segunda-feira, 9 de novembro de 2009

AMARGANTE


AMARGANTE


A cidade de prata
-Origem


Há muito tempo atrás, entre as enormes montanhas rochosas, uma pequena tribo habitava o lugar, os Anastas. Tinham o cabelo branco como fios prateados, as crianças recém nascidas tinham o cabelo preto e outras pouco mais velhas já tinham os primeiros fios brancos, tinham a pele escura, em um tom esverdeado tendendo ao castanho, usavam peles de animais para fazerem botas, assim como calças e saias e alguns adornos, deixando apenas o troco nu. Desde pequenos as crianças são educadas na coragem, na nobreza e no orgulho. Tinham de se habituar a suportar o frio, o calor e grandes privações, para que crescessem e se tornassem grandes caçadores, de onde os Anastas tiravam os seus sustentos, alem das ervas da floresta.

Pank estava pronto para dar inicio a sua Grande Caçada que começava ao por do sol, assim como todos os outros jovens, esta caçada só tinha inicio após 3 dias de seu aniversário de 15 anos e o ritual de iniciação que o velho ancião Ilja estava terminando. Pank pintou o rosto com desenhos vermelhos escuros, colocou o seu cachecol de pele em volta do pescoço deixando a outra ponta encostar-se ao chão, pegou o seu arco e fecha e saiu a toda a velocidade, descendo a montanha correndo, pulando arbustos e escorregando por encostas.

O sol já não clareava muito, mas era o suficiente para descobrir em que direção estava a sua Grande Caça, já que agora sabia que devia voltar com uma pata de cavalo nas mãos, confirmando assim o mais novo guerreiro na tribo dos Anastas.

Sozinho, Pank encontrou cavalos selvagens por toda planície do vale e na floresta também, porem sem nenhum sucesso ao tentar abater um desses cavalos selvagens. Passou 4 dias tentando matar um desses cavalos, suas flechas já estavam no fim e nada de pata de cavalo. Na noite do 5º dia, Pank encontrou um centauro dormindo do lado de uma fogueira, onde só restavam brasas. Até então ele só conhecia histórias de outros caçadores que já tinham visto um centauro em dias de muita sorte.

Ao observar melhor, notou que se tratava de um jovem centauro, mas o que chamava atenção era a sua perna traseira esquerda que estava toda ensangüentada alem de uma respiração ofegante.

“ótimo, este animal já está morrendo, assim poderei levar a pata dele e falar que era de um cavalo selvagem e me tornar um guerreiro” disse Pank pra si mesmo. Aproximou-se do centauro com seu pequeno punhal e desferiu em só golpe contra o ferimento da perna do centauro, este que acordou gritando de dor sem saber ao certo o que acontecia ali. Rapidamente se levantou, mancando e com uma dor terrível em sua perna. Olhou com mais atenção e notou um jovem de olhos arregalados com um pequeno punhal.

Pank não conseguia entender por que aquele centauro estava de pé, mesmo com uma pata ferida.

- Por que me atacou enquanto eu dormia? Perguntou o centauro se contorcendo de dor.

- Imaginava que você estava beirando a morte, só queria diminuir o seu sofrimento, respondeu Pank assustado.

- Sou imortal e não morria com esse ferimento, porem ainda sinto dor, que agora parece ter triplicado.

- Mas se é imortal, por que está nessa floresta sozinho? Poderia estar em lugares melhores...

- Procuro ervas para curar o meu ferimento que nunca se cicatrizou, mas agora não adianta mais, com a dor que estou sentindo, mal poderei andar. Se pelo menos você soubesse que a carne de centauros não é boa pra comer, eu não estaria assim... Respondeu o centauro enfurecido.

- Eu não quero a sua carne, só queria a sua pata para voltar a minha tribo e me tornar um guerreiro.

O centauro chegou perto de Pank, cheirou-o, deu algumas voltas em volta de Pank.

- Vejo que realmente fala a verdade, disse o centauro. Mas agora com essa dor que sinto, preferia deixar de ser imortal do que viver com ela eternamente. Impossibilitado de andar llongas distâncias agora, vejo que não sou mais útil aqui na terra, devo voltar junto aos outros deuses, completou.

- Voltar? Deuses? Quem é você?, perguntou Pank com cara de que não entedia nada nesse momento.

- Sou Quirion, o médico ferido, um semi-deus. Agora já sabe quem sou, deixe-me voltar para casa, minhas dores são terríveis e não tenho motivo para ficar mais aqui.

Quirion pegou em sua bolsa, um manuscrito e um pequeno pedaço de ganho todo retorcido. Foi para uma clareira ali perto, deu uma rápida olhada no manuscrito e começou a riscar no chão, repetindo isso algumas vezes até que um desenho se fez na terra.

- Vou embora, mas deixarei para você muito mais o que procura. Por mais que você não teve em nenhum momento misericórdia em atacar alguém ferido, uma vez que estava tomado por suas ambições. Estarei lá de cima te observando a partir de hoje.

- Espere! Sei que não fui honrado em te atacar...

Antes de Pank terminar a frase, Quirion disse sua ultima frase.

- O que está feito, não tem volta...

Então, o corpo de Quirion cai ao chão logo que 7 pontos luminosos sai de seu corpo, o brilho de cada uma era o suficiente para liminar como se fosse um dia ensolarado as mais profundas cavernas. Os 7 pontos de luz ergueram-se ao céus e se fundiram ao infinito de estrelas que fazia naquela noite, junto a lua.

Pank impressionado com o tinha presenciado, cortou a pata do corpo de Quirion após alguns minutos olhando para o céu. Naquela noite acampou ali mesmo e no dia seguinte volto a sua tribo, tornando-se um guerreiro.

Após alguns meses, estranhamente homens e mulheres da tribos, principalmente as crianças da tribo do Anastas começaram a desaparecer os poucos, sempre procuravam nas florestas e no alto das montanhas, caso estivessem perdidas, mas nunca a encontravam.

Muitos anos se passaram, Pank não saia mais para suas caçadas fenomenais, pois agora é um homem velho, o ancião dos Anastas. Preocupado com possível extinção de sua tribo, uma vez que só restavam poucas crianças e alguns adultos. O ancião Pank escolhe o melhor guerreiro da tribo para ir atrás de respostas da terrível desgraça que sua tribo sofria. Então Jarod, que tinha se tornado guerreiro há pouco tempo, sai em busca dos oráculos de Pondengram, mesmo sem saber onde eles ficavam, sem ter nenhuma pista, sem saber o que realmente ia trazer de volta, da sua jornada.

Anos e anos se passaram e Pank viveu seus últimos dias angustiado por não ter visto Jarod voltar. Só restavam alguns Anastas, pouco mais de 10 guerreiros, algumas mulheres e as duas ultimas crianças, uma meninas, a Cris Ta e um menino, Abe.

Quando Jarod voltou, era velho já, com rugas por toda face, já não tinha a mesma vitalidade de quando partiu, tinha muitas histórias para contar, do que viveu fora de sua tribo. Porem, mesmo com a cara de abatido, estava alegre por ter conseguido achar a resposta da desgraça que sua tribo sofria há anos atrás.

Chegou e contou ao ancião Enissow, sucessor de Pank. Para os Anastas se livrarem dessa maldição, eles precisariam criar sobre o assentamento da tribo deles, a cidade mais bonita de Pondengram, mas isso só era possível com a ajuda dos Aiaiais, seres que só existiam em lendas, onde cavavam nas mais profundas cavernas a prata mais pura que tivera noticia.

Após o anuncio, Enissow pediu que todos da tribo fossem atrás dos Aiaiais, Foram por todas as direções, mas não os encontraram. Já estavam conformados de que esses seres não existiam.

Anos depois, só sobrou Cris Ta e Abe da tribo dos Anastas, agora adultos. Certo dia, durante uma caçada na montanha, Cris Ta encontra um dos Aiaiais.

Os Aiaiais são parecidos com larvas, tem o tamanho de um braço humano, enrolados em faixas de panos e couros, lembrando esparadrapos ao longe, tem no lugar de seus braços, tentáculos como os dos Polvos. Vivem em cavernas muito profundas nessa região e na escuridão absoluta, pois eles não gostam de sua aparência, apesar de tentarem esconder-se envolto a panos. Ao verem uns aos outros, ficam tristes e começam a chorar, suas lágrimas são na cor púrpura com uma certa transparência e lembra bastante o acido que corrói tudo, para que assim ninguém possa enxugar sua lagrimas.

Cris ta e Abe convencem eles, mas os Aiaiais impõe uma condição: de que tanto eles quanto aos seus descendentes tinham que se dedicar ao canto e a narração de histórias.

Na noite seguinte, os Aiaiais criaram o primeiro barco de prata ali no meio do assentamento dos Anastas, dentro dele um pequeno palácio. De perto não daria pra saber se era uma barco mesmo, pois o tamanho assustava e seus pequenos detalhes em prata não era nada convencional para um barco. Porem ao verem que Cris Ta e Abe não cantavam, começaram a chorar, Os dois não sabiam de histórias e nem cantos, pois não tiveram ninguém pra ensinar eles. Assim os Aiaiais entraram na terra e choraram por 7 dias seguidos, formando um lago com suas lagrimas. No fim do 7º dia, Cris ta contou a primeira história, com sua pró pia imaginação e Abe narrou histórias que faziam qual quer um se imaginar como um herói, se aventurando pelo mundo.

Felizes ao escutarem os dois, os Aiaiais criavam as casas e barcos, uma mais bonita que a outra assim era uma maneira deles repararem a sua feiúra para o mundo.

Com o tempo, no meio do lago, havia muitos barcos, grandes e pequenos, com grandes ou pequenas casas, toda de prata.

O Aiaiais construíram uma biblioteca a pedido de Abe, para que nela fossem guardados os cantos e histórias que eles narravam.

Certa vez, um grupo de ciganos mercantes acampava aos pés da montanha e durante a madrugada, notaram um brilho vindo do alto da montanha, era como se reflexo da lua refletisse na lagoa e da lagoa para os paredões rochosos da montanha. Intrigados, na manhã seguinte, subiram a pé até o alto da montanha (deixando apenas as mulas pra trás). Chegaram e se deparam com uma cidade que flutuava no meio do lago, onde encontraram Cris Ta e Abe.

Os ciganos precisavam de um lugar para morar e Cris e Abe já não caçavam como antes, tinham perdido um pouco de sua raiz guerreira, já que no lugar de espadas e arcos, se dedicavam ao canto e histórias. Então que naquele momento seria muito mais fácil trocar prata por comida que os ciganos traziam.

Cris Ta e Abe então, decidem que não precisavam de mais casa e barcos, e negociam com os Aiaiais, para irem morarem no fundo do lago, como se fossem vizinhos, enquanto eles morariam em cima, mas mantendo a mesma promessa, dos dois últimos Anastas cantarem e narrarem histórias enquanto os Aiaiais cavavam prata para os dois vizinhos de cima.

Assim, os dois descendentes dos Anastas tiveram filhos e seus netos já nasceram misturados com os ciganos, os seus primeiros grandes moradores e assim vivendo anos após anos.

Em homenagem aos Aiaiais, Abe decide dar o nome a cidade de Amargante, a cidade de prata, em virtude da amarga vida de tristeza que os Aiaiais vivem.

Até os dias de hoje, só é escolhido para ser o grande ancião, aquele que tiver mais feições com os Anastas, apesar de ser uma difícil tarefa, já que o sangue da sua raça esta bem difundida na cidade e região.

0 Blá blá blá!:

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