segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Templo da Flor-de-Lótus

“Transforma a ti mesmo num lótus e terás a promessa de ressurreição.”


- Livro dos mortos do Antigo Egito -

As antigas ciências de Poldengran e da cultura dos grandes eruditos e sábios que habitam a região das altas montanhas mencionam em textos esparsos a existência de uma antiga ordem monástica, a Ordem do Templo da Flor-de-Lótus.


O Simbolismo



A flor-de-lótus (Nelumbo nucifera), também conhecida como lótus-sagrado, é uma planta da família das ninfáceas (mesma família da vitória-régia).

Essa flor, nativa do centro-oeste de Poldegran, cresce da escuridão do lodo para a superfície da água, abrindo sua flores somente após ter-se erguido além da superfície, ficando imaculada de ambos, terra e água, que a nutriram.

A Lótus é admirada com respeito e veneração pelo povo do vilarejo, ela é o símbolo do crescimento e desenvolvimento espiritual, por representar a pureza (a flor) emergindo imaculada de águas lodosas (vencendo o sofrimento e os desejos mundanos). Esta flor é tão admirada que, quando chega a primavera, o povo costuma ir aos lagos para ver o botão se transformando em flor.

A origem

Há muitos e muitos anos, alguns dizem centenas, outros milênios, no terceiro dia do mês do coelho, ocorreu uma grande batalha entre duas cidades-estado, que envolveu o empenho e a coragem de muitos soldados e resultou na total destruição de ambas. O uso descontrolado e excessivo da magia e das espadas levaram não somente à aniquilação de praticamente toda a sua população, mas também a destruição da vida animal e vegetal da região, transformando-a em completo deserto.

Em meio às dezenas de corpos dos guerreiros mortos em combate, alguns poucos sobreviventes conseguem se levantar dos escombros da cidade de Kanthis, dentre eles Jahin, um jovem tecelão, que desesperou-se ao ver sua cidade natal completamente destruída e em fúria inconsciente terminou com a vida de todos os sobreviventes inimigos, e depois lhes ateou fogo. Depois ao recobrar sua consciência chorou intensamente a morte de sua família, amigos, e de tudo que conhecia enquanto ouvia o crepitar do fogo queimando os ossos dos seus inimigos. Pediu perdão aos deuses, sem resposta.

Retornou até o sul da cidade, perto do ferreiro, onde ficava sua casa, recolheu o que sobrou de seus pertences e deixou o resto de Kanthis para os urubus e para os ratos. Era claro que nada mais havia para ele ali, abandonou tudo e partiu em viagem para a Floresta do Oeste, pois sabia que ali não o procurariam. Após uma semana, suas rações de viagem terminaram, e não conseguia caçar, pois cada vez que se aproximava do animal, lembrava-se do seu sofrimento, da dor e da morte. Em razão disso, começou a colher frutos e sementes para se alimentar.

Dias depois, no entardecer de um dia inteiro de caminhada, sentou-se à beira de um pequeno lago para descansar. Enquanto comia uma maçã, observou que, embora a água do lago fosse suja e lamacenta, em sua superfície haviam dezenas de flores-de-lótus, que perfumavam aquele local de um modo muito especial.

Jahin, deslumbrado com a perfeição da natureza, decidiu acampar e conhecer melhor aquele local, que nomeou lago das Lótus. Após contemplar as belezas naturais de onde estava, percebeu que estava em um local muito ermo e sem sinal de qualquer contágio da tenebrosidade humana.

O lago fica encravado nas perigosas Montanhas do Oeste, no limite entre o fim do deserto e o início das Florestas, entre o fim da morte e o início da vida.

Com o objetivo de construir uma nova vida, sem morte e com o controle de suas emoções, Jahin decidiu lá construir e edificar a sua moradia. A sua solitária residência deu origem, décadas mais tarde, a um Mosteiro e este a um vilarejo, a vila de Lótus.

A fundação da vila e sua história são restritas somente aos Monges da Ordem ou aos moradores da Vila de Lótus.

“As guerras constantes pela disputa de territórios nas regiões entre Porthi e Orthânia eclodiram a dispersão da população para regiões mais inóspitas do continente, inclusive para as montanhas. As correntes migratórias tomaram muitas direções e caminhos, dentre todos esses grupos de sobreviventes havia uma carroça com dois monges novos e quatro anciões. Estes monges, durante a viagem, admirando a paisagem da encosta, avistaram uma pequena coluna de
fumaça e logo abaixo dela uma pequena casa, solitária na montanha. Espantados com a altura da sua localização, indagaram aos ventos que poderia morar em um lugar tão ermo. O vento apenas assobiou o silêncio.

Após dois dias de escalada pesada, encontraram uma bela casa de porte médio, bonita, que utilizava pedras, lascadas ou cortadas de em tamanho padrão, em suas fundações e pilares, paredes de madeira e tecido, cuja frente tinha um pequeno lago, com muitas flores-de-lótus. Ao se aproximarem foram saudados por Jahin e convidados para ceiar com ele. Após contarem-lhe suas experiências de guerra, dor e morte, Jahin os convidou para compartilhar a casa e tudo que possuía, bem como sugeriu a idéia de ali construírem uma vila, com todos que desejassem viver em paz entre si e com a natureza.

Jahin viveu como ermitão por muitos anos, o que lhe ofereceu muito tempo para trabalhar, meditar, estudar as estrelas e escrever. Há boatos de que tenha escrito mais de uma centena de pergaminhos. Outros dizem que foi tempo suficiente para esvair completamente a sua sanidade.

Perplexidade e medo assombravam os pensamentos dos monges. Como um homem poderia apresentar tanta gentileza a estranhos como eles? Jahin percebeu a hesitação e a tensão que tomava conta do ambiente e então, afirmou, ‘O meu coração está tão amplo e vazio como esse lugar. A sua presença foi preconizada pelos deuses. Juntos iremos construir uma nova filosofia que de muitos será o lar.’

Algo imediatamente tocou os corações daqueles homens – a esperança. Entusiasmados com a idéia, os jovens monges desceram a montanha em direção à estrada e aos vilarejos próximos das vilas abandonadas, disseminando a idéia de uma vida livre e sem armas.

Ao entrar nos vilarejos, procuravam a praça central e começavam a contar o seu sonhos às pessoas. A cada minuto mais e mais pessoas se reuniam para ouvi-los. Tiveram momentos em que discursaram para dezenas de pessoas. Entretanto, poucos compartilharam de sua fé, as maiores partes das pessoas os julgaram loucos e coitados, que deveriam estar alucinando por terem passado por tanto tempo sem comida e sem água.

Após trinta e cinco dias, aqueles jovens passaram pela minha cidade novamente, acompanhados de cinco carroças, pesadas pelos animais e provimentos que transportavam. Dentre aquelas duas dezenas de pessoas que os acompanhavam na jornada, tinham elfos, humanos, tieflings, e alguns anões.

Eu acompanhava com os olhos todo aquele movimento até que um deles me reconheceu, olhou-me diretamente nos olhos e estendeu a mão aberta – vamos? – disse ele, em tom mais que convidativo. Estendi a minha mão, mas logo hesitei, pensei na minha vila, na minha família e a abaixei. Tive medo.

Uma semana depois, decidi deixar a vida que conhecia, os ataques e os saques tornaram-se mais intensos. Segui os seus rastros até a divisa dos campos com as encostas. Ao chegar lá avistei as carroças e os cavalos, mas não encontrei ninguém.

Assim a fundação da vila e sua história, se é que algum dia existiu, são restritas somente aos Monges da Ordem ou aos moradores da Vila de Lótus.
Isto foi há mais de trinta anos, até hoje não sei o que aconteceu com todos eles. Mas sempre que passo por aquela região, sinto uma vontade enorme de admirar aquelas montanhas, sorrio e suspiro – Lá no alto deve ter uma bela vista... e esta é uma bela história.”

Haram, velho bardo da floresta do norte.

5 Blá blá blá!:

Eucledson disse...

Fino, quem fez esse templo??

Passe pro Clayton, acho q ele aiachar particularment einteressante, hehehe

Abraços

Dragões do sol Negro disse...

hehehe! Foi ele mesmo que fez já faz uma cara! ahuahauahu

Juba disse...

Apenas contei uma velha história... rsrs, ela tem mais de dois anos!!! rsrsrs

Dragões do sol Negro disse...

Uma boa história!
Que por sinal não tem data de vencimento ahuahauh !
Valeu a visita!

Clayton disse...

Andei recebendo alguns papiros, após traduzi-los, postá-los-ei, a fim de prosseguir a história...

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