se viu apanhando com ainda mais vigor.

Seu coração jovem ficou sem entender. Compreendeu depois quando o forçaram a olhar. Ele se desesperou. E não havia uma única alma para consolá-lo. Seu colega estava com a cabeça esmagada pela pedra, pois ele a removera para a direção errada.

É possível dizer que tal criatura não tem alma humana? Falo aqui de meu amigo meio-humano, Krepe. Desprezado por muitos dos seus. Quantos animais que perambulam por esta Terra, incapazes de levantar a mão para uma boa ação? Ou pior, são responsáveis pelas mais ardilosas e terríveis atrocidades. E se dizem humanos.

Quando desumano é Ysburaku Suahfussa, por exemplo. Esse anão de temperamento forte e vingativo. Ouvi de sua própria boca histórias sobre Krepe, que com uma indevida interpretação fariam dele a pior das bestas. Contou-me, certa vez, que esse humano-orc, com a intenção de demonstrar o amor que tinha por sua mãe, forrou todo o chão ao redor da casa de Endeva com rosas vermelhas e brancas. O agradecimento mais belo pronunciado por sua foi “animal estúpido”, gritado entre ais e gemidos pelos espinhos espetados no pé. Sem contar belíssima sova de pau que recebeu de seu carrasco anão por ter destruído o jardim de sua casa.

Então, percebem o que afirmo? Como pode um ser assim não ter humanidade? Seu lado orc foi suplantado a duras penas e sua face humana ignorada. Por isso questiono que atribui a Krepe o título de meio-orc, quando aos mais diletos observadores é dada a imagem de um ser muito mais meio-humano. Você deixa saudade, amigo. E acredito que seu destino pós-vida é a trilha daqueles que carregam a humanidade em seu coração.

3 Blá blá blá!:

Eder disse...

Buááááááá!!!!

Diego disse...

Snif, snif...
Descanse em paz saudoso orc.

Dragões do sol Negro disse...

Façamos então um segundo de silêncio.
Ai deu.
"Antes ele do que eu!"
Frases de um amigo.(segredo)

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